Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Armando Peterlongo – Uma trajetória regada a champanhe

Não é qualquer vinícola que tem o direito de ostentar em seus rótulos a denominação ‘champagne’. Como não é qualquer cantina que pode dizer que produziu o primeiro champanhe do Brasil. Pois, a Vinícola Peterlongo é reconhecida pelos dois feitos. Tudo isso graças ao sonho de um dos seus fundadores, Armando Peterlongo, que herdou do patriarca Manoel a vontade de elaborar a ‘bebida dos deuses’. A história de ser reconhecida como a primeira e única vinícola no país a adotar as técnicas de elaboração para o champanhe remota do final do século XIX. Em 1890, o imigrante italiano – vindo da região do Trento – Manoel Peterlongo desembarcou no Brasil, mais precisamente na vila de Conde D’Eu, atual Garibaldi. O italiano trouxe na bagagem o sonho de produzir em terras brasileiras vinhos da mesma qualidade dos europeus. Engenheiro agrimensor por formação, vivia de seu trabalho, enquanto recebia instruções necessárias – vindas do Irmão Pacômio – para produzir vinhos por meio do método utilizado pelos franceses, o champenoise. Em 1913, chegava ao mercado o primeiro champanhe brasileiro. Reconhecido nacionalmente com uma medalha de ouro na 1ª Exposição de Uvas, de Garibaldi. Manoel logo percebeu que o clima frio e intenso da região era próprio para a elaboração da bebida. Aos poucos, as mudas de videira viraram vinhedos e os vinhos para consumo próprio se expandiram. Em 1° de janeiro de 1915, estava fundada a Vinícola Armando Peterlongo & Cia Ltda, uma homenagem ao seu primogênito e sucessor de seu legado.


personalidades
Armando Peterlongo avalia seu produto. (Foto: Arquivo Vinícola Peterlongo)
Em terras brasileiras, Manoel casou-se com Regina Vivian, com quem teve noves filhos. Em 23 de fevereiro de 1899, nasceu seu único filho homem, Armando Peterlongo. O jovem acompanhou desde cedo os gostos do pai e dele herdou o sonho de elaborar champanhes e valorizar a mão de obra feminina. Estudou Farmácia em Porto Alegre e trabalhou como farmacêutico em Vacaria, até 1921. Nessa época, os negócios da família prosperavam e Manoel chamou Armando para ajudar nos trabalhos da vinícola. Com o falecimento do pai, em 1924, Armando assumiu sozinho o comando da Peterlongo.

Novas instalações
A frente dos negócios da família, Armando deu continuidade aos sonhos do pai. Em 1930, construiu novas instalações seguindo os padrões da região da Champagne, na França. A cantina foi erguida em pedra basáltica numa extensão de 10 mil metros quadrados, incluindo uma cave subterrânea toda em granito – nela ainda hoje estão armazenadas garrafas elaboradas pelo método champenoise. Como um homem meticuloso, Armando estava preparando a empresa para o salto que viria: a projeção do modesto negócio familiar para nível nacional. A champanhe nacional conquistava cada vez mais espaço e fazia sucesso por onde passava. O presidente do Brasil, Getúlio Vargas, servia a bebida em seus banquetes comemorativos. A própria rainha da Inglaterra, Elizabeth, ao visitar o país, provou o champanhe elaborado por Armando e o aprovou. Com a repercussão, o champanhe foi coroado como bebida oficial do país, servido em cerimônias e festas particulares. “A partir de 1930, nas solenidades oficiais, batismos de navios ou aviões, passou-se a fazer uso do champanha nacional Peterlongo”, escreveram Elvo Clemente e Maura Ungaretti em História de Garibaldi.

Armando via a produção aumentar gradativamente e passou a empregar mais funcionários para trabalhar em seus vinhedos e no interior das vinícolas. Contratava, principalmente, mulheres, o que era raro para a época. Conforme o Arquivo Municipal de Garibaldi, foi o primeiro empresário da região a pagar salário mínimo aos operários. Nos jornais, o diretor da empresa era descrito como “homem que sabia respeitar as leis deste país”.

