Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

domingo, 30 de agosto de 2015

ANIDRIDO SULFUROSO

Retirado do Blog do Jeriel. Texto de autoria de André Logaldi.
Tenho certeza de que é do conhecimento geral dos amigos enófilos que o uso do anidrido sulfuroso, o SO2, é justificado sobretudo pela suas duas principais ações: antioxidante e antisséptica. Todavia, ele tem sido estigmatizado por seu reconhecido potencial tóxico e causador de desconfortos como dores de cabeça e de estômago em pessoas sensíveis, principalmente os chamados atópicos como os alérgicos e asmáticos.
O SO2 só tem ação tóxica quando se encontra na forma “livre” e a sua quantidade total é a soma de sua forma livre com a sua forma combinada (ou molecular), ou seja, aquela que por afinidade química se liga a outras substâncias como no caso do vinho, os açúcares, aldeídos, cetonas e o oxigênio.
O suco de uvas se constitui um meio instável quimicamente que tende espontaneamente a se transformar sucessivamente em um produto mais estável. Assim ocorre a fermentação alcoólica que transforma os instáveis açúcares em etanol mais estável e finalmente ocorre a fermentação acética que transforma o etanol em ácido acético, último ponto de equilíbrio químico. O vinho é uma etapa intermediária e para ser preservado assim, deve ser estabilizado por adição de uma substância que impeça o curso natural de sua degradação e o SO2 é o mais versátil destes aditivos.

Ação antioxidante: uma de suas ações fundamentais uma vez que o mosto de uvas tem um enorme potencial de oxidação. Para que se tenha uma idéia, um mosto é de 10 a 40 vezes mais “oxidável” do que o seu vinho correspondente e isso se deve às atividades enzimáticas que ocorrem quando da primeira prensagem das uvas que liberam a tirosinase, uma enzima que hidrolisa os polifenóis. Lembremos que estas variações podem ser explicadas pelo fato de o mosto ser um meio inicialmente ácido e aquoso, sendo que ao longo da fermentação ele vai se tornando diferente por se transformar em um meio hidroalcoólico que vai lhe garantir uma maior estabilidade. O SO2 age removendo e indisponibilizando o oxigênio do meio e inibindo as enzimas do tipo oxidases, que catalisam as reações de oxidação.

Ação antisséptica: o anidrido sulfuroso mata bactérias lácticas, permitindo o pleno controle sobre o início da fermentação malolática (é muito importante que o enólogo não deixe esta fermentação se desencadear espontaneamente) e elimina o acetobacter, germe que necessita do oxigênio para sobreviver (aeróbico) e responsável pela reação de formação do vinagre, último estágio de tentativa de estabilização “natural” como explicado acima. As leveduras são menos sensíveis ao SO2, porém ele é capaz de inibir ou alentecer o metabolismo das leveduras selvagens em favor das selecionadas pelo enólogo.

Opção biodinâmica: nas degustações habituais o SO2 tem sido vilanizado, mas devemos lembrar que as doses preconizadas estão de acordo com as orientações da OMS e que mesmo na opção de vinhos de cultura biodinâmica, seu uso não é proscrito, pelo contrário, é admitido mas sempre obedecendo a filosofia destes produtores que pregam “a ausência total de SO2 livre no momento do consumo”. Como já vimos, o SO2 para ser inofensivo deve se combinar com outras moléculas e a biodinâmica preconiza doses que favoreçam a máxima combinação do anidrido sulfuroso para que não sobre nada ao se abrir a garrafa.
Por isso as doses são em torno de 7,5 gramas por hectolitro (g/Hl) de mosto. Para que se tenha uma idéia de proporção, as doses admitidas pela União Européia e o Brasil são de respectivamente 30 e 35g/Hl.
Mas o SO2 não tem somente estas propriedades, ele é muito importante por ser um potencial facilitador da extração de compostos fenólicos dos vinhos, momento fundamental na elaboração de vinhos tintos.

