Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

domingo, 28 de julho de 2013

AVALIAÇÃO NACIONAL DE VINHOS



Tive a honra de ser degustadora na XVIII Avaliação Nacional de Vinhos, foi uma experiência maravilhosa, enriquecedora e que eu gostaria de poder repetir todos os anos, infelizmente os custos acabam se tornando altos para eu poder participar todos os anos, mesmo assim a vontade de ir anualmente é imensa!
Nesse post, repasso para vocês amigos do vinho, um texto do querido Christian Bernardi, talentoso enólogo que fala um pouco sobre esse maravilhoso evento!

TEXTO RETIRADO DO SITE DA ABE


"A vitivinicultura brasileira tem passado por uma grande renovação de conceitos e revolução de estilos de vinhos nos últimos anos. Este processo de reestruturação dos vinhos do Brasil ocorre de forma igual ao que vem acontecendo em todo o mundo. Ao admitir que os vinhos sofreram mudanças, compreendemos que os consumidores modificaram seus conceitos e sua visão sobre a qualidade e virtudes que um vinho deve ter.
 
Mas como tudo na vida moderna, esta rápida evolução só foi possível graças a uma comunicação eficiente. Além da elaboração de bons vinhos, aprendemos a conceituar e disponibilizar ao consumidor essas avaliações.
 
A Avaliação Nacional de Vinhos (ANV), idealizada e promovida pela Associação Brasileira de Enologia – ABE, é um capítulo particularmente importante na história recente da vitivinicultura brasileira. Criada em 1993, mantém até hoje seu objetivo original: avaliar e destacar os vinhos mais representativos e expressivos da última safra. Desta forma, a ABE sente-se um tanto responsável por fomentar e divulgar a crescente qualidade do vinho brasileiro.
 
Algumas particularidades distinguem a Avaliação Nacional de Vinhos dos inúmeros concursos que ocorrem pelo mundo. Sem desmerecer qualquer um deles, o trabalho desenvolvido por todos associados da ABE, faz da ANV um motivo de comentários positivos em todo o mundo vitivinícola.
 
Finalizada a colheita da uva, estando o vinho pronto ou em período de envelhecimento, as vinícolas inscrevem seus melhores vinhos para serem avaliados. A coleta dos vinhos é efetuada diretamente na vinícola, retirando do tanque, da barrica ou do estoque engarrafado, uma amostra, indiscutivelmente, representativa e idônea em relação aquele lote. Num trabalho em parceira com a Embrapa Uva e Vinho, estas amostras são identificadas e durante três semanas são degustadas por enólogos a fim de extrair de um total de mais de 300 amostras os 16 vinhos que irão representar a vitivinicultura brasileira em um evento para mais de 700 pessoas.
 
Esse trabalho preliminar de seleção de amostras é a base de tudo. Porém, é no dia da apresentação ao público que o vinho é colocado em destaque. Sempre realizada no final do mês de setembro na cidade de Bento Gonçalves, a Avaliação Nacional de Vinhos propõe uma degustação para 700 pessoas com toda estrutura de uma análise sensorial profissional. Além de fazer sua própria descrição do produto, o participante ouve os comentários de cada amostra feitos por um ilustre dos vinhos.
 
Ao longo dessas 15 edições, que este ano chega a 16ª, algumas inovações foram feitas. Aumento do número de amostras, inclusão de novas categorias, renovação de comentaristas e do público e o crescimento do número de empresas e da representatividade no Brasil. Tudo para manter a mesma filosofia de trabalho de 16 anos atrás, que prima pela qualidade do vinho brasileiro e seriedade com o consumidor, condição que se mantém até hoje.
 
Também pensando na divulgação dos nossos vinhos, a ABE apostou na realização simultânea, através de tele-conferência, de seu maior evento: a Avaliação Nacional de Vinhos. Pelo terceiro ano consecutivo a entidade estará realizando o evento em duas cidades ao mesmo tempo. Num sincronismo perfeito a degustação de um mesmo vinho ocorre exatamente no mesmo momento e os comentários alternadamente ilustram o vinho para ambos públicos. Dessa forma, a ANV foi a São Paulo (Safra 2006), ao Rio de Janeiro (Safra 2007) e neste ano irá para Curitiba, levando a imagem do vinho e dos vitivinicultores para todo o Brasil.
 