Além do vinho
Como um homem visionário, Armando logo percebeu que a Peterlongo precisava exportar seus produtos. Em 1942, o champanhe foi comercializado para a rede de varejo Macy’s, em Nova York. Com isso, dava início a uma série de exportações que aumentariam a procura pela bebida e fariam a Peterlongo ampliar sua capacidade vinícola e abrir espaço para outros produtos. Nasciam os vinhos brancos e tintos, os conhaques e os uísques da vinícola Armando Peterlongo. Eram produzidas mais de 360 mil garrafas. Na década de 1950, algumas inovações foram feitas, inclusive na elaboração dos espumantes, que passaram a ser feitos também pelo método charmat.

Mas não era apenas no campo vitivinícola que Armando se destacava. Casado com a professora Addy Sabrosa desde 1924, e com quem teve as filhas Zeney e Eneida, contribuiu para a educação de Garibaldi. Sob a influência da esposa, que foi coordenadora da 4ª Coordenadoria Estadual de Educação, Armando pagava os salários de vários docentes para ampliar o acesso ao ensino. Além disso, ajudou na construção do Colégio Carlos Gomes.

Também atuou na esfera política. Foi candidato a prefeito de Garibaldi em 1930 e eleito presidente da Liga de Defesa Nacional – órgão criado pelo governo federal durante a Segunda Guerra Mundial, no ano de 1941. Atuou ainda como vereador de Garibaldi, de 1947 a 1951; e concorreu a deputado estadual pelo partido Social Democrata.

Mas uma de suas paixões, além do champanhe, eram as atividades agropecuárias. Em documento do Arquivo Histórico Municipal de Garibaldi está escrito: “Amava a terra e as lides de campo. Em 1951, comprou um fazenda em São Gerônimo, com 4.250 hectares, começando, paralelamente à vinícola, a produção de carne, lã e arroz. Atendendo aos apelos do governo da época para que houvesse um aumento de produção no setor da alimentação, Armando resolveu dedicar-se ao plantio de arroz. Desta forma criou mais possibilidades de trabalho na região onde se localizava a sua fazenda”. Em outro documento, está relatado: “uma pessoa digna, com personalidade marcante, que além de ajudar as pessoas que o cercavam, ajudou a construir a história de Garibaldi”.

O empreendedor Armando faleceu em 6 de agosto de 1966, aos 67 anos, durante uma viagem de férias com sua família, na Itália. Seus familiares deram continuidade ao seu legado vitivinícola, herdado de seu pai e marcado pelo glamour de ter elaborado o primeiro champanhe do Brasil.

Fontes
Vinícola Peterlongo/ Arquivo Histórico Municipal de Garibaldi/ História de Garibaldi: 1870-1993, de Elvo Clemente e Maura Ungaretti.

domingo, 31 de janeiro de 2016

O VINHO DOS MORTOS - Morbidez ou Tradição?