Princípios de extração fenólica: a maior parte da alma dos grandes vinhos tintos estão na sua concentração de cor e taninos, ou seja, nos compostos fenólicos que são substâncias químicas que contém um ou diversos núcleos benzênicos (aromáticos) com pelo menos um grupo hidroxila livre ou associado a outras funções, como os éteres, ésteres e heterosídeos.
Somente os vegetais e os microorganismos são capazes de sintetizar núcleos aromáticos e estes vão conferir ao vinho tinto sua cor, sabor, textura e potencial de longevidade na forma de taninos e antocianos.
Os fenóis das uvas estão compartimentados, ou seja, não estão livres dispersos no suco, mas dentro de vacúolos no interior da polpa e também nas paredes das cascas e das grainhas. Para otimizar a sua extração são necessárias algumas condições como um pH adequadamente ácido, não mais do 3,7, a presença de um solvente que é o próprio etanol que se forma durante a fermentação e finalmente de uma substância capaz de atuar desestabilizando a integridade das membranas celulares e é aqui que entra o anidrido sulfuroso pois ele age de modo eficaz provocando uma alteração da continuidade da membrana e facilita o escoamento dos conteúdos vacuolares, atuando de certa forma como um solvente também.
Não é possível extrair a totalidade dos compostos fenólicos das uvas sendo que parte deles fica retido nos bagaços e são de difícil extração, todavia na indústria de utilização de sub-produtos dos vinhos os bagaços podem ter ainda algum potencial de extração de taninos e de antocianos através do que se conhece por “maceração sulfítica”.
Fazer vinhos sem a adição de anidrido sulfuroso é possível, mas exige muita precaução, em vista do imenso potencial oxidativo do mosto. Entretanto podemos comprovar que o uso racional desta substância pode trazer excelentes resultados nos nossos vinhos.
Concluindo, a não utilização do SO2 pode terminar por exigir o uso de técnicas “piores”, tais como a utilização de ácido ascórbico, sorbato de potássio, filtração estéril e pasteurização, todos eles podendo causar alterações de sabor ou algum grau de toxicidade.
É impossível conceber um vinho sem nenhum traço de SO2 porque as próprias leveduras produzem esta substância como parte de seu metabolismo. Este SO2 das leveduras é chamado de “SO2 endógeno”. Por isso certos vinhos de certificação orgânica indicam no rótulo a frase “não foram adicionados sulfitos” juntamente a outra dizendo “sulfitos ocorrem naturalmente” (que é o sulfito endógeno).
Como última curiosidade: a elaboração do vinho libera o Acetaldeído, que sem a presença do SO2, geraria um imponente odor de cidra.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

13ª Seleção dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi

Eu estava decidida que não iria faltar em nenhuma edição desse concurso, mas, dado ao aumento abusivo, extorsivo e absurdo que foi dado nos ingressos eu me neguei a comparecer! Mas mesmo assim mantenho-me firme a intenção de espalhar a informação, portanto, segue abaixo o resultado da 13ª Edição dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi!
A surpresa para mim foi a premiação concedida a Cave Darci Locatelli, cujo Ancelotta eu fico aqui devendo minhas impressões degustação!


Foram distribuídas 38 medalhas de Ouro, 6 de Prata e 14 Menções Honrosas




Cave Darci Locatelli recebeu 01 medalha de ouro pelo seu Ancellota

Sr. Luiz Sella da Vinícola Peterlongo recebeu 05 medalhas e 01 menção honrosa!
Lourena Pedrucci recebe 01 medalha de ouro pelo Espumante Casa Pedrucci Reserva.
Em evento realizado na noite desta sexta-feira, 21/08, foi divulgado o resultado da 13ª edição da Seleção dos Melhores Vinhos, Espumantes e Sucos de Garibaldi. O evento contou com uma série de autoridades políticas e também de entidades do setor, como Ibravin e Embrapa Uva e Vinho.
A avaliação contou com várias etapas. Num primeiro momento foi feita a coleta das amostras nas próprias vinícolas, e de 13 a 18 de julho, estas 127 amostras, divididas em 16 categorias, foram avaliadas por um grupo formado por dezenas de enólogos e profissionais do setor. Ao todo, 17 empresas participaram com a cedência de produtos, e 16 receberam premiações, sendo medalhas de ouro e prata e menções honrosas. As menções vão para vinícolas cujos produtos atingiram pontuação de ouro, mas que por força do regulamento baseado na Organização Internacional do Vinho (que define que apenas 30% das amostras inscritas sejam premiadas), acabam não recebendo medalhas.
Foram distribuídas 38 medalhas de Ouro, 6 de Prata e 14 Menções Honrosas. Confira abaixo a relação das vinícolas premiadas com seus respectivos produtos:


ADEGA CHESINI
Ouro (5)
  • -Vinho Branco de Mesa Lorena 2015
  • -Vinho tinto Fino Merlot 2015
  • -Vinho tinto fino Gran Vin 2011
  • -Espumante Moscatel
  • -Suco de Uva Integral

Menção Honrosa (1)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015


CASA PEDRUCCI
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Casa Pedrucci Reserva Champenoise


CAVE DARCI LOCATELLI
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho tinto fino Ancellotta 2014