Por essas características a Avaliação Nacional de Vinhos consolidou-se como um dos principais eventos do setor vitivícola brasileiro, incentivando as vinícolas a produzirem vinhos cada vez melhores, atraindo os consumidores para a degustação e despertando no público geral a curiosidade à nobre arte de apreciar vinhos."
 
Avaliação em números:
Evento
Local
Amostras
Vinícolas
Participantes
I ANV – Safra 1993Bento Gonçalves
42
18
 160
II ANV – Safra 1994Garibaldi
74
23
 250
III ANV – Safra 1995Caxias de Sul
92
22
 300
IV ANV – Safra 1996Bento Gonçalves
98
24
 400
V ANV – Safra 1997Bento Gonçalves
132
27
 438
VI ANV – Safra 1998Bento Gonçalves
104
26
 488
VII ANV – Safra 1999Bento Gonçalves
152
35
 493
VIII ANV – Safra 2000Bento Gonçalves
175
39
 550
IX ANV – Safra 2001Bento Gonçalves
209
44
 570
X ANV – Safra 2002Bento Gonçalves
282
58
 593
XI ANV – Safra 2003Bento Gonçalves
292
63
 642
XII ANV – Safra 2004Bento Gonçalves
335
75
 648
XIII ANV – Safra 2005Bento Gonçalves
368
84
 685
XIV ANV – Safra 2006Bento Gonçalves/São Paulo
252
63
 900
XV ANV – Safra 2007Bento Gonçalves/Rio de Janeiro
260
61
 900
XVI ANV – Safra 2008Bento Gonçalves/Curitiba
318
62
800
 
Sr. Christian BernardiEnólogo
Vice-Presidente da ABE

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma certa uva chamada BOBAL......

Com a chegada de uma grande linha de vinhos espanhóis na Vieira Vinhos, tive minha curiosidade aguçada por uma uva desconhecida, uma casta chamada Bobal presente na maioria dos vinhos que recebemos da D,O.P. Riberal del Júcar.
Então, curiosa como sou fui pesquisar a novidade e trazer mais informação para vocês sobre essa nobre desconhecida (até então). Me deparei com um texto interessante na Wikipédia espanhola e me coloquei a traduzir e trago para vocês:

Bobal é ima variedade de uva tinra. é uma cepa rústica, resistente as variações climáticas e a pragas e muito produtiva. Seu grão é médio, redondo e cheio de sumo. Também conhecida como requena, espagnol, benicarlo, provechón, valenciana, carignan d'espagne, balau, balauro, tinto de requena, coreana, tonto de zurra, requenera, requeno, valenciana tinta, bobos, rajeno, bobale di Sapagna etc.
Com essa casta se elaboram excelentes rosados na zona de Utiel-Requena e cada vez melhores tintos, inclusive vinhos de guarda.
É uma variedade autóctone de Valencia, como denota seu nome original valenciano, Boval (de buey, provavelmente por sem grande tamanho). Desde sua na costa, de onde se tem notícias desde o século XIV, foi subindo até se estabelecer em comarcas interiores como a D.O. Utiel-requena, onde por sua onipresença passou a ser apontada como autóctone. Se planta também em Ribera del Júcar, onde seu plantio se tornou quase que majoritário.
É uma variedade mediterrânea resistente a secas e a praga oídio, mas é muito frágil a míldio. Muito produtiva devido ao tamanho de seus cachos que são muito grandes, compactos e pesados, tendo peso médio de cerca de 850 gr. O tamanho de seu grão é médio-grande, cerca de 3 a 5 vezes maior que um Cabernet.  as videiras tem porte rasteiro e folhas de bom tamanho que são duras e grossas, assim como os bagos da uva, que tem grande quantidade de tanino e antocianos. 
A casta se utiliza para fazer vinhos rosados, tintos jovens com boa acidez e aromas frutados, Mas seu grande potencial esta nos vinhos de guarda, devido ao seu corpo e estrutura, ainda que necessite de preparo do vinhedo cuidando da produtividade, garantindo a maturação da uva, dando assim condições de elaborar vinhos com boa acidez e taninos finos e aveludados.
O vinho elaborado com esta casta te coloração cereja, aroma de frutas vermelhas e boa acidez.
A casta  é a segunda uva mais plantada na Espanha.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

