Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Baron Philippe de Rothschild Reserva Merlot 2015


Em uma quinta feira fresca escolhemos este vinho para brindar a vida e compatibilizar com mini pizzas de massa folhada!
Confesso que me surpreendeu pois não tive boas experiência dos vinhos do Rothschild no Chile, mas esse é um vinho honesto, bem feito, equilibrado e muito saboroso!

MINHA DEGUSTAÇÃO:

Rubi profundo com reflexos violáceos
Notas de couro, leve defumado mescladas a frutas vermelhas em compota.
Excelente acidez com taninos ainda firmas mas com final aveludado.










FICHA ´TÉCNICA DO PRODUTOR

  • Safra2015
  • Conteúdo750 ml
  • TipoTinto
  • ClassificaçãoSeco
Elaboração
  • UvaMerlot (100%)
  • Teor Alcoólico13%
  • AmadurecimentoParte do vinho estagiou cerca de 6 a 8 meses em barricas de carvalho.
Terroir
  • PaísChile
  • RegiãoValle Central
  • VinícolaBaron Philippe de Rothschild
Sommelier Wine
  • VisualColoração: Rubi.
  • OlfativoNotas herbáceas, e de frutas como cereja, groselha, framboesa, com toque de especiarias e tosta.
  • GustativoFresco, com taninos macios e notas frutadas.
  • HarmonizaçãoLasanha de legumes, escondidinho de carne seca, iscas de filé ao molho de tomate, snack de calabresa, macarronada, frango empanado.

domingo, 3 de julho de 2016

ROOT 1 - CARMENERE

Escolhi esse vinho para ser o protagonista em um churrasco de picanha. Aposta ousada mas único recurso em minha adega que no momento tinha neste vinho o que de mais encorpado poderia haver, (fato que já esta sendo corrigido)


Coloração granada com reflexos rubi. Límpido, com lagrimas lentas e grossas denotando boa graduação alcoólica.
No aroma a primeira impressão é bem vegetal que depois evolui para frutas vermelhas bem azedinhas. A madeira está bem integrada a fruta acrescentando apenas um leve aroma de coco bem difuso, oriundo provavelmente de barricas de carvalho americanos novas.
Na boca se mostra com bom equilibro de acidez e taninos bem leves (nada propícios para segurar minha picanha quase crua)

FICHA TÉCNICA DO PRODUTOR

O nome do vinho: Root: 1 é uma homenagem à primeira raiz da videira, a que tem início ainda nova e que, com o tempo, se transforma na raiz mãe, a mais importante de todas. É com essa inspiração que o Root: 1 Carménère 2013, um blend de duas uvas francesas, a Carménère e Syrah, muito bem adaptadas ao terroir chileno, ganha vida.

VINÃ VENTISQUERO
SAFRA: 2013
13,5 alcool
REGIÃO: Valle de Colchagua – Chile
70% do vinho amadureceu 10 meses em barricas de carvalho francês e americano
Aromas vegetais, frutas vermelhas como amora e cerejas maduras com nuance terrosa.Frutado, vegetal, com taninos firmes e equilibrados.

MOSCATO GIALLO - Vinicola Batistello



SAFRA 2015
12%
Vinicola Batistello - Garibaldi - RS - Brasil

Um vinho alegre, leve, descompromissado. Um vinho para todo o momento. Para brindar o fim de tarde, para bebericar apreciando a poesia das sombras do por do sol sobre o verde gramado. Emfim um vinho honesto e talhado para o dia a dia.

O vinho tem coloração amarelo palha bem limpida e brilhante. Aromas notadamente florais (flores brancas) que se mesclam a um leve toque de maracujá no final. Na boca apresenta média acidez, corpo leve e confirma a flor do aroma e se intensifica ainda mais a fruta que antes era mais tênue. Não é um vinho que peça acompanhamentos, sua leveza e acidez o tornam interessantes mesmo como aperitivo ou boa companhia para um gostoso bate papo.  

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CALIZA - D.O. LA MANCHA

Voltando a postar os vinhos que eu degusto! Vamos lá  voltar a exercitar meu  lado critico e analítico pois já dizia um sábio: O que não se usa cai ou atrofia!
Este é um vinho bem honesto que tem feito quase sempre espaço reservado em nossa adega. Da região de La Mancha, é um corte de Merlot, Syrah e Tempranillo.