COOPERATIVA VINÍCOLA GARIBALDI
Medalha de Ouro (6)
  • -Vinho Branco Fino Chalet Du Clermont Chardonnay
  • -Vinho Tinto Fino Tannat 2015
  • -Vinho Tinto Fino Tannat Granja União 2014
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon Granja União 2014
  • -Espumante Garibaldi Moscatel Rosé
  • -Suco de Uva da Casa Tinto Orgânico

Medalha de Prata (2)
  • -Vinho Branco Fino Chardonnay 2015
  • -Vinho Tinto Fino Chalet Du Clermont Merlot
  • Menção Honrosa (2)
  • -Suco de Uva Garibaldi Branco Integral
  • -Espumante Garibaldi Brut Chardonnay


DOMNO DO BRASIL
Medalha de Ouro (2)
  • -Espumante Ponto Nero Brut Rose
  • -Espumante Ponto Nero Brut

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Ponto Nero Moscatel


ESTABELECIMENTO VINÍCOLA ARMANDO PETERLONGO
Medalha de Ouro (5)
  • -Vinho tinto fino Merlot 2015
  • -Elegance Peterlongo Champagne Brut Nature
  • -Presence Peterlongo Champagne Brut Champenoise
  • -Privillege Peterlongo Espumante Brut Rose
  • -Presence Peterlongo Espumante Moscatel Rose

Menção Honrosa (1)
  • -Presence Peterlongo Champagne Extra Brut


INDÚSTRIA DE VINHOS MÂNICA
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015

Menção Honrosa (1)
  • -Suco de Uva


INDÚSTRIA VINÍCOLA AGOSTINI
Medalha de Ouro (4)
  • -Vinho Rosado de Mesa 2015
  • -Vinho Branco Fino Riesling
  • -Espumante Brut Champenoise
  • -Espumante Branco Moscatel

Menção Honrosa (2)
  • -Vinho Tinto Mesa Bordô 2015
  • -Suco Integral


INDÚSTRIA VINÍCOLA LA CANTINA
Medalha de Ouro (2)
  • -Vinho Branco Fino Riesling
  • -Vinho tinto fino Cabernet Sauvignon


INDÚSTRIA VINÍCOLA SÃO LUIZ
Medalha de Ouro (4)
  • -Vinho Tinto de Mesa Bordô 2015
  • -Vinho Branco Fino Moscato 2015
  • -Suco de Uva Integral
  • -Espumante Dom Naneto Extra Brut

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Dom Naneto Moscatel Rose


VINÍCOLA BATTISTELLO
Medalha de Ouro (1)
  • -Vinho Tinto Fino Tannat

Medalha de Prata (1)
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon 2015

Menção Honrosa (1)
  • -Suco de Uva Integral


VINÍCOLA CARLESSO
Menção Honrosa (1)
  • -Vinho Branco de Mesa Niagara 2015


VINÍCOLA COURMAYEUR DO BRASIL
Medalha de Ouro (2)
  • -Espumante Moscatel
  • -Espumante Brut Charmat

Medalha de Prata (2)
  • -Espumante Demi-sec
  • -Espumante Prosecco

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Brut Rose


VINÍCOLA PERINI
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Perini Champenoise

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Casa Perini Aquarela Moscatel Rose


VINÍCOLA VACCARO
Medalha de Ouro (2)
  • -Vinho tinto Fino Merlot 2015

-Suco de Uva
Medalha de Prata (1)
  • -Vinho Tinto Fino Cabernet Sauvignon 2013

Menção Honrosa (1)
  • -Espumante Branco Moscatel

VITIVINÍCOLA SANTA BÁRBARA
Medalha de Ouro (1)
  • -Espumante Branco Moscatel



domingo, 23 de agosto de 2015

12ª CONFRARIA DO ESPUMANTE - Milantino

No dia 26 de junho tivemos a nossa 12ª Edição da Confraria do Espumante de Garibaldi., dessa vez sendo recebidos com todo o carinho na Vinícola Milantino, propriedade do Sr. Luis Milani.


Milani nos recebeu apresentando o novo belíssimo espaço criado especialmente para eventos e degustações dirigidas. Na ampla sala dominada por uma enorme lareira, a sensação de aconchego paz era impar.
A vinda da Família Milani ao Brasil, deu-se no final do século XIX, onde estes imigrantes instalaram-se no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Além de muita coragem, força e trabalho, trouxeram na bagagem as primeiras mudas de videiras, para, no solo Brasileiro, plantarem e aqui produzirem o vinho para consumo próprio.