VINHO, UMA EXCELENTE COMPANHIA

Hoje tirei o dia para escrever para uma publicação na qual sou colaboradora bimestral, a BEM MAIS OSASCO. Fiquei em casa quietinha, abri um bom vinho,( branco porque o calor está dos infernos) e me coloquei a escrever para o que será uma edição espacial pois será a revista de fechamento do ano. escrevi sobre enogastronomia dos pratos de final de ano. penso que será uma matéria bem interessante pois surgem muitos dúvidas a respeito desse assunto nessa época.
Mas todo esse aparato para escrever uma matéria me fez lembrar o quanto o vinho sempre me foi um excelente companheiro....um companheiro silencioso e que ao mesmo tempo abre as portas do pensamento e da criatividade.....
O vinho sempre esteve presente em todos os momentos bons de minha vida. Escrever sobre vinhos tomando vinhos é algo inenarrável!  Que o universo sempre me conceda a boa sorte te ter um bom vinho na mesa, boas ideias na cabeça e um computador que funcione....

O vinho que me acompanhou hoje foi o ARTERO MACABEO:

Artero Macabeo 2010

vaViura (Macabeo)
ProdutorBodegas Muñoz - Artero
PaísEspanha
RegiõesLa Mancha
Safra2010
RegiãoLa Mancha
Composição de Castas100% Macabeo
AmadurecimentoEngarrafamento precoce.
Estimativa de Guarda2 anos
Temperatura de Serviço8-10°C
Características ClimáticasO clima é continental extremo, com temperaturas que oscilam entre os 40/45°C no verão e -10/12°C no inverno. A pluviosidade é baixíssima, com média anual de 375mm. O terreno é plano e os vinhedos situam-se a 700m de altitude.
Características do SoloSolos com composição argilo-calcária.
ElaboraçãoIdade do vinhedo de 15 anos, condução em espaldeira. Colheita em meados de setembro. As uvas são ligeiramente prensadas, obtendo-se o mosto flor. Ele é então decantado estaticamente durante 48 horas. A fermentação do mosto ocorre em tanques de aço inoxidável a 15°C.
Características OrganolépticasAmarelo-palha claro com reflexos verdeais. Aromas intensos e puros de frutas (damasco e pêra) e flores. Boca ampla e fresca, levemente herbácea, com agradável e equilibrada maciez.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

OSMOSE REVERSA

Por Marcelo Copello

Em um bate papo com Jancis Robinson quando de sua visita ao Brasil alguns anos atrás, perguntei a ela sobre o quanto de intervenção da tecnologia é aceitável no vinho. A mulher mais importante do mundo do vinho respondeu que o limite do aceitável é muito pessoal, mas que certamente a cada dia mais e mais os vinhos são manipulados e tendem a se parecer, especialmente nos rótulos de baixo custo.
Uma destas tecnologias mais modernas é a “osmose reversa”. O que é esta tecnologia e como ela funciona? O que devemos saber ou temer e como saber?
Bons vinhos se fazem com boas uvas. Mas o que significa “boa uva”? Uvas equilibradas em seus componentes, como açúcar, acidez, cor, aroma, taninos. Para tal é necessária uma maturação adequada, o que depende do clima, já que cada componente mencionado tem seu processo de amadurecimento ao longo da safra: Em climas quentes existe uma tendência que o ponto ideal de concentração de açúcar e acidez ocorre antes da maturação ideal de taninos, por exemplo. Daí para se ter um vinho com taninos maduros, quase sempre teremos vinhos com baixa acidez e muito álcool; Em climas frios é quase o oposto, para que a acidez e os açúcares atinjam o ideal é necessário esperar mais, sob o risco de expor as uvas às chuvas de outono, que diluiriam o vinho.
Hoje existe uma tecnologia chamada “osmose reversa” que torna possível remover álcool do vinho pronto ou concentrar o mosto* antes da vinificação. Lembrando de nossas aulas na escola primaria: “osmose” é o fluxo do solvente de uma solução pouco concentrada, em direção a outra mais concentrada, através de uma membrana semipermeável. No caso do mosto o solvente é a água e no caso do vinho pronto além da água há o álcool. Submeter o mosto ou vinho a uma osmose normal seria diluí-lo, mas se esta osmose for ao contrário…
A “osmose-reversa” é possível com o uso de uma máquina chamada Vinovation, criada no final dos anos 1980 na Califórnia, por Clark Smith, um engenheiro apelidado de “Dr. Frankenwine” e belzebu em pessoa para os adeptos dos vinhos naturais. Outra brincadeira que ilustra o sentimento de alguns em relação a esta tecnologia é alcunhar a osmose reversa de osmose “perversa”.

