Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ENCONTRO DE VINHOS 0FF 2011 - Minhas impressões




Acabei de voltar do ENCONTRO DE VINHOS OFF, que se realizou na belíssima pizzaria Bendita Hora. Chegamos lá por volta das 14:00hs, ainda estava tranquilo, mas a hora que fomos embora, as 17:00hs estava lotando assustadoramente...


Assim que chegamos, fomos abordados de maneira muito simpática por uma senhorita que nos alertou que dentro de instantes haveria uma palestra de um produtor piemontes, seguido da degustação de seus vinhos mais significativos. e lá fomos nós para sala de palestras ouvir o enólogo italiano ( owner-winemaker ) Lorenzo Alutto da Azienda Agricola Ca'du Rabajà. Os vinhos apresentados no encontro ainda não tem importação no Brasil, são eles:


LANGUE MERIGGIARE ARNEIS DOC 2010 - muito interessante, cheio de aromas de flores, frutas e minerais, com excelente acidez e persistência, sem passagem em barricas de madeira, somente o frescor advindo de aço inox . Vinhedos jovens, 08 anos apenas.


DOLCETTO D'ALBA DOC 2010 - chama a atenção pelo aroma, mas aida estava muito jovem em boca.. deve evoluir bem por mais uns 02 anos. Vinhedos de cerca de 30 anos.


BRICCO DI NESSUNO BARBERA D'ALBA DOC 2009 - com excelente acidez, taninos macios e boa persistência, o vinho é elaborado com uvas provenientes de vinhedos de 30 a 80 anos,.


BARBARESCO CLÁSSICO 2008 - o vinho havia acabado de sair das barricas mas já se mostra muito interessante! Proveniente de vinhedos de 20 a 65 anos, plantado em uma das colinas onde melhor se adaptda a casta Nebbiolo. Esse vinho permanece de 18 a 20 meses em barricas de carvalho. Uma curiosidade é que a vinícola só trabalha com grandes tonéis de carvalho, o que garante microxigenação e evolução, porém não encobre o vinho com aromas de madeira excessiva. Um vinho impressionante!


BAROLO VIGNETI IN CASTIGLIONE FALLETO DOCG 2007 - sem sombra de dúvida o melhor Barolo do evento!!! Vinhas de 20 a 45 anos de onde o produtor tira por planta no máximo 2 quilos de uva. Concentrado, intensamente aromático, aromas florais, toques de frutas vermelhas silvestres, fumo, couro.... Taninos bem presentes, como se espera de um Barolo tão jovem, porém com elegância aveludada e cremosa. Como já ouvi dizer em algum blog por ai: "Deus engarrafado". Esse vinho estagia por 30 meses em barricas. O produtor o vende na Itália por 35 euros, no Brasil isso vezes 15x................... pois é, vai ser caro!



Saímos da palestra inebriados, no melhor sentido da palavra, pois degustamos com responsabilidade, afinal no evento estavam presentes 40 produtores, algo como mais de 400 rótulos, aqui postarei somente os mais significativos, mas nós provamos cerca de 30 rótulos, uma onda em um oceano.


No stand da importadora TAHAA provamos um Aglianico del Vulture maravilhoso, mas que não consegui anotar produtor, safra e outras informações pois uma consumidora final atravessou em minha frente e tomou toda a atenção do produtor como se somente ela estivesse lá..... Uma pena, pois o vinho era digno de ser compartilhado com vocês! Aliás quando você for a um evento fica a dica de sempre esperar para ser atendido, nunca atravessar quem esteja na sua frente, isso é muito deselegante e prejudica o trabalho de quem esta apresentando o produto. Nesse estande minha degustação acabou por ali, pois eu não ia ficar competindo com gente mal educada!


De lá fomos degustar um dos vinhos que mais nos impressionaram nesse evento, os vinhos do Libano, importados pela Auvin. A vinícola em questão, a MASSAYA, estão localizados no Vale do Bekaa, uma região de clima único e altitude perfeita. Nessa mesma região foi construida a 5.000 anos atrás um templo em homenagem a Baco.Os vinhos libaneses nos impressionaram muito! Intensos, aromáticos, unicos, maravilhosos e inesquecíveis! Vão demorar mais 03 meses para serem liberados para venda no Brasil, mas a espera valerá a pena, são vinhos muito, muito especiais! Os cortes desse vinho basicamente são das uvas do Rhone na França, só que com um toque a mais, oriundos do terroir libanês, o que ao meu ver, resulta em muito mais estrutura e aromas.

Fomos apresentados aos 03 rótulos da vinícola, são eles:

MASSAYA CLASSIC 2008 - esse vinho permanece somente 06 meses em barricas de carvalho francês, Elaborado com 60% Cinsaut, 20% Cabernet Sauvignon e 20% Syrah. O corpo é médio, muito sedoso em boca e com excelente acidez. Um vinho intensamente aromático, perfeito para ser degustado sem pressa e sem pretenções, daqueles que uma garrafa é pouco. Impressionante! deve chegar ao Brasil na faixa de R$ 70,00.


MASSAYA SILVER SELECTION 2006 - Um vinho com um pouco mais de corpo e um aroma rico, intenso, inebriante! Elaborado com Cinsaut, Grenache, Cabernet Sauvignon e Mourvedre, o aroma desse vinho é o ponto alto, seguido de boca intensa e eveludada, equilibrio perfeito entre taninos e acidez. Um vinho extremamente equilibrado e gostoso de tomar! Deve chegar ao Brasil com preço por volta dos R$ 100,00. Estagia 12 meses em barricas.