A produção de uvas, sempre foi a principal atividade, sendo a produção vendida para uma cooperativa.
Em 1989, nasce a pequena adega familiar, Milantino Vinhos Finos Ltda, com a filosofia de elaborar vinhos de alta qualidade com produções limitadas.Os vinhos Milantino, são elaborados com uvas cultivadas em vinhedos próprios, e que seguem um criterioso cuidado, desde o cultivo das videiras, até a seleção das uvas durante a colheita. é realizado um monitoramento constante nos vinhedos, de forma a controlar e reduzir significativamente a produção de uva por planta, visando obter uma matéria-prima com excelente índice de maturação, um alto teor de açúcares e maior concentração de polifenóis, fator essencial para elaboração de bons vinhos com uma complexidade ainda maior. São realizados testes em laboratório de pequenas amostras das uvas antes da colheita, para ver o índice de maturação dos polifenóis e dos taninos, para decidir com maior precisão o momento exato de vindimar.
A área plantada é de 7 hectáres, sendo cultivadas as seguintes variedades: Cabernet sauvignon, Merlot, Malvasia de Cândia, Ancellotta, Tannat, e Teroldego.
O foco da vinícola é a elaboração de vinhos de guarda, que eu já tive a oportunidade de degustar e são realmente muito interessantes. Na confraria provamosos a linha de espumantes, todos pelo método champenoisse. que também carregam consigo a mesma excelencia voltada a elaboração dos vinhos tintos.

Foram provados um Brut, um Rosê e um Extra Brut.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

11ª CONFRARIA DO ESPUMANTE DE GARIBALDI - Casa Pedrucci

Em 29 de maio conhecemos uma das mais poéticas, longínquas e escondida das Vinícolas de Garibaldi Tá nem é tão longe, mas é escondida pacas, tanto que fomos todos em comboio para ninguém se perder!
A aventura para chegar lá valeu a pena, conhecer Gilberto Pedrucci é uma honra! Simpático, inteligente e apaixonado pela vida Gilberto é daquelas pessoas que a gente quer ter sempre por perto, par perfeito com  a esposa Lourena que esbanja sorriso e simpatia e nos recebeu com todo o carinho do mundo!
A vinícola de Pedrucci é um belíssimo pavilhão de basalto com mais de 100 anos e totalmente restaurado. 

Gilberto Pedrucci é sem dúvida um dos mais respeitados, renomados e influentes enólogos do Brasil, Eleito em 2005 como enólogo do ano, Vice Presidente da CPEG - Consórcio de Produtores de Espumante de Garibaldi, enólogo por 23 anos da centenária Vinícola Peterlongo e durante um bom tempo também ficou ao lado de Mario Geisse na Cave de Amadeu, Pedrucci já foi presidente da Sindivinho, da ABE e foi o único brasileiro a receber "Medalha de Ordem ao Mérito Agrícola" e o título de "Chevalier" do Ministério de Agricultura Frances, no ano 2000.
Pedrucci faz questão de elaborar todos os seus espumantes pelo método champenoisse, ele resume a qualidade da bebida em 04 fases. A matéria prima, o assemblage, a maturação e o degorgement. Nada mais natural que 03 de seus espumantes estejam destacados no renomado Guia Descorchados, além de diversas e importantes premiações que seus produtos colecionam ano a ano. Gilberto Pedrucci defende e prova que Garibaldi tem o terroir perfeito para elaboração de espumantes top de linha!












Para a confraria ele nos reservou 3 de seus melhores espumantes: O casa Pedrucci Brut Tradicional com 18 meses de autólise; Casa Pedrucci Brut Reserva, com 30 meses de autólise e o Casa Pedrucci Millesime, safra 2010, feito somente em anos muito especiais.
Para terminar nova rodada de espumantes  no mezanino dessa vez acompanhada pelas delicias preparadas pela esposa Lourena! Foi sem dúvida uma noite inesquecível!

sábado, 18 de julho de 2015

10ª CONFRARIA DO ESPUMANTES - ADOLFO LONA

Desde antes de resolver vir morar nessa terra abençoada eu trocava algumas ideias com pessoas especiais como Adolfo Lona. Vim para cá e na correria da mudança só fui conhece-lo pessoalmente mais de 01 ano depois de instalada em terras galdérias. A oportunidade se deu em março de 2015 por ocasião do 10ª encontro da Confraria do Espumante de Garbaldi, ocasião também que sagrou a minha  primeira participação nesse evento.




 Adolfo é inegavelmente uma pessoa encantadora, um verdadeiro gentleman. e em sua apresentação mostra o porque realmente é conhecido como o Mago dos Espumantes, ele deu uma aula a todos os confrades abordando desde a historia, elaboração e passando em detalhes também por serviço e degustação!



Foram degustados 05 espumantes uma verdadeira aula sobre as diferenças entre métodos e tipos de borbulhantes.