Vinovation, a máquina que realiza a osmose reversa.
A máquina do Dr. Frankenwine aumenta a pressão na solução mais concentrada reverte o fluxo e tira água do mosto ou vinho, em um processo semelhante a espremer o mosto, para retirar a água por um filtro. Esta mesma geringonça serve para tirar álcool do vinho pronto, em um processo mais radical. Neste caso separa-se álcool que vem junto com a água. Em uma etapa seguinte a solução de água e álcool passa uma destilação que separa a água do álcool recoloca-a no vinho.
Clark Smith já contou em várias entrevistas que sua criação está em centenas de vinícolas em vários países, mas jamais revela o nome de seus clientes. Ele também garante que na Califórnia cerca de 45% dos vinhos “premium” sofrem algum tipo de redução de álcool. Antes que você pergunte: nunca provei (ao menos conscientemente) vinhos processados desta maneira, já que ninguém divulga o uso da “perversa”, mas há relatos de degustações comparativas e os resultados são surpreendentes. Ao que parece esta tecnologia é uma arma poderosa e como toda arma pode ser usada para o “bem” ou para o “mal”.
Os que são a favor desta tecnologia argumentam que ela se assemelha a outros artifícios muito aceitos, como a “chaptalização” (adição de açúcar ao mosto para aumentar o teor alcoólico dos vinhos em safras diluídas) ou a “sangria”, processo que filtra uma parte do mosto sem as cascas das uvas** separando-o de outra parte que concentra mais cascas – geralmente obtendo de um lado um vinho rosé e de outro um tinto com maior concentração de cor e corpo.
Alguns pontos são claros: a osmose reversa realmente funciona ao conseguir concentrar vinhos ou diminuir-lhes o teor de álcool e não causa nenhum mal a saúde de quem consumir tais vinhos. O que se debate hoje em todo o mundo não é a eficiência do processo, que já é uma realidade, mas o fato de ser ou não honesto fazê-lo, já que raramente se sabe qual vinho foi submetido a esta intervenção. Osmose-reversa é uma “Mão na roda” ou um trapaça? Como disse a sábia Jancis: quem decide é você.
*suco de uvas, com cascas etc antes ou durante a fermentação.
** a cor e corpo dos vinhos tinto vêm principalmente das cascas das uvas

terça-feira, 11 de setembro de 2012

VINHO EMAGRECE!!!

Uma boa noticia para os amantes do vinho. Vinho emagrece!
Uma pesquisa realizada pela Universidade Navarra na Espanha, comprovou que tomar uma taça de vinho todos os dias pode ajudar a controlar o peso ou até mesmo emagrecer.

Bebidas alcoólicas não eram recomendada para quem estava de dieta, mas com esse estudo tudo mudou. Essa pesquisa comprovou que vinho emagrece desde que seja tomado diariamente sem exageros é claro. Comparando com estudos antigos eles concluirão que pessoas que bebem bebida alcoólicas exageradamente engordava, mas aqueles que babeiam moderadamente emagreceram.

Os pesquisadores da Universidade também disseram que o baixo consumo de álcool, principalmente o vinho, ajuda a emagrecer ao invés de engordar.