Caliza Tinto
No visual é um vinho purpura com reflexos violáceos denotando ainda tenra juventude. 
No olfato sentimos framboesas e amoras, mescladas a um leve toque de pimenta negra e algo levemente defumado. A boca se apresenta em taninos macios, boa fruta e acidez equilibrada sem no entanto ter muita persistência.


FICHA TÉCNICA DO PRODUTOR

A etiqueta Caliza reflete as caracteristicas proprias do solo calcáreo  típico da região (Caliza em espanhol quer dizer rocha calcárea) Para nosso Caliza tinto extraimos a máxima expressividade das 03 variedades de uva: Merlot, syrah e tempranillo para criar este este maravilhoso assemblage que é um verdadeiro prazer para os 03 sentidos: visual, olfato e gustativo É um vinho perfeito para degustar com uma ampla gama de pratos da gastronomia espanhola. 
  • REGIÃO
    La Mancha  é a maior região de vinhedos do mundo, com 300.000 hectares de vinhas em seu território. Também é a casa de Don Quijote, o célebre personagem de Miguel de Cervantes.   A tradição vinícola desta zona se remonta as tempos romanos, embora tenha se expandido na Idade Média. Além disso a versatilidade do terremo propiciou a intridução de inúmeras variedades de uvas internacionais.

PREMIAÇÕES: 
Premiações: AWC Vienna 2013 - selo de qualidade DECANTER WINE AWARDS 2013 - medalha de bronze. CHINA WINE AND SPIRITS AWARDS 2013 - Double Gold Medal

sexta-feira, 24 de junho de 2016

CAVE DE PEDRA - ATENDIMENTO IDEM!




Esta semana, a fim de montar uma brincadeira eno-gastronômica fomos em busca de espumantes para combinar com torresmos caseiros. Afinal, nada melhor de que um refrescante e vivido espumante para domar o peso e a gordura de um delicioso torresmo. Em nosso caminho para casa passamos na frente de umas 4 vinícolas  e elegemos uma delas pelo acaso de ser uma das que nos lembrava os bons momentos de nossa lua de mel.
Em 2001 quando conhecemos a Vinícola Cave de Pedra ela era um bebê com menos de 04 anos e ainda estava em processo de construção. Fomos atendidos pessoalmente pelo enólogo/proprietário que nos mostrou a vinícola, falou de sua historia e nos apresentou excelentes espumantes, que na época eram o único foco da vinícola. Saímos de lá com 2 caixas de espumante que nos renderam excelentes momentos na volta a São Paulo. 
6 anos depois quando compramos nossa loja de vinho a Vinícola  foi uma das lembradas para fazer parte de nosso portfólio de produtos. Infelizmente abrimos mão dela em virtude dos altos impostos. 
Quando viemos morar efetivamente aqui no Sul visitamos a Cave de Pedra e já percebemos que algo havia mudado, não mais havia acolhimento familiar e sim a frieza dos funcionários que lá estavam. O ápice aconteceu nesta quinta feira, dia 23, ao resolvermos ir lá buscar um espumante para nossa aventura eno-gastronômica. Chegando lá fomos direto ao varejo, desprezando a área de degustação que normalmente é a primeira frequentada pelos sedentos turistas, fomos diretamente ao varejo pois nossa intenção era realmente comprar. Lá fui recepcionada por uma atendente que nem ao menos sabia pronunciar o nome das uvas, para se ter ideia ela pronunciava chardonnay como se lê...... autólise por exemplo devia ser um tipo de palavrão para ela!
Diante dos preços muito salgados nas prateleiras perguntei se eles não tinham uma politica diferenciada para os moradores da região, (pois na maioria das vinícolas que frequento essa atitude é normal) ela riu já se afastando de volta ao balcão e disse que não com ar de deboche e desprezo, nem ao menos questionou se eu iria comprar 01 garrafa ou 01 caixa. Diante dessa atitude tão delicada e profissional agradeci e ia saindo quando ouvi a garota do caixa dizer de mim com desdém  " que tipo".
O motivo desse post desabafo é tentar entender o porque as vinícolas investem tanto em marketing visual e de produtos e tão pouco na contratação de bons profissionais? Porque uma vinícola cresce e deixa-se tomar pela frieza no atendimento ao consumidor?
Contando meu caso na empresa onde trabalho recebi feed backs ainda piores do atendimento na Cave de Pedra, quase todos me contaram que foram mal atendidos. Indelicadeza e frieza parecem ser o mote do atendimento da empresa. Andei lendo o site da vinícola e a todo momento eles frisam com orgulho o atendimento especializado. O que me entristece é saber que sou apenas mais uma a ser mal atendida em meio a  tantos que saem de lá insatisfeitos com a atendimento, será que os proprietários sabem o que acontece dentro das paredes de pedra de sua vinícola? Será que tem ideia que  seus funcionários também fazem um atendimento frio, duro e impessoal como pedra?
Não sei como está qualidade dos produtos da vinícola ultimamente pois há anos não os degusto, mas torço para que eles não tenham seguido o caminho que o atendimento tomou!
E você? Tem alguma historia para nos contar sobre sua visita a Cave de Pedra ou a qualquer outra vinícola do Vale dos Vinhedos? Deixe sua história aqui nos comentários!