  • BRUT CHARMAT: Elaborado em grandes tanques de auto clave pelo método Charmat Longo,  esse espumante tem como base a uva Chardonnay com um leve toque de Pinot Noir, se mostra leve e equilibrado ao paladar.
  • BRUT ROSÊ: Como uma grande amante de espumantes rosês eu não posso negar que depois do PAS DOSÉ esse foi meu queridinho da noite. e um assemblage perfeito de Chardonnay e Pinot Noir, esse espumante mostra uma coloração belíssima lembrando casca de cebola e sabor intenso e cremoso. Também elaborado pelo método charmat longo com 06 meses de autólise,
  • BRUT CHAMPENOISE:  elaborado com Chardonnay e Pinot Noir esse espumante  tem apenas 08 gramas de açúcar por litro e permaneceu em autólise por 18 meses.  Um espumante perfeito ao paladar!
  • NATURE (PÁS DOSE): Meu preferido da noite, um espumante elaborado pelo método champenoise, 18 meses de autólise e um discreto e delicioso toque de carvalho. Um espumante intenso, estruturado e inesquecível!
  • DEMI-SEC: para agradar alguns paladares Adolfo nos serviu um demi-sec para fechar a noite.  Elaborado pelo método Charmat com a uva Moscato  com 4 meses de autólise. Com esse espumante, a proposta  de Lona é oferecer ao mercado um produto diferenciado, com teor de álcool de 12% semelhante aos espumantes tradicionais, e conteúdo de açúcares de 25 gramas por litro. Um espumante bem interessante, intensamente aromático e com excelente equilíbrio entre açúcar e acidez.
Ainda me restou a curiosidade de provar o delicioso ORUS PÁS DOSE, espero em breve ter essa oportunidade e aproveitar para conversar e aprender mais um pouco com essa figura simpática que é o nosso Mago dos Espumantes!



TEXTO RETIRADO DO JORNAL BON VIVANT:

Autoridade quando o assunto é espumantes, Adolfo Lona chegou ao Brasil em 1973 contratado pela Martini & Rossi. O objetivo era elaborar uma bebida de qualidade superior. E o fez. O espumante De Gréville foi lançado em 1975 e foi um sucesso. Na época em que o argentino chegou ao Brasil, a Martini era presidida por Francisco Reti. “Era um visionário; o setor deve agradecer pelo seu empenho. Ele acreditou no potencial para produzir espumantes e no potencial do mercado consumidor brasileiro, conta Lona. A Martini foi adquirida no início dos anos 1990 pela Bacardi, fabricante de rum. “Essa mudança de cultura fez com que se perdesse o entusiasmo e o foco em permanecer na área de vinhos e espumantes. Ao comprovar isso decidi sair em 2004 e abrir minha pequena vinícola produtora de espumantes. O fiz acreditando na minha capacidade e no potencial que ainda o mercado oferece”, explica. Hoje a Adolfo Lona elabora em torno de 65 mil garrafas de espumante por ano.

Lona veio para contribuir com a qualidade dos espumantes no Brasil. Passados 40 anos desde sua chegada, o enólogo afirma que houve muitos avanços, principalmente com relação à colheita e à escolha dos equipamentos tecnológicos. “Eu destacaria também avanços na área vitícola, como a implantação do sistema de condução em espaldeira, que permite obter uvas mais sadias e maduras, e a consolidação do cultivo de Chardonnay e Pinot Noir. Na área enológica, os procedimentos para elaborar espumantes, tanto pelo método charmat como pelo método tradicional, foram aperfeiçoados e dominados por um elevado número de enólogos”, diz Lona. E completa: “nossos espumantes são diferentes porque têm cores, aromas e sabores próprios, bem brasileiros. Estamos na categoria dos espumantes de alta qualidade do mundo, com nosso estilo, com nosso sabor, com nosso DNA. Hoje, sem sombra de dúvida, o Rio Grande do Sul sabe como elaborar espumantes de qualidade”.

De acordo com o especialista, o consumo de espumante cresce a cada ano porque o brasileiro descobriu os atributos do espumante: alegre, leve, descontraído, sofisticado, versátil. “O espumante é a bebida que tem tudo a ver com o brasileiro e com boa parte de sua gastronomia. As pessoas perderam o preconceito que limitava o consumo a festas e comemorações. O desafio é acompanhar esse crescimento com produtos cada vez melhores e não permitir que alguma coisa possa prejudicar esse caminho de crescimento. A evolução do mercado comprova que os espumantes nacionais são os preferidos dos consumidores na comparação com os importados. Este é um patrimônio que não pode ser jogado fora ”.