Estudo comprova que tomar vinho emagrece
Os pesquisadores também concluíram que o tipo de bebida alcoólica pode influenciar os efeitos que o álcool pode causar no organismo. Isso quer dizer que outros tipos de bebidas não podem dar os mesmos resultados que o vinho.

Algumas pesquisas também relataram que pessoas que bebem socialmente tem menos riscos de desenvolver diabetes. As calorias contidas no álcool são absorvidas pelo o organismo e são eliminadas rapidamente.

O Fórum Científico Internacional de Pesquisa em Álcool concordou com quase todas descobertas feitas pelo o estudo. Agora que percebeu que o vinho emagrece você pode incluir ele na sua dieta, o vinho não apenas emagrece mais também pode proporcionar vários benefícios a saúde como proteger o coração até mesmo prevenir o câncer.

sábado, 14 de julho de 2012

MANIFESTO CONTRA A SALVAGUARDA DE VINHOS

Reproduzo aqui o manifesto de Ciro Lilla, proprietário da importadora Mistral, sobre as salvaguardas. Excelente!

 No dia 28 de Junho aconteceu em Brasilia a audiência pública sobre o processo de salvaguardas contra o vinho importado, aberto a pedido dos grandes produtores gaúchos. Após escutar as apresentações dos advogados das partes envolvidas no processo, chega-se facilmente à conclusão de que essa medida não pode prosperar.
O processo apresentado pelos produtores gaúchos é repleto de erros, afirmações e dados equivocados — e, principalmente, não atende em absoluto os requisitos mínimos exigidos pelos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a adoção de salvaguardas. Dessa forma, a adoção das salvaguardas representaria uma violência jurídica que prejudicaria os consumidores, comprometeria o País e seria fatalmente derrubada na OMC. Como já dissemos antes, a adoção das salvaguardas seria uma desgraça para o vinho no Brasil, inclusive para o vinho brasileiro, já que o consumidor não perdoaria os responsáveis por essa medida desastrada.
Mas o que virá depois, se as salvaguardas não forem adotadas — como acreditamos que não serão, por absoluta falta de bases sólidas para sua adoção?
Gostaria de fazer um apelo aos produtores gaúchos e suas lideranças no sentido de evitar a tentativa de criar de novas barreiras para o vinho importado. Na realidade, o vinho importado é o maior aliado do vinho nacional na luta contra o baixo consumo de vinhos no nosso país — este sim o grande problema a ser enfrentado. A ABBA e a ABRABE — associações que representam os importadores — e a ABRAS — que representa os supermercados, o grande canal de distribuição dos vinhos nacionais — apresentaram uma proposta que prevê a criação de um grupo composto por representantes dos segmentos envolvidos na produção, importação e distribuição do vinho no Brasil, com o objetivo de unir esforços para aumentar o consumo dos atuais 1.9 litros por habitante por ano para pelo menos 2.5 l/h/a no período de três anos. Esse aumento resolveria os problemas de que se queixam os produtores gaúchos neste momento.
Propõe-se também a eliminação do entulho burocrático representado por medidas como a selagem para vinhos finos, as análises desnecessárias dos vinhos que chegam ao Brasil e outras burocracias que encarecem o vinho brasileiro. Em lugar destes procedimentos inúteis, seria criado um fundo para incentivo ao consumo de vinhos, gerido por esses representantes. Propõe-se enfim um jogo de "ganha-ganha", em substituição ao atual jogo de "perde-perde", em que tudo o que se objetiva é perder menos do que o vizinho.
Os produtores nacionais se manifestaram publicamente nos últimos meses contra o aumento de impostos para os vinhos importados, já tão fortemente taxados. Não temos porque não acreditar na sinceridade dessas declarações. Seria péssimo se, ao serem negadas as salvaguardas, houvesse em seguida um aumento do imposto de importação. Da mesma forma, seria muito ruim para o mundo do vinho se tivéssemos novas barreiras burocráticas — entraves que, como já explicamos tantas vezes, só afetam a importação dos vinhos de pequena produção e alto valor. Esses vinhos especiais, além de não competirem com o vinho nacional, são os que mais promovem o consumo do "produto vinho". É a oferta e a variedade que permitem ao consumidor escolher seu vinho, degustar e se apaixonar por esse produto nobre e saudável. O consumidor brasileiro não aceita mais dessas medidas que só encarecem ainda mais o vinho em nosso país.
É muito evidente que, em seu estágio atual, o que o mercado brasileiro de vinhos precisa é de um grande aumento do consumo, que é muito pequeno, e não de mais restrições.
Fica aqui portanto uma apelo pela adoção de uma agenda positiva, que lute pelo aumento do consumo e por uma redução nos preços dos vinhos, tanto nacionais como importados. Vamos dar uma chance ao vinho e, de uma vez por todas, assumir que os bons vinhos importados e os vinhos nacionais são aliados, e não inimigos. E vamos parar de assistir, impávidos, ao aumento explosivo do consumo de outras bebidas, como a cerveja e o uísque, enquanto o consumo de vinhos fica estagnado, vítima da luta contínua contra o vinho importado.
Vamos nos unir pelo vinho!