Portugal sempre nos surpreendendo..... dessa vez a região de Boticas em  Trás-os-Montes, obusca certificação de um vinho que ficou conhecido como Vinho dos Mortos. Os vinhos da região já são reconhcedios desde 2001 como pela legislação como Vinho Regional Transmontano, porem uma adega local busca o reconhecimento de seu vinho e a certificação de Vinho dos Mortos por elaborar o vinho conforme tradição milenar oriumnda de 1808 época  em que as tropas francesas, comandadas pelo general Soult, invadiram pela segunda vez Portugal. Quando os franceses invadiram a região, o povo, com medo que estes lhes pilhassem  os seus outros bens, escondeu o que conseguiu, uma das melhores formas era enterrar o que conseguição, portanto o vinho foi enterrado no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, depois dos franceses terem sido expulsos, os habitantes recuperaram as suas casas e os bens que restaram. Ao desenterrarem o vinho, descobriram com surpresa que o mesmo estava muito mais saboroso, pois tinha adquirido propriedades novas. A bebida das garrafas estava com cor e sabor “bouquet” ainda melhor, um vinho com graduação de 10º/11º, que tinha, então, uma gaseificação natural em função da temperatura constante e da escuridão.  Por ter sido “enterrado” ficou a designar-se por “Vinho dos Mortos” e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor o conservar e otimizar a sua qualidade. Assim, nasceu uma tradição de “enterrar” o vinho pelo menos durante um ano, que se foi transmitindo de geração em geração.
As uvas encontradas em Vinho DOS Mortos são: Alvarelho, Bastardo, Malvasia Fina, Tinta Carvalha e Tinta Coimbra.  Alvarelho e Malvasia são uvas brancas, mas o vinho final é um tinto de corpo leve e alta acidez.
Geralmente, o vinho termina em um nível baixo de álcool por causa do clima do norte de Portugal e do medo do mau tempo na colheita.

Hoje, o Sr. Armindo Sousa Pereira, de Boticas, no distrito de Vila Real, é o único produtor registado oficialmente para comercializar o "Vinho dos Mortos" .O produtor  elabora cerca de 6.500 garrafas por safra que ficam enterradas por cerca de 01 ano e garante que são todas vendidas regionalmente.
Armindo Sousa Pereira não pensa, no momento, na exportação direta porque não tem quantidade suficiente para aumentar sua produção. Tudo o que produz consegue vender em Portugal e dessa forma visa "obrigar" os turistas a virem a Boticas descobrir seu vinho impar
Antenado nessa estranha tradição um produtor luso-brasileiro de São Roque-SP,  a Quinta do Olivardo, resolveu fazer o seu próprio Vinho dos Mortos. A principio junto aos parreiras da vinícola foram enterrados 06 lotes, com 60 garrafas cada. Agora, mensalmente, no terceiro sábado, é realizado o jantar alusivo ao vinho dos mortos, onde os visitantes e clientes da adega e restaurante são convidados a participar do cerimônia de desenterro das garrafas de vinho. Também é dada a oportunidade ao turista de vivenciar essa tradição, enterrando a sua própria garrafa, devidamente rotulada e identificada. Os vinhos ficam enterrados por 06 meses, e a cada novo enterro é desenterrado e consumido um lote de 06 meses atrás.
Os vinhos enterrados são produzidos na própria vinícola que tem uma produção artesanal, que gira em torno de 20 mil litros/ano, sendo integralmente comercializados na adega e servidos no restaurante.
Maiores informações da Quinta do Olivardo ligue (11) 4711-1100 .


MATERIA DE MINHA AUTORIA PUBLICADA NA REVISTA BEM MAIS



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

SEGREDOS DA CABERNET FRANC


Vamos falar de uma uva que gosto muito, a Cabernet Franc, que dá vinhos com grande complexidade e identidade única!
Devido a seu sabor frutatado com toques de especiarias, a Cabernet Franc é usada principalmente em cortes com outras uvas, para incluir sabor e textura ao vinho. O varietal produzido não possui cor profunda, sendo de corpo leve ou médio, bom frescor e textura macia.
O aroma é pronunciado com frutas negras, como framboesas e groselha, com toques de pimenta e vegetais. Vai bem com carnes vermelhas assadas na grelha e com vegetais.