sábado, 11 de junho de 2016

OS CICLOS DA VIDEIRA

Matéria de minha autoria publicada na Revista BEM MAIS



Sou uma grande entusiasta das temperaturas mais frias. Me torno o melhor dos seres humanos no auge do inverno e muitas vezes me olham como se eu fosse louca por isso!
2015 vai ser lembrado como uma das piores safras da Serra Gaúcha, tudo porque em 2015, para alegria de alguns, tivemos o inverno mais quente dos últimos anos e para piorar houve também muita chuva e queda de granizo, essa, vinda exatamente na época de brotação, quando muitos agricultores achavam que podiam ainda salvar alguma coisa.
Então essa materia vai especialmente para você que ama vinho e odeia frio. Espero que depois de ler essas linhas entenda o quanto o frio é determinante para uma boa safra, e espero ver até em seu rosto um sorriso de alivio quando as temperaturas baixarem de 14º.
A videira é uma planta de ciclos bem definidos, ciclos esses que se guiam pelas 4 estações do ano.


O ciclo da videira pode variar desde 130 dias nas regiões mais quentes a mais de 200 dias para os climas frios, na diferença desses dias para que se feche o prazo de 01 ano, a videira hiberna, repousa e isso só se dá a contento nas temperaturas baixas de um bom inverno. A dormência, ou hibernação é a fase mais importante, diria até, determinante para a qualidade da safra. Para que a planta efetue um boa hibernação é necessário um inverno rigoroso, com temperaturas bem abaixo dos 10ºC, e temperatura interna de solo inferiores a 5ºC, caso não haja inverno na região, os vinicultores induzem a dormência pela suspensão de fornecimento de água a planta, mas isso é assunto para outra matéria....

Quando as temperaturas começam lentamente a aumentar na primavera, se inicia a fase de brotação que é primeiramente precedida pelo "choro da videira" . Esse belo fenômeno se dá quando o solo se aquece e as raizes entram em atividade, absorvendo soluções minerais e água que vão criando pressão dentro do caule. Os corte efetuados na poda de inverno servem de escape para seiva que escorre principalmente nas primeira horas da manhã. A quantidade de "choro" de uma videira pode chegar até 1 litro por dia.
Depois do choro vem a brotação que constitui no verdadeiro despertar fenológico da planta depois da dormência invernal. Os gomos latentes começam a inchar e eclodir na extremidade dos sarmentos fazendo surgir as primeiras folhas. A velocidade de crescimento depende da temperatura e umidade do solo. Acima de 25ºC a planta entra em estagio de intensa atividade fisiológica, cresce ao seu máximo e em até 13 semanas do incio da brotação começa outro ciclo que é o da floração. A chuva nessa época é muito temida, não só pelo fato de poder diminuir a temperatura do solo como também diluir o polem das flores, extremamente necessários para fertilizar a flor e fazer surgir os cachos que começam a crescer e inchar . Algumas semanas depois, com mais ou menos metade de seu tamanho natural começa a fase do pintor, ou seja, o cacho começa a mudar de cor e isso marca o inicio de uma nova fase que se chama maturação. Os bagos da vinha deixam de ser verdes e duros e passam a ter elasticidade e cor. Nessa fase são necessárias longas horas de sol para que haja acumulação de açúcar e perda de acidez. A maturação necessita de um verão quente e seco.
Finalmente, finalizada a maturação vem a fase da colheita e a uva segue para seu destino final que é a transformação em vinho.
Com a chegada do outono inicia-se a queda da folhas, o vinicultor procede a poda no incio do inverno e a videira emtra em hibernação.
Depois dessa máteria será que você, amante do vinho, ainda vai reclamar do frio?