PÉROLAS DA SERRA GAÚCHA - Vinícola Angelo Fantin

CASA FANTIN – Um paraíso perdido em meio a Monte Belo do Sul



Longe do tradicional circuito de vinícolas da serra gaúcha, na Linha Argemiro em Monte Belo do Sul se esconde  a Vinícola Casa Ângelo Fantin. Conhecer essa vinícola é  privilégio para poucos!
Descobrimos a vinícola por conta  de minha paixão por casas antigas.  Aristides Fantin o dono da Vinícola restaurou a casa de pedra de seu bisavô,  casa que data de 1878. 
Cada pedra foi reencaixada pelas mãos do vinicultor Aristides Fantin que carrega em sua alma a paixão pela história da família que veio da Itália nos idos de 1970.
Hoje a casa recebe grupos  para degustar a maravilhosa comida colonial  preparada pelas mãos caprichosas de  legítimas nonas italianas acompanhada pelos vinhos fantásticos elaborados em sua cantina.







A cantina de Fantin está anexo a casa de pedra e a  sua moradia também . O cuidado de Fantin com seus vinhos é de emocionar. Desde a uva de vinhedos próprios, o cuidado com a maturação, o momento exato de colher, as passagens diárias na cantina para verificar o andamento da fermentação.  O merlot de 2015 por exemplo  foi colhido em 3 fases de forma a colher todas as uvas completamente maduras. Aliás, o grande diferencial de Aristides Fantin  é o fato de todos os seus vinhos serem elaborados de vinhedos próprios.
A vinícola foi fundada em 2008 e  quase todos os seus vinhedos são em espadeira simples com  baixíssima produção  todas inferiores a 2  quilos por planta a maioria até 1.5 quilos por planta! Uma produção mais do que pequena !






Os  vinhos de Aristides Fantin exalam alma e paixão. Tomamos amostras de tanque de todos os vinhos da safra de 2015, todos impressionantes em qualidade! Aliás, os vinhos de Fantin,  só pelo fato de estarem no tanque,  já mostram que foram aprovados por sua  analise criteriosa.  Fantin não aceita fazer vinhos medíocres, o vinho que fica mais ou menos ele simplesmente descarta! Foi assim em 2013 com o Cabernet  Franc  e 2014 com o Cabernet Sauvignon.
Do Merlot 2014 trouxemos alguns exemplares  é um vinho intenso em coloração e aromas com taninos muito equilibrados e grande frescor. Perfeito para acompanhar brusquetas  queijos e pão italiano com azeite!


Fantin acredita na pureza dos vinhos e só elabora varietais sem passagem em barrica. Faz experiências interessantes como a elaboração de um Prosecco como vinho tranquilo e um Moscato Canelli seco, perfumado, encorpado e super mineral.  
O Cabernet Franc de 2015 que ainda está em tanque é uma promessa de intensa qualidade, já encomendamos 02 caixas!

Enfim, a visita na Casa Fantin é uma rara oportunidade de se entender a verdadeira alma e coração do imigrante italiano.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

CONFRARIA DO ESPUMANTE DE GARIBALDI - O NASCIMENTO

Com muito orgulho sou uma das participantes assíduas da Confraria do Espumante de Garibaldi desde a sua 10ª edição, mas como surgiu essa confraria?
Em março de 2013, em homenagem ao Dia da Mulher aconteceu uma Confraria montada pela Secretaria de Turismo e Cultura de Garibaldi,Sra Ivane Fávero,  com o apoio da prefeitura da cidade. A confraria foi realizada somente com mulheres e dai se percebeu que a maioria das inscritas nunca tinha participado de uma degustação orientada nem muito menos conhecia as vinícolas de nossa região.
Desta constatação surgiu a ideia de montar uma confraria aberta a homens e mulheres com mais de 18 anos a fim de conhecer melhor o produto e as vinícolas da região de Garibaldi. 
O primeiro encontro foi em julho de 2014 e aconteceu na Vinícola Peterlongo, a mais antiga produtora de espumantes do Brasil, e a primeira e hoje única vinícola a poder ostentar em seus rótulos  a denominação CHAMPAGNE.
Depois seguiram-se vários encontros passando pela Vinícola Garibaldi, Chandon Vaccaro,  Courmayeur, Adolfo lona, Pedrucci, Milantino entre outras. No geral todas as vinícolas da região serão contempladas com a visita da Confraria.
Todas as edições que participei mostraram-se exemplares em organização, com didática perfeita e grande entusiasmo dos participantes. Um outro ponto a se ressaltar é a excelente receptividade e hospitalidade com que somos recebidos em todas a vinícolas escolhidas 
Quer saber mais? Escreverei sobre todas as edições que participei aqui no Blog.

sexta-feira, 6 de março de 2015

DADOS TÉCNICOS DA EVOLUÇÃO DA VINICULTURA GAÚCHA

Se você, assim como eu, adora os bastidores do vinho vai gostar muito dessa matéria da REVISTA ADEGA!