MASSAYA GOLD RESERVE - O top da vinícola. Aqui as uvas são a Cabernet Sauvignon, Mourvedre e Syrah. Os aromas são florais, mesclados a toques de fumo e couro. Na boca taninos ainda duros, implorando uma carne para doma-los, ou tempo em garrafa. O vinho estagia 18 meses em barrica. O vinho é fantástico e promete muito com mais tempo de envelhecimento. Cometemos um infanticídio, mas o que se há de fazer?

Certamente foi uma grata surpreza poder degustar uma linha de vinhos de tão alta qualidade, do mais simples ao top da vinícola. Os vinhos libaneses certamente marcaram nossa memória! Maravilhosos!

Depois foi a vez de provarmos uma curiosidade da Azienda Pietro Beconcini, um tempranillo da Toscana, elaborado com uvas já passificadas ao modo do Amarone. Um vinho supreendente e com uma história muito interessante: "uma uva desconhecida intrigava os moradores de San Miniato. Lá existiam as variedades tradicionais, mas aquele vinho elaborado com a variedade até então desconhecida brilhava mais que os outros. Precisou da descoberta dos exames de DNA para que a família Beconcini descobrisse que aqueles vinhedos antigos que foram replantados com o passar do tempo, eram de Tempranillo. Como a Tempranillo foi parar ali? Descobriram então que estavam no meio da Antiche Vie. Uma rota de peregrinos que ligava Roma a Santiago de Compostela, na Espanha. A propriedade comprada nos anos 50, pode então ter abrigado algum peregrino que por gratidão ou pagamento mesmo, deixou sementes da Tempranillo naquela terra de Chiantis. O vinho continuou com o nome IXE (X em latim para nomear algo que não se sabia ao certo de que se tratava)"
Saindo de lá maravilhados com o tempranillo italiano fomos enfim visitar nossos queridos amigos da Casa Valduga, a querida Jociane e meu querido ex companheiro de classe na ABS, Daniel Místico. O grande e esperado lançamento era o espumante Maria Valduga, com 48 meses de autólise, um espumante impressionante, do qual falarei com mais propriedade depois de prova-lo novamente amanhã na Expovinis.


Infelizmente não pudemos ficar muito tempo, pois nosso filhote nos esperava na saída da escola!


Parabéns ao Daniel Perches, um dos idealizadores desse evento, estava maravilhoso! Essa nova blogueira agradece de coração!

sábado, 23 de abril de 2011

VINHOS NA ELABORAÇÃO DE PRATOS

É muito comum clientes pedirem na loja, vinhos para elaborar pratos. Justamente por isso, tenho em minha loja vinhos mais em conta , normalmente em garrafas de 375ml. São vinhos honestos que tanto podem ser bebidos sem sustos, quanto servirem de apoio e finalização para uma receita especial.
O porque desse post é justamente minha indignação com alguns clientes que procuram vinhos MUITO baratos para acrescentar a uma receita dizendo que o vinho não precisa ser bom pois é só para colocar em um risoto, temperar um cordeiro, colocar no foundue.... Isso não me entra na cabeça.... é uma discrepância elaborar um prato nobre com vinho pobre. O vinho da panela deve estabelecer uma ponte com o vinho que vai ser bebido com o prato. Na dúvida em que vinho escolher para acompanhar, a regra geral é beber o mesmo que foi usado na panela ou um similar numa versão mais refinada.
Jamais use os mais caros para cozinhar. Os temperos encobrem as diferenças entre um grande vinho e um mais simples. Use um vinho mais simples para cozinhar e um mais refinado para servir os convidados.
Usar vinhos muito baratinhos para cozinhar também não dá certo, imagina pagar caro no kilo do cordeiro e estragar a carne com o aroma desagradável e o amargor do vinho de garrafão! (Aromas produzidos por uvas não viníferas são muito desagradáveis e intensos).
Procurar sempre utilizar vinhos com uvas viníferas, que concentram aromas e sabores de qualidade. Exemplo de uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, etc. Numa faixa de R$15,00 - 25,00.
Quando os clientes me pedem uma indicação de vinho barato para elaborar um prato, indico um vinho bom e honesto, mas existem alguns clientes que partem do principio que tenho que ter em minha loja"vinhos" de R$ 10,00 ou menos!!! Como se consegue elaborar VINHO nesse preço? Vejam bem, estou falando de VINHO DE VERDADE, desses com uvas viníferas, garrafa, rótulo, rolha, capsula e ainda por cima a partir de julho, SELO FISCAL!!!!
Você sabia que só o custo de uma garrafa com rótulo, cápsula e rolha já tem o custo aproximado de R$ 6,00? Isso sem contar o vinho propriamente dito e os impostos a ele agregados. Pois é, faças as suas contas quando for pedir um vinho de menos de R$ 10,00....
Mas o intuito desse post foi só de alertar que pratos elaborados com vinho, partem do pricípio que o vinho que for acrescentado a eles, seja realmente VINHO e não tintos ou brancos de mesa elaborados com uvas não adequadas. Priorize a boa culinária, use vinho para enobrecer seus pratos, antes, durante e depois!