 Ciro de Campos Lilla

sexta-feira, 25 de maio de 2012

VINHOS COM TAMPA DE ROSCA - SCREW-CAP

(Informações colhidas na Internet)

O estigma de que vinho com tampa de rosca nunca é bom persiste infelizmente, mas a cada dia tenho mais provas de que ele é totalmente infundado e essa percepção vem mudando basicamente por dois motivos: primeiro a rolha de cortiça está ficando cara e pesando no custo final de vinhos mais baratos e segundo porque rolhas de cortiça contaminada têm causado perdas de 10 bilhões de dólares anualmente aos produtores de vinho. E quando o calo aperta é hora de trocar de sapato.
O vinho estragado pela rolha chama-se bouchonée e é reconhecido pelo seus aromas característicos de trapos mofados ou papelão molhado, que se sobrepõem a qualquer outro aroma que o vinho possa ter e o torna imbebível. Vem daí o ritual de se cheirar a rolha depois de abrir a garrafa, coisa que só deve ser feita com vinhos de guarda, aqueles que estão esperando a hora certa para serem degustados. Cheirar rolha daquele chileninho que você comprou no supermercado e levou para o jantar na casa do amigo é mico.
Mico quase impossível de pagar se você tivesse comprado um vinho da Nova Zelândia onde 70% da produção é engarrafada com tampas de rosca garantindo que não haverá nenhum vinho bouchonée. Mas porque este ainda não é um grande movimento mundial?
A rolha é um produto fantástico, é flexível, trabalhável, impermeável no ponto e dizem que foi inventada por Don Perignon, ele mesmo. Além do mais, sacar um rolha de um vinho tem lá seu ritual por mais banal que o momento seja. É um prazer e uma tradição. E como o mundo do vinho é feito de tradição, qualquer mudança é difícil, lenta e trabalhosa. Mas ela está acontecendo e nem tão silenciosamente assim. Muitos produtores, inclusive franceses, já estão estudando a possibilidade de trocar a rolha de cortiça pela tampa de rosca e fazendo testes com este tipo de engarrafamento e aceitação pelo mercado que acredito ser a principal barreira para a expansão dessas tampas.
Além da Nova Zelândia, a Austrália e os Estados Unidos estão engarrafando boa quantidade de vinhos usando tampas de rosca, principalmente brancos que em geral são feitos para serem consumidos rapidamente.
Semana passada realizei um evento na loja com vinhos TOP da Austrália, dos 05 vinhos 04 deles eram de tampa de rosca, todos com preços entre R$ 180,00 e R$ 250,00, todos absolutamente perfeitos, inclusive um da safra 2004, logicamente fechado com tampa de rosca. E o único vinho que apresentou problemas era adivinhe qual? Sim! O vinho com rolha, a rolha estava extremamente ressecada e quebrou-se ao abrir!
É admirável que novos produtores como os dois países da Oceania apostem nesse tipo de tampa para seus produtos sem medo de que o mercado os perceba como menores, de pior qualidade. Talvez os enochatos de lá não sejam tão chatos como os de cá que com certeza torceriam o nariz para um bom novo bom vinho nacional sem rolha mesmo antes de prová-lo.

sábado, 12 de maio de 2012

DOMINIO CASSIS CABERNET FRANC


Relembrando hoje, esse vinho é certamente uma grande expressão da Cabernet Franc e deixa muito vinho com o dobro do preço no chinelo!
Equilibrado, macio, aromático, persistente!