Veja algumas curiosidades da uva cabernet Franc:

         A cabernet franc é uma das mais importantes e antigas variedades tintas de Bordeaux. Apesar de estudos recentes indicarem que a uva pode ser originária do País Basco, na Espanha.
         Na França, a cabernet franc é a sexta variedade mais plantada, com 37 mil hectares.
         Com grande área plantada em Bordeaux, a cabernet franc foi levada para o Loire pelo cardeal Richelieu, e hoje é a base dos vinhos Chinon e Bourgueil
         O Bordeaux mais famoso elaborado majoritariamente com cabernet franc é o Cheval Blanc que tem pelo menos 60% de cabernet franc em seu blend.
         A Itália também tem o seu terroir para a cabernet franc, onde a cepa é bastante plantada no Friuli, com cerca de 7 mil hectares. Mas, nesta região, há confusão entre a franc e a carmenère.
         No Cone Sul, o país com mais vinhedos de cabernet franc é o Chilecom 1.150 hectares seguido pela Argentina, com quase 650 hectares.
         É uma casta leve e macia, com aroma de frutas vermelhas e especiarias.
         A Cabernet Franc é uma casta mais aromatica e com taninos suaves, por isso muitas vezes é utilizada em cortes junto com a Cabernet Sauvignon.
         Em relação a Cabernet Sauvignon uma das vantagens é o fato da Franc amadurecer mais cedo ficando menos sujeita às variações climáticas no final da colheita. Por esta razão, é plantada também nas áreas mais frias de Bordeaux e também aqui na serra gaúcha possui uma boa adaptação.
         A Cabernet Franc, também conhecida por: Bouchet (St-Émilion), Breton (Loire) e Mencía (Galícia).
Algumas sugestões de vinhos para provar e se deliciar:
         Churchill Cabernet Franc (Vinícola Valmarino): Um vinho suculento, intenso em cores e sabores. Madeira e fruta perfeitamente integrados.
         Granja União Cabernet Franc (Vinícola Garibaldi): Um vinho simples e honesto. Para dia-a-dia.
         Don Giovanni Cabernet Franc (Vinícola Don Giovanni): Um vinho macio e aromático que representa bem o terroir brasileiro para casta.
         Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc (Vinícola Aurora): Um vinho surpreendente, com aromas e sabores intensos. Um vinho complexo tanto em sabores como em aromas.
         Salton Intenso Cabernet Franc/Malbec (Vinícola Salton): Um corte inusitado e que surpreende na cor e no olfato. Vinho muito bem feito com belíssima apresentação.



domingo, 30 de agosto de 2015

ANIDRIDO SULFUROSO

Retirado do Blog do Jeriel. Texto de autoria de André Logaldi.
Tenho certeza de que é do conhecimento geral dos amigos enófilos que o uso do anidrido sulfuroso, o SO2, é justificado sobretudo pela suas duas principais ações: antioxidante e antisséptica. Todavia, ele tem sido estigmatizado por seu reconhecido potencial tóxico e causador de desconfortos como dores de cabeça e de estômago em pessoas sensíveis, principalmente os chamados atópicos como os alérgicos e asmáticos.
O SO2 só tem ação tóxica quando se encontra na forma “livre” e a sua quantidade total é a soma de sua forma livre com a sua forma combinada (ou molecular), ou seja, aquela que por afinidade química se liga a outras substâncias como no caso do vinho, os açúcares, aldeídos, cetonas e o oxigênio.
O suco de uvas se constitui um meio instável quimicamente que tende espontaneamente a se transformar sucessivamente em um produto mais estável. Assim ocorre a fermentação alcoólica que transforma os instáveis açúcares em etanol mais estável e finalmente ocorre a fermentação acética que transforma o etanol em ácido acético, último ponto de equilíbrio químico. O vinho é uma etapa intermediária e para ser preservado assim, deve ser estabilizado por adição de uma substância que impeça o curso natural de sua degradação e o SO2 é o mais versátil destes aditivos.