Abaixo um texto muito interessante, traduzido por mim, de um site de culinária espanhola:


O vinho é uma excelente fonte de prazer para quem toma e companheiro inseparável da gastronomia: acrescenta cor à mesa, na boca melhora o sabor e a finesse dos pratos e durante as refeições estimula a conversação inteligente e o bom humor.

Para os cozinheiros, ele é útil da mesma maneira! Ao longo dos séculos, grandes chefs das mais diferentes culturas utilizam o vinho para ressaltar o sabor de pratos ou para proporcionar sutis aromas numa variedade de molhos e produções. Serve para marinar carnes e aves, ajuda a amolecer a carne em ensopados de longo cozimento e ainda contribui com sabor. O vinho também participa em sopas e ensopados e refresca sobremesas de frutas.

Algumas dicas ao se usar vinho para cozinhar:

- Utilizar somente panelas inox ou esmaltadas (alumínio, ferro ou cobre reagem com o ácido do vinho e transmitem um sabor metálico);
- Se não houver tempo para o álcool do vinho evaporar, o resultado é um prato com gosto desagradável;
- Se a quantidade for exagerada, uma receita pode ficar arruinada pela acidez excessiva;
- Se a receita pedir vinho seco e na falta usar um doce ou um tinto na falta do branco, com certeza o resultado não será satisfatório;
- Usar somente vinhos que estão aptos para serem bebidos;



Dicas de pratos onde o vinho pode ser utulizado:

- Marinadas - o álcool e a acidez do vinho agem mais depressa nos peixes e nas aves do que nas carnes. Cuidado ao usar com peixes: a acidez pode descolorir o peixe e afetar negativamente sua textura.
- Caldos - o fumê de peixe ganha com vinho branco; caldos escuros se beneficiam com vinho tinto. Além de melhorarem a cor, sua acidez ajuda a equilibrar a riqueza do extrato da carne.
- Molhos - Usar no máximo um terço de vinho para três partes do outro líquido, creme ou manteiga. Muito vinho pode causar um desequilíbrio no molho.
- Recheios - usar vinho para umedecer recheios de galinha com textura rica.
- Ensopados, ragus e sopas - à exemplo dos molhos, não usar mais do que uma parte de vinho para três partes do outro líquido.
- Vegetais - a acidez do vinho não deixa os vegetais cozinharem de forma correta. São indicados porém para seus molhos.
- Frutas - pêras, maçãs, pêssegos e ameixas fervidas em vinho retém seu frescor e ganham nas cores devido à acidez natural do vinho, de preferência doces, como Porto.
- Queijos - usar em molhos de queijos (como o vinho branco na fondue) para ajudar a contrabalançar a riqueza dos queijos.
- Ovos - normalmente pratos de ovos não reagem bem ao vinho, pois reagem com o exofre. Como exceção, o zabaglione não seria o mesmo sem o Marsala.
- Molhos para massas - reduções de vinho combinam tão bem quanto molhos para outras finalidades. Acrescentar algumas colheres de sopa de vinho tinto nos 10 minutos finais da fervura dos molhos.
- Arroz - tanto o risotto quanto a panela requerem uma boa adição de vinho, como primeiro líquido de cozimento. O equilíbrio dos sabores depende disso.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

AS LENDAS DO VINHO



Vamos falar um pouco sobre as lendas do vinho, afinal, história torna o vinho um produto ainda mais saboroso e especial!

Porque brindar quando se bebe um vinho?
O vinho é uma bebida onde devemos usar todos os sentido antes de bebê-la.
1: tato (ao segurar a taça de vinho),
2:visão (ao olhar a taça de vinho),
3: olfato (ao cheirar o vinho),
4: paladar (ao beber o vinho).
Só faltava a audição, foi daí que originou-se o ato de bater os copos, para completar a lista dos 5 sentidos com a audição

A criação do vinho
Esta é a lenda Armênia de Noé e da Criação do Vinho, contada por Hovanés Tumanian, um dos maiores poetas de todos os tempos na Armênia.
Após quarenta dias e quarenta noites de chuvas torrenciais, a Arca de Noé se deteve na mais alta montanha da Armênia: o Monte Ararat, ponto de partida de um novo mundo perdoado e purificado.
O primeiro trabalho de Noé, ao sair da Arca, foi plantar a vinha para criar o Vinho, pois, cansado estava de ver tanta água durante o dilúvio.
Ao começar a plantar as primeiras ramas da vinha, o diabo aparece e diz:
– O que está fazendo aí?
– Estou plantando uma vinha.
– Para que?
– Seu fruto é doce e gostoso. Quando espremido é deixado algum tempo ao léu dá um suco que reconforta o coração do Homem.
– Quero te ajudar, diz o diabo.
– Como quiser, responde Noé.
Plantada a vinha, o diabo vai buscar na arca, um cordeiro, um leão, um macaco e um porco. Degola-os e rega a planta com o sangue deles.
É por isso que quando alguém bebe vinho, fica primeiro dócil tal qual cordeiro, depois se sente forte como leão, a seguir começa a fazer caretas, feito macaco e, por fim, quando bêbado, torna-se um porco.