País de origem: Uruguai
Região: Rocha - Lomas de La Paloma
Produtor: Dominio cassis
Safra: 2008
Uva: 100% Cabernet Franc
Amadurecimento: 9 meses de barrica Americana e mais 6 meses em garrafa.
Produção: 2.200 garrafas 
Temperatura de serviço: 16°-18°
Teor alcoólico: 13,5%





Região

A vinícola Dominio Cassis está localizada a 10Km do Oceano Atlântico e à 4Km da Lagoa de Rocha em solo pedregoso, expostos aos ventos e à brisa marinha.

Os atributos do solo, de baixa matéria orgânica, pedregoso e profundo; bem como a exposição à influência do Oceano e as poucas chuvas que há na região, são ótimas condições para a qualidade da produção e permitindo uma maturação mais lenta das uvas, tendo um resultado de vinho de alta qualidade e de pequena produção.

terça-feira, 3 de abril de 2012

SALVAGUARDA: Revista Wine

BRASIL: Medida de salvaguarda à importação de vinhos gera preocupação
(24-03-2012)



O Governo brasileiro está a ponderar uma medida de salvaguarda que, em termos práticos, poderá resultar no estabelecimento de quotas máximas de importação por origem. Portugal, Itália, França, Espanha e o Chile, este último fora do Mercosul, serão os grandes prejudicados se a medida avançar.
E tudo leva a crer que possa avançar. O tema entrou na atualidade dos Media brasileiros e a WINE-A Essência do Vinho sabe que o Executivo de Brasília pondera também passar a exigir uma licença de importação para os vinhos importados de países europeus. Uma medida que agravará ainda mais a burocracia e o custo final a que os vinhos chegam ao consumidor (no presente, mais de 80% desse valor representa carga fiscal). Essa licença de importação deverá ser solicitada previamente ao embarque da mercadoria, ficando o Governo brasileiro com um prazo de 60 dias para responder (por norma, a análise dessas licenças demora entre 5 a 8 dias). Quem desembarcar a mercadoria antes da licença atribuída incorrerá numa multa que poderá representar cerca de 40 a 50% do valor.
A medida protecionista resulta da forte pressão que os produtores de vinho no Brasil estão a exercer junto do Governo de Dilma Rousseff, sendo que também não há certezas, por exemplo, sobre o período temporal em que vigorará. A medida foi solicitada por três anos, podendo ser renovada. Em princípio, as salvaguardas deveriam durar pouco tempo. Contudo, é difícil de saber. Por exemplo, no caso dos brinquedos, o Brasil impôs salvaguardas por 10 anos (o prazo máximo permitido pela OMC – Organização Mundial do Comércio)”, observa Miguel Durham Agrellos, especialista em direito fiscal que a revista WINE auscultou sobre este dossiê.
“Os produtores europeus devem mobilizar-se e agir rapidamente. Sem qualquer resistência, o governo brasileiro seguirá a tendência de adotar a medida tal como solicitada pela indústria local. Entendemos existir espaço para defesa e a possibilidade de minimizar o impacto de uma medida desta natureza sobre as atividades dos produtores portugueses. Por exemplo, existem vinhos em Portugal (caso do Vinho do Porto) que não podem ser produzidos no Brasil. Não tem razão de ser a restrição à importação deste tipo de vinhos. É altamente aconselhável a mobilização dos produtores portugueses. Para este efeito, existe um procedimento próprio, no âmbito do qual os produtores estrangeiros podem manifestar-se, o qual deve ser utilizado dentro de um prazo de 40 dias (prazo esse já em curso desde o passado dia 15 de março), alerta Miguel Durham Agrellos.