Ação antioxidante: uma de suas ações fundamentais uma vez que o mosto de uvas tem um enorme potencial de oxidação. Para que se tenha uma idéia, um mosto é de 10 a 40 vezes mais “oxidável” do que o seu vinho correspondente e isso se deve às atividades enzimáticas que ocorrem quando da primeira prensagem das uvas que liberam a tirosinase, uma enzima que hidrolisa os polifenóis. Lembremos que estas variações podem ser explicadas pelo fato de o mosto ser um meio inicialmente ácido e aquoso, sendo que ao longo da fermentação ele vai se tornando diferente por se transformar em um meio hidroalcoólico que vai lhe garantir uma maior estabilidade. O SO2 age removendo e indisponibilizando o oxigênio do meio e inibindo as enzimas do tipo oxidases, que catalisam as reações de oxidação.

Ação antisséptica: o anidrido sulfuroso mata bactérias lácticas, permitindo o pleno controle sobre o início da fermentação malolática (é muito importante que o enólogo não deixe esta fermentação se desencadear espontaneamente) e elimina o acetobacter, germe que necessita do oxigênio para sobreviver (aeróbico) e responsável pela reação de formação do vinagre, último estágio de tentativa de estabilização “natural” como explicado acima. As leveduras são menos sensíveis ao SO2, porém ele é capaz de inibir ou alentecer o metabolismo das leveduras selvagens em favor das selecionadas pelo enólogo.

Opção biodinâmica: nas degustações habituais o SO2 tem sido vilanizado, mas devemos lembrar que as doses preconizadas estão de acordo com as orientações da OMS e que mesmo na opção de vinhos de cultura biodinâmica, seu uso não é proscrito, pelo contrário, é admitido mas sempre obedecendo a filosofia destes produtores que pregam “a ausência total de SO2 livre no momento do consumo”. Como já vimos, o SO2 para ser inofensivo deve se combinar com outras moléculas e a biodinâmica preconiza doses que favoreçam a máxima combinação do anidrido sulfuroso para que não sobre nada ao se abrir a garrafa.
Por isso as doses são em torno de 7,5 gramas por hectolitro (g/Hl) de mosto. Para que se tenha uma idéia de proporção, as doses admitidas pela União Européia e o Brasil são de respectivamente 30 e 35g/Hl.
Mas o SO2 não tem somente estas propriedades, ele é muito importante por ser um potencial facilitador da extração de compostos fenólicos dos vinhos, momento fundamental na elaboração de vinhos tintos.

Princípios de extração fenólica: a maior parte da alma dos grandes vinhos tintos estão na sua concentração de cor e taninos, ou seja, nos compostos fenólicos que são substâncias químicas que contém um ou diversos núcleos benzênicos (aromáticos) com pelo menos um grupo hidroxila livre ou associado a outras funções, como os éteres, ésteres e heterosídeos.
Somente os vegetais e os microorganismos são capazes de sintetizar núcleos aromáticos e estes vão conferir ao vinho tinto sua cor, sabor, textura e potencial de longevidade na forma de taninos e antocianos.
Os fenóis das uvas estão compartimentados, ou seja, não estão livres dispersos no suco, mas dentro de vacúolos no interior da polpa e também nas paredes das cascas e das grainhas. Para otimizar a sua extração são necessárias algumas condições como um pH adequadamente ácido, não mais do 3,7, a presença de um solvente que é o próprio etanol que se forma durante a fermentação e finalmente de uma substância capaz de atuar desestabilizando a integridade das membranas celulares e é aqui que entra o anidrido sulfuroso pois ele age de modo eficaz provocando uma alteração da continuidade da membrana e facilita o escoamento dos conteúdos vacuolares, atuando de certa forma como um solvente também.
Não é possível extrair a totalidade dos compostos fenólicos das uvas sendo que parte deles fica retido nos bagaços e são de difícil extração, todavia na indústria de utilização de sub-produtos dos vinhos os bagaços podem ter ainda algum potencial de extração de taninos e de antocianos através do que se conhece por “maceração sulfítica”.
Fazer vinhos sem a adição de anidrido sulfuroso é possível, mas exige muita precaução, em vista do imenso potencial oxidativo do mosto. Entretanto podemos comprovar que o uso racional desta substância pode trazer excelentes resultados nos nossos vinhos.
Concluindo, a não utilização do SO2 pode terminar por exigir o uso de técnicas “piores”, tais como a utilização de ácido ascórbico, sorbato de potássio, filtração estéril e pasteurização, todos eles podendo causar alterações de sabor ou algum grau de toxicidade.
É impossível conceber um vinho sem nenhum traço de SO2 porque as próprias leveduras produzem esta substância como parte de seu metabolismo. Este SO2 das leveduras é chamado de “SO2 endógeno”. Por isso certos vinhos de certificação orgânica indicam no rótulo a frase “não foram adicionados sulfitos” juntamente a outra dizendo “sulfitos ocorrem naturalmente” (que é o sulfito endógeno).
Como última curiosidade: a elaboração do vinho libera o Acetaldeído, que sem a presença do SO2, geraria um imponente odor de cidra.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