OUTRA LENDA...
Há muitos milhares de anos, um homem que passou a vida na Grécia, quando se sentiu velho regressou á sua Pátria, a Itália, e resolveu levar com ele uma linda videirinha, pois não se lembrava de, na sua infância, ter visto tal planta na sua terra natal.
Como não tinha vaso para a transportar, utilizou o que tinha à mão, um osso de galo. Esvaziou-o e meteu dentro as suas raízes com um pouco de terra.
Então como se deslocava a pé, levou muito tempo a fazer a viagem e a videira cresceu. Não teve outro remédio senão mudá-las para um osso de leão que encontrou pelo caminho.
Mas com a planta continuasse a crescer, Dionísio, assim se chamava o viajante, que teve a sorte de deparar com um osso de burro, para lá mudou a plantinha.
Consta que daquela videira se fizeram muitas outras, e por ela ter crescido em estranhos “vasos”, quem bebe pouco vinho, fica alegre como o galo; quem bebe mais, fica forte como um leão, e quem muito abusa do vinho, perde as ideias e fica mesmo estúpido como um burro.

Pois é queridos enófilos, vinho é bom mas carece de moderação, aliás, como tudo na vida!

terça-feira, 19 de abril de 2011

VINHOS PARA PÁSCOA

Pratos tradicionais da semana santa ficam ainda mais gostosos quando harmonizados com vinho.
A tradicional bacalhoada, o chocolate e a colomba pascal dão um gostinho especial nos almoços de páscoa. Para que a refeição fique ainda mais gostosa, nada como um bom vinho para ser harmonizado com os pratos servidos na semana santa, vão ai algumas dicas para fazer de sua Páscoa um evento inesquecível:


Bacalhau - Tradicional na páscoa, o Bacalhau pode ser feito de diversas formas. As mais conhecidas - Gomes de Sá e bacalhau à Brasileira – são uma explosão de sabores. Graças à essa grande variedade de ingredientes e gostos, muitas vezes, o consumidor não sabe qual vinho escolher para harmonizar com a iguaria.
A melhor opção na escolha dos vinhos vai sempre de acordo com a preferência pessoal. O Bacalhau pode ser harmonizado tanto com tinto quanto com vinho branco, porém alguns detalhes devem ser levados em consideração, como os ingredientes da receita.
O Bacalhau com um toque mais condimentado, como é o caso do à moda Brasileira, pode ser harmonizado com um vinho tinto, como um belo carmenere chileno ou um Pinot Noir da Síclia ou Argentina. Já a tradicional receita do bacalhau à Gomes de Sá pode ser harmonizada com um Chardonnay, perfeito para pratos com textura suave e delicados no paladar. Não podem ser esquecidos também nessa compatibilização os vinhos da terrinha, notadamente os do Alentejo, tanto tintos como brancos.



Chocolate - Apesar de não ser muito freqüente, o vinho e chocolate rendem uma bela combinação. Amargo, preto, ao leite, branco, com castanhas ou frutas, o chocolate oferece um gosto só dele. O sabor doce do chocolate pede um vinho potente e estruturado, como os vinhos fortificados. Neste caso, o vinho potente diluirá a gordura do chocolate e ressaltará o açúcar.
Para os chocolates amargos a sugestão é o vinho do Porto LBV ou Reserva mais estruturado e encorpado, que possui sabores mais complexos. Para os chocolates ao leite a indicação são os Portos genéricos, tanto o Ruby como o Tawny. Deixe o cholate na boca até derreter, depois com o chocolate ainda na bcatome um gole de porto.... é maravilhoso!




A Colomba Pascal - Ao contrário do que se pensa, a colomba pascal é diferente do panetone. Com diferentes coberturas e recheios como amêndoas, chocolate e glacê, por exemplo, a colomba pascal também pode ser harmonizada com vinhos e espumantes moscatel. Para a receita tradicional de colomba, o sabor suave combina perfeitamente com a doçura e delicadeza dos vinho late harves e moscatel de setúbal, bem como também portos brancos.



Escolha seus vinhos e BOA PÁSCOA!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O VINHO E SEUS BENEFÍCIOS


    Você conhece algum remédio que seja bom de tomar? Eu tomo um todos os dias e acho seu sabor maravilhoso, não vivo sem minha dose diária e tomo-o com imenso prazer! O meu remédio é o vinho! Desde a Antiguidade o vinho esta ligado a evolução da medicina. Os primeiros curandeiros já empregavam o vinho como remédio. Papiros no Egito Antigo e tábuas dos antigos Sumérios (2.200 AC) já traziam receitas baseadas em vinho, tornando assim o vinho a mais antiga prescrição médica. Nenhuma bebida atrai tanto a atenção da medicina quanto o vinho tinto. Seu consumo está associado a uma série de benefícios à saúde. O responsável por todos esses benefícios é o resveratrol, um polifenol encontrado nas cascas das uvas tintas, que na planta age como um protetor contra doenças fúngicas, porem sua presença no produto final vinho tem outras virtudes para nós humanos, tais como:



    • Aumenta o colesterol HDL (o bom colesterol) e consequentemente diminui o colesterol ruim LDL prevenindo a obstrução das artérias.

    • Inibe a formação de radicais livres, ou seja, tomar vinho moderadamente retarda o envelhecimento.

    • Dissipa as plaquetas que provocam coágulos e obstruem as artérias, sendo extremamente indicado no tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares.

    • Previne o câncer de cólon, sendo ainda que o resveratrol é um dos agentes químicos mais eficazes que se conhece na prevenção de câncer.