Luciana Freire
Sommelière - ABS SP

www.sommelierenarede.blogspot.com.br

quarta-feira, 30 de março de 2016

OS AROMAS DOS VINHOS

Um dos aspectos mais interessantes em uma degustação de vinhos são os aromas. Impressionante a capacidade que as pessoas tem de criar aromas nos vinhos, de banana a cerejas crocantes, de mineral a asfalto quente da  route 66, de couro a lã de ovelhas molhada em uma chuva de outono no final de tarde... o arsenal de aromas e incrível e sempre tem novidade.

Mas falando sério, de onde vem os aromas do vinho e como adestrar nosso nariz para senti-los?
Todo e qualquer aroma apresentado pelo vinho decorre de substâncias químicas nele presentes, originárias da uva, dos processos fermentativos a que são submetidas, ou do seu amadurecimento e envelhecimento.
Os aromas presentes no vinho podem ser primários, secundários ou terciários. Os primários provêm de substâncias presentes na uva e que permanecem mais ou menos tempo no vinho. Os aromas secundários são gerados pelos processos fermentativos e pelo estágio em madeira, são citados nas degustações como baunilha, chocolate, caramelo, coco e amêndoas. Aromas terciários são aqueles que se desenvolvem ao longo dos anos, em vinhos com potencial de envelhecimento em garrafa, na ausência de oxigênio. Esse conjunto de aromas é conhecido por “bouquet”. Seu desenvolvimento é acompanhado pela perda dos aromas varietais e frutados, mas garante uma complexidade maior na análise sensorial dos vinhos.
Como sentir esses aromas? Cheirando! Cheirando tudo! Ninguém vai reconhecer aroma de lichias se nunca nem viu essa fruta em sua frente! Vá na feira e não tenha pudores de cheirar frutas, verduras, legumes, temperos. Quando começar a chover perceba o aroma que exala do asfalto, da terra, das arvores.  Cheire flores, amasse folhinhas de arvores, temperos e sinta seu aroma. Entre em um bosque depois da chuva e inspire profundamente, isso é o toque terroso, que os franceses chamam de "sous-bois". Guarde essas sensações. Ninguém será um bom degustador de vinhos se não tiver o hábito de cheirar tudo!
Minha avó implicava comigo desde criança porque eu tinha mania de cheirar tudo, me dizia que era falta de educação, mas eu nunca consegui evitar, sempre tive um nariz afiadíssimo para todos os cheiros. Na degustação de vinhos eu me encontrei, pois ali sim eu tinha que cheirar muito!
Não se acanhe se nas primeiras vezes não conseguir identificar aromas, é normal! O habito se cria. O primeiro passo é saber se o cheiro do vinho lhe agrada ou não, depois com o tempo você começa a identificar as frutas vermelhas dos tintos e vai vibrar ao identificar de cara o abacaxi passado em uma taça de chardonnay de novo mundo ou o xixi de gato em um Sauvignon Blanc do vale do Loire!

Então vá lá agora abrir um vinho e anotar que cheiro te parece?

MATERIA DE MINHA AUTORIA PUBLICADA NA REVISTA CIRCUITO SUL

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Armando Peterlongo – Uma trajetória regada a champanhe

Não é qualquer vinícola que tem o direito de ostentar em seus rótulos a denominação ‘champagne’. Como não é qualquer cantina que pode dizer que produziu o primeiro champanhe do Brasil. Pois, a Vinícola Peterlongo é reconhecida pelos dois feitos. Tudo isso graças ao sonho de um dos seus fundadores, Armando Peterlongo, que herdou do patriarca Manoel a vontade de elaborar a ‘bebida dos deuses’. A história de ser reconhecida como a primeira e única vinícola no país a adotar as técnicas de elaboração para o champanhe remota do final do século XIX. Em 1890, o imigrante italiano – vindo da região do Trento – Manoel Peterlongo desembarcou no Brasil, mais precisamente na vila de Conde D’Eu, atual Garibaldi. O italiano trouxe na bagagem o sonho de produzir em terras brasileiras vinhos da mesma qualidade dos europeus. Engenheiro agrimensor por formação, vivia de seu trabalho, enquanto recebia instruções necessárias – vindas do Irmão Pacômio – para produzir vinhos por meio do método utilizado pelos franceses, o champenoise. Em 1913, chegava ao mercado o primeiro champanhe brasileiro. Reconhecido nacionalmente com uma medalha de ouro na 1ª Exposição de Uvas, de Garibaldi. Manoel logo percebeu que o clima frio e intenso da região era próprio para a elaboração da bebida. Aos poucos, as mudas de videira viraram vinhedos e os vinhos para consumo próprio se expandiram. Em 1° de janeiro de 1915, estava fundada a Vinícola Armando Peterlongo & Cia Ltda, uma homenagem ao seu primogênito e sucessor de seu legado.