13ª Seleção dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi

Eu estava decidida que não iria faltar em nenhuma edição desse concurso, mas, dado ao aumento abusivo, extorsivo e absurdo que foi dado nos ingressos eu me neguei a comparecer! Mas mesmo assim mantenho-me firme a intenção de espalhar a informação, portanto, segue abaixo o resultado da 13ª Edição dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi!
A surpresa para mim foi a premiação concedida a Cave Darci Locatelli, cujo Ancelotta eu fico aqui devendo minhas impressões degustação!


Foram distribuídas 38 medalhas de Ouro, 6 de Prata e 14 Menções Honrosas




Cave Darci Locatelli recebeu 01 medalha de ouro pelo seu Ancellota

Sr. Luiz Sella da Vinícola Peterlongo recebeu 05 medalhas e 01 menção honrosa!
Lourena Pedrucci recebe 01 medalha de ouro pelo Espumante Casa Pedrucci Reserva.
Em evento realizado na noite desta sexta-feira, 21/08, foi divulgado o resultado da 13ª edição da Seleção dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi. O evento contou com uma série de autoridades políticas e também de entidades do setor, como Ibravin e Embrapa Uva e Vinho.
A avaliação contou com várias etapas. Num primeiro momento foi feita a coleta das amostras nas próprias vinícolas, e de 13 a 18 de julho, estas 127 amostras, divididas em 16 categorias, foram avaliadas por um grupo formado por dezenas de enólogos e profissionais do setor. Ao todo, 17 empresas participaram com a cedência de produtos, e 16 receberam premiações, sendo medalhas de ouro e prata e menções honrosas. As menções vão para vinícolas cujos produtos atingiram pontuação de ouro, mas que por força do regulamento baseado na Organização Internacional do Vinho (que define que apenas 30% das amostras inscritas sejam premiadas), acabam não recebendo medalhas.
Foram distribuídas 38 medalhas de Ouro, 6 de Prata e 14 Menções Honrosas. Confira abaixo a relação das vinícolas premiadas com seus respectivos produtos:


ADEGA CHESINI
Ouro (5)
  • -Vinho Branco de Mesa Lorena 2015
  • -Vinho tinto Fino Merlot 2015
  • -Vinho tinto fino Gran Vin 2011
  • -Espumante Moscatel
  • -Suco de Uva Integral

Menção Honrosa (1)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015


CASA PEDRUCCI
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Casa Pedrucci Reserva Champenoise


CAVE DARCI LOCATELLI
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho tinto fino Ancellotta 2014


COOPERATIVA VINÍCOLA GARIBALDI
Medalha de Ouro (6)
  • -Vinho Branco Fino Chalet Du Clermont Chardonnay
  • -Vinho Tinto Fino Tannat 2015
  • -Vinho Tinto Fino Tannat Granja União 2014
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon Granja União 2014
  • -Espumante Garibaldi Moscatel Rosé
  • -Suco de Uva da Casa Tinto Orgânico