    • Combate artrite e fibromialgia, pois o resveratrol tem propriedades analgésicas e antiflamatórias.

    • Previne a doença de Alzheimer, pois segundo estudos neurológicos, o resveratrol evita o deposito de placas de proteína tóxica no cérebro, que acaba levando os neurônios a morte desencadeando o Alzheimer.

    • Ajuda a emagrecer: Estudo realizado na Alemanha em 2008 notou que camundongos submetidos a uma dieta hiper calórica com alimentação padronizada não engordavam se ingerissem doses pequenas de resveratrol, o outro grupo de cobaias, com a mesma alimentação, porem sem o suplemento de resveratrol, ganhava peso. Concluiu-se com isso, que o resveratrol causava a diminuição da geração de gordura dentro das células gordurosas. Os pesquisadores concluíram que o resveratrol é útil para impedir a obesidade, mesmo em condições de excesso de comida.

    • Consumidores moderados de vinhos são menos sujeitos a depressão. Previne doenças gastrointestinais: há muitos séculos São Paulo recomendava : "um pouco de vinho para a saúde do estômago". Sabe-se que o consumo moderado de vinho esta associado a menor incidência de ulcera peptica e gastrites, algumas das razões são que o vinho alivia o estresse, inibe a histamina e tem ação antimicrobiana contra a bactéria causadora de úlcera duodenal.

    • Doenças do trato urinário: Por estimular a diurese, o vinho é capaz de diminuir em ate 60% o risco de cálculos urinários.

    • Diabetes tipo 2: Consumido de forma moderada o vinho melhora a sensibilidade das células a insulina. Em mulheres pode inclusive reduzir as chances de surgimento de diabetes.

    • Ajuda no tratamento da anemia: o álcool ajuda a absorver melhor o ferro ingerido nos alimentos, além do mais, um copo de vinho tinto contem 0,05mg de ferro.

    • Reduz as chances de desenvolver osteoporose, pois o vinho é capaz de melhorar a densidade óssea.

    • O vinho, por ser um poderoso antioxidante reduz a degeneração macular, causa comum da cegueira em idosos.

    • Reduz os efeitos colaterais da radioterapia: em pesquisa feita na Itália, com pacientes com câncer de mama constatou que um copo de vinho por dia ajudava a tolerar melhor os efeitos da radioterapia. Ainda segundo a pesquisa, os polifenóis encontrados no vinho ajudariam a proteger as células saudáveis dos efeitos da radiação ao mesmo tempo em que combatem as células cancerosas.

    • Protege contra o câncer: pessoas que bebem vinho regular e moderadamente durante as refeições tem 20% menos chances de desenvolver qualquer tipo de câncer. E as que tem câncer e cultivam o hábito de beber vinho tem sobrevida maior. Essa proteção se dá por que os polifenóis agem bloqueando tanto o início como o crescimento e o avanço da doença.
    Há de se lembrar porém, que apesar dos inúmeros benefícios do vinho, as observações acima partem do principio regular e moderado. Ou seja de nada adianta encher a cara uma vez por semana e achar que está fazendo bem para a saúde, pois ai literalmente o tiro saíra pela culatra. Os benefícios do vinho são observados em pessoas que consomem vinho todos os dias, moderadamente e junto com as refeições. Luciana Freire Sommelière – ABS-SP mailto:luciana@vieiravinhos.com

    terça-feira, 22 de março de 2011

    CATÁLOGO 2011 DA RAVIN - Impressões

    Ontem fui ao lançamento do catálogo de 2011 da Importadora Ravin. Excelente evento, cheio de saborosas novidades.
    O evento aconteceu na Vinheria Percussi, reduto da melhor culinária italiana acompanhada sempre dos melhores vinhos.
    Logo na entrada fomos recepcionados com uma taça de Prosecco Janus, delicioso!
    Os vinhos vinham sendo apresentados e servidos em nossa mesa pelo simpático Rogerio Ávila, o proprietário da importadora.
    O primeiro vinho que nos foi colocado em degustação foi o leve, fresco e despretencioso italiano A.MANO BIANCO um vinho da Puglia elaborado com as uvas Fiano Minutolo e Greco.
    O segundo vinho foi uma explosão de sabores e aromas o Fairview Sauvignon Blanc da África do Sul, foi o meu vinho branco preferido da noite e certamente constará em meu próximo pedido a Ravin.
    O terceiro vinho da noite foi o alemão Scharzhof Riesling, não me encantou, doçura demais e acidez de menos, mas impressiona no aroma!
    O quarto vinho a ser apresentado foi o português Dou Rosa Branco com as castas Viosinho, Rabigato, Malvasia e Códega do larinho. Um vinho fácil de beber e gostar, muito aromático e extremamente equilibrado em boca. Outro que poderá constar de minha lista.
    Ai chegou a vez dos tintos, nosso primeiro tinto já me impressionou de cara, o chileno Eclat, da Valdivieso, um corte perfeito de carignan, mourvedre e Syrah. Saborosissímo e mega perfumado.Boca macia, equilibrio perfeito entre taninos aveludados, acidez e alcool. Um vinho apaixonante! Perfeito!!!
    Depois veio para nossa mesa outro vinho sul africano, o Spice Route Mourvedre. Corpo leve, bom aroma e acidez, um vinho interessante!
    Em seguida fomos apresentados a outro português, o Quinta de La Rosa, um vinho perfumadíssimo, elegante, classudo. Elaborado com as castas clássicas do Douro: Touriga nacional, Touriga Francesa, Tinta barroca e Tinta Roriz. Foi um dos vinhos que deixei respirar na taça e pude me surpreender com a impressionante abertura de aromas!
    Ai chegou a covardia! O sensacional A Naca, um siciliano impressionante, elaborado com a minha uva preferida: Nero d'Ávola. Sem comentários, o vinho é de tomar ajoelhada! Aroma intenso, inebriante, na boca envolvente, untuoso, carnudo...... Um sonho de vinho!