personalidades
Armando Peterlongo avalia seu produto. (Foto: Arquivo Vinícola Peterlongo)
Em terras brasileiras, Manoel casou-se com Regina Vivian, com quem teve noves filhos. Em 23 de fevereiro de 1899, nasceu seu único filho homem, Armando Peterlongo. O jovem acompanhou desde cedo os gostos do pai e dele herdou o sonho de elaborar champanhes e valorizar a mão de obra feminina. Estudou Farmácia em Porto Alegre e trabalhou como farmacêutico em Vacaria, até 1921. Nessa época, os negócios da família prosperavam e Manoel chamou Armando para ajudar nos trabalhos da vinícola. Com o falecimento do pai, em 1924, Armando assumiu sozinho o comando da Peterlongo.

Novas instalações
A frente dos negócios da família, Armando deu continuidade aos sonhos do pai. Em 1930, construiu novas instalações seguindo os padrões da região da Champagne, na França. A cantina foi erguida em pedra basáltica numa extensão de 10 mil metros quadrados, incluindo uma cave subterrânea toda em granito – nela ainda hoje estão armazenadas garrafas elaboradas pelo método champenoise. Como um homem meticuloso, Armando estava preparando a empresa para o salto que viria: a projeção do modesto negócio familiar para nível nacional. A champanhe nacional conquistava cada vez mais espaço e fazia sucesso por onde passava. O presidente do Brasil, Getúlio Vargas, servia a bebida em seus banquetes comemorativos. A própria rainha da Inglaterra, Elizabeth, ao visitar o país, provou o champanhe elaborado por Armando e o aprovou. Com a repercussão, o champanhe foi coroado como bebida oficial do país, servido em cerimônias e festas particulares. “A partir de 1930, nas solenidades oficiais, batismos de navios ou aviões, passou-se a fazer uso do champanha nacional Peterlongo”, escreveram Elvo Clemente e Maura Ungaretti em História de Garibaldi.

Armando via a produção aumentar gradativamente e passou a empregar mais funcionários para trabalhar em seus vinhedos e no interior das vinícolas. Contratava, principalmente, mulheres, o que era raro para a época. Conforme o Arquivo Municipal de Garibaldi, foi o primeiro empresário da região a pagar salário mínimo aos operários. Nos jornais, o diretor da empresa era descrito como “homem que sabia respeitar as leis deste país”.

Além do vinho
Como um homem visionário, Armando logo percebeu que a Peterlongo precisava exportar seus produtos. Em 1942, o champanhe foi comercializado para a rede de varejo Macy’s, em Nova York. Com isso, dava início a uma série de exportações que aumentariam a procura pela bebida e fariam a Peterlongo ampliar sua capacidade vinícola e abrir espaço para outros produtos. Nasciam os vinhos brancos e tintos, os conhaques e os uísques da vinícola Armando Peterlongo. Eram produzidas mais de 360 mil garrafas. Na década de 1950, algumas inovações foram feitas, inclusive na elaboração dos espumantes, que passaram a ser feitos também pelo método charmat.

Mas não era apenas no campo vitivinícola que Armando se destacava. Casado com a professora Addy Sabrosa desde 1924, e com quem teve as filhas Zeney e Eneida, contribuiu para a educação de Garibaldi. Sob a influência da esposa, que foi coordenadora da 4ª Coordenadoria Estadual de Educação, Armando pagava os salários de vários docentes para ampliar o acesso ao ensino. Além disso, ajudou na construção do Colégio Carlos Gomes.

Também atuou na esfera política. Foi candidato a prefeito de Garibaldi em 1930 e eleito presidente da Liga de Defesa Nacional – órgão criado pelo governo federal durante a Segunda Guerra Mundial, no ano de 1941. Atuou ainda como vereador de Garibaldi, de 1947 a 1951; e concorreu a deputado estadual pelo partido Social Democrata.

Mas uma de suas paixões, além do champanhe, eram as atividades agropecuárias. Em documento do Arquivo Histórico Municipal de Garibaldi está escrito: “Amava a terra e as lides de campo. Em 1951, comprou um fazenda em São Gerônimo, com 4.250 hectares, começando, paralelamente à vinícola, a produção de carne, lã e arroz. Atendendo aos apelos do governo da época para que houvesse um aumento de produção no setor da alimentação, Armando resolveu dedicar-se ao plantio de arroz. Desta forma criou mais possibilidades de trabalho na região onde se localizava a sua fazenda”. Em outro documento, está relatado: “uma pessoa digna, com personalidade marcante, que além de ajudar as pessoas que o cercavam, ajudou a construir a história de Garibaldi”.