Não há discussão de que a vitivinicultura no Brasil, apesar de já centenária, ainda está se aprimorando em diversas áreas e um passo importante para entender quais direções nossos produtores estão tomando foi dado recentemente com a divulgação da nova edição do Cadastro Vitícola, com informações de 2008 a 2012 (incorporadas a outras desde 1995).
O Cadastro, realizado em parceria pela Embrapa Uva e Vinho e o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), fornece dados importantes sobre o comportamento dos vinhedos e suas finalidades nas últimas duas décadas. Com um aumento das áreas georreferenciadas e, com isso, uma maior precisão no levantamento de dados, é possível verificar quais uvas são as mais plantadas em cada região e como seus cultivares evoluíram com o passar do tempo. Pode-se ainda detalhar os tipos e a origem dos porta-enxertos, os sistemas de condução mais usados, a idade média dos vinhedos etc. Tudo isso dividido por regiões e municípios.
São dados como esses que servem de base e devem respaldar políticas relacionadas à indústria do vinho. Entre as informações interessantes que se têm no Cadastro, por exemplo, é que – de 1995 a 2012 – a área total de hectares de vinhedos no Rio Grande do Sul aumentou cerca de 68% (de 24 mil para 41 mil ha). No entanto, as uvas viníferas respondem por apenas 16% da área atual, com pouco mais de 6,6 mil hectares, tendo crescido 43% no período. Já as uvas americanas e híbridas tiveram evolução bem maior desde 1995 (88% e 62% respectivamente), representando mais de 80% dos vinhedos (cerca de 44% para as americanas e 40% para as híbridas).

O sistema de condução em latada predomina nos vinhedos gaúchos
As uvas viníferas respondem por 16% da área atual de vinhedos no Rio Grande do Sul, com pouco mais de 6,6 mil hectares, tendo crescido 43% de 1995 a 2012

Domínio da Cabernet Sauvignon

A híbrida Isabel e a americana Bordô são disparadas as campeãs em área de cultivo no estado com 11.264,54 e 8.637,56 hectares respectivamente, significando que impressionantes 27% dos cultivares são de Isabel e 21% de Bordô. Esta variedade, aliás, vem apresentando um crescimento vertiginoso (mais de 5% ao ano) desde 1995, quando possuía pouco mais de 2,5 mil hectares.
A vinífera mais popular é a Cabernet Sauvignon. Ela aparece em sétimo lugar entre as uvas mais plantadas em termos de área, com 1.341,67 hectares e produção de 12.556,92 toneladas, ou seja, 20,31% da área e 15,5% da produção total de viníferas do Rio Grande do Sul. Interessante notar que a variedade teve um crescimento quase exponencial desde 1995, quando possuía 423,64 hectares, até 2007, ao atingir 1.868,48 ha, mas, desde então, vem caindo em torno de 6% ao ano.
A segunda vinífera mais plantada é a Merlot, com 887,41 ha, representando 13,43% da área. Em seguida vem uma branca, a Chardonnay, com 822,91 ha (12,46% da área). A Merlot, assim como a Cabernet Sauvignon, teve aumento de área constante desde 1995 até 2007, chegando a ocupar 1.089,45 hectares, mas também sofreu queda nos últimos anos. A Chardonnay teve comportamento parecido, com elevação até 2007 e, no ano seguinte, queda. Todavia, recuperou-se em 2009 e teve um grande salto em 2012, com aumento de 22% em sua área.
Já a Moscato Branco teve poucas oscilações no período, mas também vem sofrendo decréscimos desde 2008, e hoje tem 631,42 hectares, o que, contudo, não é muito diferente do que tinha em 1995 (611,03 ha). Ainda assim, ela se mantém entre as quatro viníferas mais cultivadas. Mais do que isso, ela é a de maior produção, com 13.729,33 toneladas, superando a Cabernet nesse quesito.
Mais abaixo na lista estão a Tannat, Pinot Noir (única entre as top 10 viníferas que apresentou crescimento quase 100% constante no período – lembrando que ela também é usada para fazer espumantes), Riesling Itálico, Cabernet Franc, Trebbiano e Moscato Giallo, todas já com menos de 400 hectares no total e produções de menos de 5 mil toneladas.
Aliás, se somados todos os tipos de Moscatos e Moscatéis, chega-se a 874,68 hectares, muito próximo dos valores da Merlot. Vale lembrar ainda que, no ano 2000, a Moscato Branco era a vinífera mais cultivada, tendo superado a Riesling Itálico, que, em 1995, era a número um da lista. A Cabernet Sauvignon só assumiria a liderança em 2001 e daí não saiu mais. Por outro lado a uva que mais perdeu espaço foi a Sémillon que, em 1995, era a sétima vinífera de maior área, com 279,58 hectares, e hoje conta com meros 24,53 ha.
No total, o estado cultiva 143 cepas diferentes de uva, sendo 99 viníferas. No entanto, apenas 29 variedades dominam 95% da área das vinhas ditas europeias. Para mais detalhes, confira os gráficos de evolução (desde 2003) das principais uvas cultivadas abaixo.