    Em seguida tomamos um supertoscano, o Guidalberto, do prestigiado produtor Tenuta San Guido que elabora o fantástico Sassicaia. Guidalberto é um vinho sério, classudo, bem formal, mas mesmo assim delicioso! Aproveitando a deixa fomos apresentados a lenda, o Sassicaia, propriamente dito! A imagem da perfeição engarrafada. Explêndido e perfeito!
    Ainda nos Italianos provamos o Remole IGT de Marchessi de Frescobaldi, um toscano honesto e talhado para enogastronomia.
    Depois nossas papilas gustativas tiveram a honra de degustar o Antichello Amarone della Valpolicella, um néctar dos deuses que deveria ter encerrado a noite com chave de ouro, mas que nada, voltamos para o Novo Mundo, para uma de minhas vinícolas preferidas, a Zuccardi, deles provamos o Zeta, uma maravilhosa combinação de Malbec e tempranillo, harmoniosamente mesclados! Um vinho explendoroso com boca intensa, corpo médio e taninos muito sedosos. Em seguida provamos o Santa Júlia Magna, que certamente deve ser um excelente vinho mas foi ofuscado pelo Zeta. Da Zuccardi senti muita falta de provar a novidade Emma Bonarda e a linha Zuccardi Textual em variedades como Arinarnoa, Ancellota e Caladoc. Uma pena que esses vinhos não estavam disponíveis no evento...
    Provamos também alguns vinhos da Vina Maipo, entre eles maravilhoso Vina Maipo Limited Edition Syrah, fan-tas-ti-co!!!
    Provamos cerca de 30 amostras, as que citei foram as que mais me impressionaram. Senti falta em provar algumas novidades do catálogo, como os vinhos da Valdivieso; Bodega Chacra, sem menhum representante na mostra; Zuccardi, já citados acima; Luce della Vite, também sem nenhum representante na mostra; Marchesi de Frescobaldi com seus maravilhosos Rossos e Brunellos; e também os excelentes uruguaios da Bodega Marichal. Mas em um evento desse porte é compreensível que algumas estrelas fiquem de fora, uma pena!
    Mesmo assim foi um evento maravilhoso! Parabéns Rogério pela escolha dos vinhos!

    sexta-feira, 11 de março de 2011

    VINHO: MULHERES NO COMANDO!



    Dia desses passei pelo dissabor de estar em um restaurante com meu marido, eu mesma escolher o vinho e quando o garçom veio trazer a bebida, ignorou-me solenemente dando a prova do vinho ao meu companheiro. Meu marido, já acostumado a esses “escorregões” das mau treinadas equipes de restaurantes, me passou a taça, porem ainda tive que suportar a cara de desdém do “profissional” que nos servia, como se parecesse dizer: “ Só me faltava essa, uma mulher que entende de vinho.”
    O mau serviço de vinhos não é novidade em lugar nenhum do mundo, eu mesma já treinei equipes de garçons em restaurantes famosos e convivi de perto com a “surpresa” desses homens ao perceber que uma mulher não entendia somente de refrigerante light!
    Quem acha que mulher não entende de vinho, além de preconceituoso e desinformado, demonstra uma imensa ignorância sobre a história do vinho. Com certeza nunca ouviu falar das grandes damas de Champagne, como Louise Pommery, madame Lilly Bollinger e a viuva Clicquot (esta muitas vezes mais conhecida como a velhinha de touca na tampinha do champagne que ostenta seu nome.) Alias falando diretamente sobre a víuva Clicquot, esses mesmo desinformados devem ignorar também o fato de que foi ela, a velhinha da touca, que descobriu o método de eliminar as borras de dentro do champagne, o método remouage.
    Esses seres guturais que ignoram a sapiência de uma mulher no vinho, também não devem saber nada sobre a maravilhosa Madame Pompadour que disse que: “O champagne é a única bebida que deixa as mulheres ainda mais bonitas”. Ou de Maria Antonieta, cujos seios serviram de molde para taças nas quais eram servidas o borbulhante líquido.
    Sem falar na grande avaliadora de vinhos Jancis Robinson, a minha querida professora Karina Cooper ou a escritora Karen MacNeil responsável por uma das mais completas obras literárias de vinho do mundo e escritoras de vários livros que são reverenciados pelos enófilos; além de outras tantas enólogas que fazem vinhos maravilhosos que certamente muitos homens tomam de joelhos, caso de Laura Catena que elabora os famosos vinhos de Catena e Luca; Suzana Balboque produz sensacionais Malbecs; Maria Luz Marin da premiadisima Casa Marin, no chile; Felipa Pato que tem encantado os paladares do mundo com seus vinhos portugueses com toques novo-mundistas; , Lalou Bize-Leroy denominada a rainha da Borgonha,, com vinhos que iniciam na casa dos U$$ 500; além é claro, das já citadas damas de champagne, entre muitas outras enólogas que estão cada vez mais encantando os paladares do mundo com vinhos cheios de sutileza, elegância e mistério!
    O sucesso e o crescimento da participação das mulheres no mundo do vinho se deve sobretudo a uma maior sensibilidade, tanto na parte sensorial, pois sentimos aromas e sabores com mais facilidade, quanto na parte intelectual, pois as mulheres acabam se dedicando mais a pequenos detalhes, lendo mais e ouvindo mais, e com isso a busca por informações acaba não cessando com a simples conclusão de um curso. A sede de saber das mulheres é naturalmente mais forte que a dos homens, e alia-se a isso ainda o fato de a mulher ser mais humilde e querer aprender mais.
    Não estou querendo fazer apologia ao feminismo, longe de mim! Mas experimente em um restaurante comparar o atendimento de um sommelier e de uma sommelière, depois vocês me contam do que gostaram mais!