O empreendedor Armando faleceu em 6 de agosto de 1966, aos 67 anos, durante uma viagem de férias com sua família, na Itália. Seus familiares deram continuidade ao seu legado vitivinícola, herdado de seu pai e marcado pelo glamour de ter elaborado o primeiro champanhe do Brasil.

Fontes
Vinícola Peterlongo/ Arquivo Histórico Municipal de Garibaldi/ História de Garibaldi: 1870-1993, de Elvo Clemente e Maura Ungaretti.

domingo, 31 de janeiro de 2016

O VINHO DOS MORTOS - Morbidez ou Tradição?



Portugal sempre nos surpreendendo..... dessa vez a região de Boticas em  Trás-os-Montes, obusca certificação de um vinho que ficou conhecido como Vinho dos Mortos. Os vinhos da região já são reconhcedios desde 2001 como pela legislação como Vinho Regional Transmontano, porem uma adega local busca o reconhecimento de seu vinho e a certificação de Vinho dos Mortos por elaborar o vinho conforme tradição milenar oriumnda de 1808 época  em que as tropas francesas, comandadas pelo general Soult, invadiram pela segunda vez Portugal. Quando os franceses invadiram a região, o povo, com medo que estes lhes pilhassem  os seus outros bens, escondeu o que conseguiu, uma das melhores formas era enterrar o que conseguição, portanto o vinho foi enterrado no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, depois dos franceses terem sido expulsos, os habitantes recuperaram as suas casas e os bens que restaram. Ao desenterrarem o vinho, descobriram com surpresa que o mesmo estava muito mais saboroso, pois tinha adquirido propriedades novas. A bebida das garrafas estava com cor e sabor “bouquet” ainda melhor, um vinho com graduação de 10º/11º, que tinha, então, uma gaseificação natural em função da temperatura constante e da escuridão.  Por ter sido “enterrado” ficou a designar-se por “Vinho dos Mortos” e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor o conservar e otimizar a sua qualidade. Assim, nasceu uma tradição de “enterrar” o vinho pelo menos durante um ano, que se foi transmitindo de geração em geração.
As uvas encontradas em Vinho DOS Mortos são: Alvarelho, Bastardo, Malvasia Fina, Tinta Carvalha e Tinta Coimbra.  Alvarelho e Malvasia são uvas brancas, mas o vinho final é um tinto de corpo leve e alta acidez.
Geralmente, o vinho termina em um nível baixo de álcool por causa do clima do norte de Portugal e do medo do mau tempo na colheita.

Hoje, o Sr. Armindo Sousa Pereira, de Boticas, no distrito de Vila Real, é o único produtor registado oficialmente para comercializar o "Vinho dos Mortos" .O produtor  elabora cerca de 6.500 garrafas por safra que ficam enterradas por cerca de 01 ano e garante que são todas vendidas regionalmente.
Armindo Sousa Pereira não pensa, no momento, na exportação direta porque não tem quantidade suficiente para aumentar sua produção. Tudo o que produz consegue vender em Portugal e dessa forma visa "obrigar" os turistas a virem a Boticas descobrir seu vinho impar
Antenado nessa estranha tradição um produtor luso-brasileiro de São Roque-SP,  a Quinta do Olivardo, resolveu fazer o seu próprio Vinho dos Mortos. A principio junto aos parreiras da vinícola foram enterrados 06 lotes, com 60 garrafas cada. Agora, mensalmente, no terceiro sábado, é realizado o jantar alusivo ao vinho dos mortos, onde os visitantes e clientes da adega e restaurante são convidados a participar do cerimônia de desenterro das garrafas de vinho. Também é dada a oportunidade ao turista de vivenciar essa tradição, enterrando a sua própria garrafa, devidamente rotulada e identificada. Os vinhos ficam enterrados por 06 meses, e a cada novo enterro é desenterrado e consumido um lote de 06 meses atrás.
Os vinhos enterrados são produzidos na própria vinícola que tem uma produção artesanal, que gira em torno de 20 mil litros/ano, sendo integralmente comercializados na adega e servidos no restaurante.
Maiores informações da Quinta do Olivardo ligue (11) 4711-1100 .


MATERIA DE MINHA AUTORIA PUBLICADA NA REVISTA BEM MAIS