Medalha de Prata (2)
  • -Vinho Branco Fino Chardonnay 2015
  • -Vinho Tinto Fino Chalet Du Clermont Merlot
  • Menção Honrosa (2)
  • -Suco de Uva Garibaldi Branco Integral
  • -Espumante Garibaldi Brut Chardonnay


DOMNO DO BRASIL
Medalha de Ouro (2)
  • -Espumante Ponto Nero Brut Rose
  • -Espumante Ponto Nero Brut

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Ponto Nero Moscatel


ESTABELECIMENTO VINÍCOLA ARMANDO PETERLONGO
Medalha de Ouro (5)
  • -Vinho tinto fino Merlot 2015
  • -Elegance Peterlongo Champagne Brut Nature
  • -Presence Peterlongo Champagne Brut Champenoise
  • -Privillege Peterlongo Espumante Brut Rose
  • -Presence Peterlongo Espumante Moscatel Rose

Menção Honrosa (1)
  • -Presence Peterlongo Champagne Extra Brut


INDÚSTRIA DE VINHOS MÂNICA
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015

Menção Honrosa (1)
  • -Suco de Uva


INDÚSTRIA VINÍCOLA AGOSTINI
Medalha de Ouro (4)
  • -Vinho Rosado de Mesa 2015
  • -Vinho Branco Fino Riesling
  • -Espumante Brut Champenoise
  • -Espumante Branco Moscatel

Menção Honrosa (2)
  • -Vinho Tinto Mesa Bordô 2015
  • -Suco Integral


INDÚSTRIA VINÍCOLA LA CANTINA
Medalha de Ouro (2)
  • -Vinho Branco Fino Riesling
  • -Vinho tinto fino Cabernet Sauvignon


INDÚSTRIA VINÍCOLA SÃO LUIZ
Medalha de Ouro (4)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015
  • -Vinho Branco Fino Moscato 2015
  • -Suco de Uva Integral
  • -Espumante Dom Naneto Extra Brut

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Dom Naneto Moscatel Rose


VINÍCOLA BATTISTELLO
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho Tinto Fino Tannat

Medalha de Prata (1)
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon 2015

Menção Honrosa (1)
  • -Suco de Uva Integral


VINÍCOLA CARLESSO
Menção Honrosa (1)
  • -Vinho Branco de Mesa Niagara 2015


VINÍCOLA COURMAYEUR DO BRASIL
Medalha de Ouro (2)
  • -Espumante Moscatel
  • -Espumante Brut Charmat

Medalha de Prata (2)
  • -Espumante Demi-sec
  • -Espumante Prosecco

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Brut Rose


VINÍCOLA PERINI
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Perini Champenoise

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Casa Perini Aquarela Moscatel Rose


VINÍCOLA VACCARO
Medalha de Ouro (2)
  • -Vinho tinto Fino Merlot 2015

-Suco de Uva
Medalha de Prata (1)
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon 2013

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Branco Moscatel

VITIVINÍCOLA SANTA BÁRBARA
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Branco Moscatel



domingo, 23 de agosto de 2015

12ª CONFRARIA DO ESPUMANTE - Milantino

No dia 26 de junho tivemos a nossa 12ª Edição da Confraria do Espumante de Garibaldi., dessa vez sendo recebidos com todo o carinho na Vinícola Milantino, propriedade do Sr. Luis Milani.


Milani nos recebeu apresentando o novo belíssimo espaço criado especialmente para eventos e degustações dirigidas. Na ampla sala dominada por uma enorme lareira, a sensação de aconchego paz era impar.
A vinda da Família Milani ao Brasil, deu-se no final do século XIX, onde estes imigrantes instalaram-se no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Além de muita coragem, força e trabalho, trouxeram na bagagem as primeiras mudas de videiras, para, no solo Brasileiro, plantarem e aqui produzirem o vinho para consumo próprio.