    Por Luciana Freire

    BEBENDO ESTRELAS.....



    Venham amigos, venham ver, estou bebendo estrelas! Isso foi o que presumidamente o Monge beneditino Dom Pierre Perignon falou ao beber seu primeiro gole de champagne... Presumidamente, pois segundo a regra os monges beneditinos não podiam beber nada de álcool... (ih... melhor abafar o caso...) Dom Pérignon foi um monge do Mosteiro de Hautvillers, que aperfeiçou o denominado método champenoise, que foi inspirado em um antigo método de elaboração de vinhos borbulhantes em Limoux, sul da França.
    O método champenoise é uma das mais nobres maneiras de se elaborar um vinho espumante e se baseia principalmente no fato de forçar uma segunda fermentação de um vinho-base dentro da própria garrafa.
    Como se faz isso: Primeiro elabora-se um vinho base, pode ser com uvas tintas ou brancas. O mosto tem que ser proveniente de uvas não muito maduras, e o vinho-base depois de pronto não pode ter mais que 11º de alcool. Depois os vinhos podem ou não ser misturados, são colocados dentro de uma garrafa onde recebem a adição de liqueur de tirage (açucar de cana e leveduras) que vão produzir a segunda fermentação, criando dentro da garrafa um vinho com gás carbonico e mais alcool. O processo de tomada de espuma do método se dá pelo simples fato de que as leveduras adicionadas no vinho base se alimentam do açucar que também foi adicionado. O resultado disso é que essas mesmas leveduras se alimentam do açucar, tranformando-o em alcool e excretando gás carbônico, o gás sem poder sair (já que o ambiente é uma garrafa devidamente tampada) se dissolve no liquido ao seu redor criando assim um “vinho espumante natural”. Essa segunda fermentação dura em média 03 meses, depois disso as leveduras morrem pois não toleram níveis altos de alcool, porem algumas garrafas podem permanecer nas adegas por mais de anos, em contato com as leveduras mortas num processo que aumenta seu sabor e complexidade, conhedido como processo de autólise.
    Depois do processo de autólise vamos para um processo chamado remuage, que consiste em forçar as leveduras mortas a se concentrarem no gargalo da garrafa a fim de serem eliminadas. Esse método dura cerca de 02 meses onde a garrada é girada diariamente em 1/8 de volta ao dia. Durante essa fase as garrafas são colocadas em cavaletes, chamados pupitres. Inicialmente as garrafas são colocadas na horizontal, e aos poucos vão sendo inclinadas até chegarem a posição vertical, onde todas as leveduras mortas estarão concentradas no gargalo da garrafa. Inicia-se então o processo de degorgement, onde os gargalos são congelados e as leveduras são retiradas deixando o vinho limpido e cristalino. Completa-se então a garrafa com o liqueur d’expedition, que conforme a quantidade determina se o espumante será nature, brut, demi-sec ou doux. Os espumantes elaborados pelo método champenoise são a regra na região de Reims e Epernay na França, e constituem a elite dos espumantes no resto do mundo. São chamados Sekt na Alemanha, Cava na Espanha e no resto do mundo podem ser chamados simplesmente espumantes. Champagne somente os oriundos da nobre região francesa (Reims e Epernay)
    Um outro método usado na elaboração de espumantes é o Metodo Chamat. Aqui também temos a criação de um vinho base, porém, a adição do liqueur de tirage se dá em tanques de aço-inox, chamados auto-claves. A segunda fermentação pode durar de 30 a 60 dias. Depois o vinho é decantado, filtrado, adicionado de liqueur d’expedition e finalmente engarrafado e arrolhado. Os espumantes elaborados por esse método são mais ligeiros, menos complexos e custam muito menos que os elaborados pelo método champenoise.São espumantes para dia a dia, excelentes curingas e muito refrescantes. Exemplos clássicos são os Proseccos e grande maioria dos espumantes da América do Sul.
    Um terceiro método de elaboração de espumantes é o Metodo Asti, desenvolvida em uma pequena sub-região da Itália. Consiste em elaborar espumantes por meio de uma única fermentação desenvolvida dentro de autoclaves. Geralmente esses vinhos são elaborados com a uva Moscatel, são naturalmente doces e tem baixa graduação alcoolica (menos de 8ºGL). O processo se dá em deixar que o vinho sofra fermentação em autoclaves, gerando o gás carbônico que se dissolverá no liquido, e ao atingir a graduação de 7º a 8ºGL o auto clave é abruptamente resfriado, matando literalmente as leveduras de frio. Com o “assassinato” das leveduras as mesmas deixam de transformar açúcar em alcool, deixando ainda uma grande parte de açucar residual no vinho, criando assim um espumante naturalmente doce. Os espumantes Moscatel, ou Asti são a companhia perfeita para sobremesas, frutas e bolos em geral.
    Na proxima quinzena falaremos um pouco mais do serviço, degustação e da enogastronomia dos vinhos espumantes.