Latada x Espaldeira

Outro dado interessante do Cadastro é o predomínio da latada ainda como sistema de condução predileto, mesmo para as uvas viníferas. No geral, com dados de 2012, a latada representa mais de 91% da área, com mais de 37 mil hectares, enquanto a espaldeira tem 7,82%, com 3,2 mil ha. Se considerarmos apenas a área de viníferas, a latada representa cerca de 67% e a espaldeira pouco mais de 27%. Mais interessante ainda notar que a proporção de latada entre as viníferas aumentou desde 2008, quando atingia por volta de 58% dos vinhedos. Na época, a espaldeira compreendia 35% das viníferas.
A Cabernet Sauvignon é a uva mais popular nos vinhedos gaúchos, ocupando 20,31% da área total de viníferas do estado

Municípios

Segundo os dados e mapas do Cadastro, atualmente, 168 municípios do Rio Grande do Sul têm produção de uvas. A viticultura está presente em 28 das 35 microrregiões do Rio Grande do Sul, sendo a região de Caxias do Sul a mais relevante, com 32.952,33 hectares, ou 80,22% da área cultivada e responsável por 77,39% da área de variedades americanas, 92,19% de híbridas e 58,37% de viníferas do estado.
Na região de Caxias, destaque para Bento Gonçalves. O município lidera em área de vinhedos, com 6.194,24 hectares, pouco mais de mil hectares acima da cifra de Flores da Cunha (com 5.034,13 ha), que é seguida pela cidade de Caxiasdo Sul (mais de 4 mil hectares), Farroupilha (3,7 mil ha), Garibaldi (2,4 mil ha), Monte Belo do Sul (2,2 mil ha), Nova Pádua (1,5 mil ha), Antônio Prato (1,4 mil ha), Cotiporã (1,18 mil ha) e São Marcos (1,12 mil ha), as 10 primeiras na lista. Lembrando que os dados são de 2012.
Bento Gonçalves apresentou aumento de 17,68% na área vitícola nos últimos 10 anos, já Flores da Cunha subiu 18,53% no período, Caxias do Sul ,14,2%, e Farroupilha, 6,13%.
 
O estado cultiva 143 cepas diferentes de uva, sendo 99 viníferas. No entanto, apenas 29 variedades dominam 95% da área das vinhas ditas europeias

Uva para quê?

Por fim, o gráfico de 2012, que mostra a finalidade da produção de uvas do Rio Grande do Sul, aponta que 88% da uva produzida no estado (o equivalente a 672.482,84 toneladas) é vendida para terceiros que vão processar e elaborar sucos, vinhos e derivados. Apenas 3% das uvas, pouco mais de 26 mil toneladas, são processadas pelos próprios viticultores – uma queda acentuada em comparação com 2008, quando quase 43 mil toneladas eram processadas pelas próprias indústrias e cantinas rurais. De 2008 a 2012, aumentou também a produção de uvas para serem consumidas in natura (de 32 para 38 mil toneladas), que hoje representam 5% do total.
Nesse período, a produção total de uvas no Rio Grande do Sul oscilou. Apesar de nos últimos cinco anos ela ter apresentado um aumento de 12,8%, saindo de 688,7 mil toneladas para 757,5 mil, houve queda de produção em 2009 e 2010, retomada em 2011 e nova queda em 2012, reflexo não somente do clima, mas também dos aumentos e diminuições das áreas totais de vinhedos nesses anos.

Para pensar

Informação é fundamental, ainda mais num país com poucos dados e muitas opiniões. Temos certeza de que as informações também chamaram sua atenção. Nesse sentido, acreditamos que o Cadastro Vitícola deveria ser adotado por todas as regiões produtoras e não apenas pelo Rio Grande do Sul, afinal, no mundo das formulações estratégicas, fazer o diagnóstico errado equivale a receitar o remédio também errado.