A produção de uvas, sempre foi a principal atividade, sendo a produção vendida para uma cooperativa.
Em 1989, nasce a pequena adega familiar, Milantino Vinhos Finos Ltda, com a filosofia de elaborar vinhos de alta qualidade com produções limitadas.Os vinhos Milantino, são elaborados com uvas cultivadas em vinhedos próprios, e que seguem um criterioso cuidado, desde o cultivo das videiras, até a seleção das uvas durante a colheita. é realizado um monitoramento constante nos vinhedos, de forma a controlar e reduzir significativamente a produção de uva por planta, visando obter uma matéria-prima com excelente índice de maturação, um alto teor de açúcares e maior concentração de polifenóis, fator essencial para elaboração de bons vinhos com uma complexidade ainda maior. São realizados testes em laboratório de pequenas amostras das uvas antes da colheita, para ver o índice de maturação dos polifenóis e dos taninos, para decidir com maior precisão o momento exato de vindimar.
A área plantada é de 7 hectáres, sendo cultivadas as seguintes variedades: Cabernet sauvignon, Merlot, Malvasia de Cândia, Ancellotta, Tannat, e Teroldego.
O foco da vinícola é a elaboração de vinhos de guarda, que eu já tive a oportunidade de degustar e são realmente muito interessantes. Na confraria provamosos a linha de espumantes, todos pelo método champenoisse. que também carregam consigo a mesma excelencia voltada a elaboração dos vinhos tintos.

Foram provados um Brut, um Rosê e um Extra Brut.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

11ª CONFRARIA DO ESPUMANTE DE GARIBALDI - Casa Pedrucci

Em 29 de maio conhecemos uma das mais poéticas, longínquas e escondida das Vinícolas de Garibaldi Tá nem é tão longe, mas é escondida pacas, tanto que fomos todos em comboio para ninguém se perder!
A aventura para chegar lá valeu a pena, conhecer Gilberto Pedrucci é uma honra! Simpático, inteligente e apaixonado pela vida Gilberto é daquelas pessoas que a gente quer ter sempre por perto, par perfeito com  a esposa Lourena que esbanja sorriso e simpatia e nos recebeu com todo o carinho do mundo!
A vinícola de Pedrucci é um belíssimo pavilhão de basalto com mais de 100 anos e totalmente restaurado. 

Gilberto Pedrucci é sem dúvida um dos mais respeitados, renomados e influentes enólogos do Brasil, Eleito em 2005 como enólogo do ano, Vice Presidente da CPEG - Consórcio de Produtores de Espumante de Garibaldi, enólogo por 23 anos da centenária Vinícola Peterlongo e durante um bom tempo também ficou ao lado de Mario Geisse na Cave de Amadeu, Pedrucci já foi presidente da Sindivinho, da ABE e foi o único brasileiro a receber "Medalha de Ordem ao Mérito Agrícola" e o título de "Chevalier" do Ministério de Agricultura Frances, no ano 2000.
Pedrucci faz questão de elaborar todos os seus espumantes pelo método champenoisse, ele resume a qualidade da bebida em 04 fases. A matéria prima, o assemblage, a maturação e o degorgement. Nada mais natural que 03 de seus espumantes estejam destacados no renomado Guia Descorchados, além de diversas e importantes premiações que seus produtos colecionam ano a ano. Gilberto Pedrucci defende e prova que Garibaldi tem o terroir perfeito para elaboração de espumantes top de linha!












Para a confraria ele nos reservou 3 de seus melhores espumantes: O casa Pedrucci Brut Tradicional com 18 meses de autólise; Casa Pedrucci Brut Reserva, com 30 meses de autólise e o Casa Pedrucci Millesime, safra 2010, feito somente em anos muito especiais.
Para terminar nova rodada de espumantes  no mezanino dessa vez acompanhada pelas delicias preparadas pela esposa Lourena! Foi sem dúvida uma noite inesquecível!