    Por Luciana Freire

    VERÃO: A HORA E A VEZ DOS ESPUMANTES


    Por: Luciana Freire – sommelière (ABS-SP)



    Final de tarde, calor escaldante, céu azul, nenhuma brisa no ar.... você suando em bicas, o que vem a sua cabeça ao pensar numa bebida refrescante? Cerveja? Saia do lugar comum! Calor é a estação ideal para abrir uma garrafa de um espumante bem gelado! Opções não faltam, principalmente opções nacionais!
    O Brasil produz hoje o melhor espumante do mundo, logicamente depois da França, que é e continuará ser um exemplo a ser seguido e invejado no que diz respeito aos seus maravilhosos e inigualáveis champagnes!
    Mas o que é champagne? Qual a diferença de champagne e espumante?
    CHAMPAGNE: Só pode ser designado champagne o vinho feito na região homônima na França! Champagne sem duvida é a bebida mais invejada e imitada do mundo. Todos os paises tentam produzir seu “champagne”. Há controvérsias sobre a verdadeira história do nascimento do champagne, fala-se a boca pequena que o champanhe na verdade não nasceu na região de Champagne, mais sim em Limoux, região sudoeste da França, próximo a fronteira com a Espanha. Mas vamos deixar a historia para outra oportunidade e vamos decifrar qual a diferença entre o champagne e os outros espumantes.
    O champagne (estamos falando do verdadeiro Champagne) é elaborado normalmente a partir de 03 vinhos de uvas diferentes: Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier. Estes vinhos são misturados, no que chamamos e “assemblage” , são depois engarrafados e acrescidos de leveduras especiais para que novamente fermentem, ocasionando assim o nascimento de um novo vinho, o borbulhante e sedutor champagne. Essa re-fermentação se dará dentro da própria garrafa, cercada de minúcias e cuidados especiais, tal qual uma rara obra de arte. A este método, totalmente artesanal, damos o nome de método Champenoise, ou tradicionalle. Este tipo de fermentação é o mais antigo, clássico e delicado de todos. Não podemos jamais discutir que o método champenoise é uma criação francesa, mesmo que talvez não tenha sido criado na região de Champagne!
    Há vinhos elaborados pelo método champenoise fora da França. Temos a Cava, na Espanha; e vários outros espumantes elaborados por esse clássico e artesanal método, na Itália, Portugal, Austrália, Brasil, e quase todas as regiões vinícolas do mundo!
    Fora da região francesa de Champagne, qualquer outro vinho borbulhante deve, por lei, ser chamado de “espumante”.
    O outro método de elaboração de vinhos espumantes vem a ser o Charmat. Este é um método mais moderno e conseqüentemente mais barato que o champenoise. Consiste simplesmente em colocar o “assemblage” acrescidos das leveduras especiais em um grande tanque de aço inox denominado autoclave. A re-fermentação (ou tomada de espuma) se dá, portanto nesse grande recipiente lacrado, denominado autoclave, e depois de um curto espaço de tempo denominado “autólise”, ou seja, o contato do liquido, já refermentado com as leveduras mortas, o vinho é decantado e engarrafado. Este é um método mais “comercial” e barato de se fazer um espumante.
    Normalmente os espumantes elaborados pelo método charmat são mais leves, mais refrescantes, mais “descompromissados”. São espumantes para o dia-a-dia, para toda hora!
    Os espumantes elaborados pelo método champenoise são mais complexos, tem mais “corpo”, são mais austeros e refinados, e conseqüentemente são mais caros.
    Qual é o melhor? Depende da ocasião!
    Para uma ocasião especial um espumante pelo método champenoise ou um champagne são as melhores pedidas. Já para o dia a dia, para simplesmente brindar a vida ou refrescar um dia de calor a melhor escolha é o espumante elaborado pelo método charmart.
    Boas opções, de ambos os métodos não faltam:
    Pelo método Champenoise: BRASIL: Cave Geisse Nature; Marson Brut, Miolo Brut e Don Laurindo Brut. ARGENTINA: Gran Leblon Torrontés. PORTUGAL: Bairrada Brut Quinta do Valdoeiro. ESPANHA: Cava Don Roman e Freixenet . FRANÇA: Moet Chandon , Piper Heidsick, Mumm Cordon Rouge, Blanquete de Limoux e Drapier.
    Pelo Método Charmat: BRASIL: Valdemiz Brut, Chandon Brut, Chandon Excellense, Valdemiz moscatel , Terranova Moscatel. CHILE: Valdivieso Brut. ARGENTINA: Mumm Brut. ITÁLIA: Prosecco Ca de Médici, Prosecco Lorenzo Sormani, e Prosecco Casal Del Ronco. Agora é só escolher a sua opção, abrir sua garrafa e curtir o melhor do verão!