Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

sábado, 16 de novembro de 2013

A profissão de sommelier


Publicada na Revista BEM MAIS OSASCO - Novembro 2013

O termo sommelier origina-se de somme/sommier, em provençal saumalier, isto é, o responsável pelos animais de carga, os bois que puxavam os carros usados no transporte de comida e bebida. Em resumo, o carroceiro dos castelos e palácios, que, por transportar as pipas de vinho, acabou sendo incumbido de provar seu conteúdo antes que fosse servido aos Reis e nobres, para evitar tentativas de envenenamentos durante o transporte.
Quando da popularização dos restaurantes em Paris, no final do séc. XVIII, convencionou-se que quem trazia ou transportava o vinho ficava com a obrigação de prová-lo, não só pelo motivo exposto Ac ima, mas também para garantir se o produto era de boa qualidade.
Assim, paulatinamente, nasceu a profissão como é conhecida hoje; o Sommelier é responsável pela escolha, compra, recebimento, guarda e pela prova do vinho antes que seja servido ao cliente.
O sommelier é o profissional que desempenha suas funções em restaurantes é conhecido como "o maitre das bebidas e dos charutos". Ou seja, o sommelier deve conhecer, para poder orientar seu cliente, sobre todo tipo de bebida, desde água, café, chás e muito especialmente bebidas alcoólicas. Atualmente, com o advento da fase dos charutos, voltou a fazer parte de suas atribuições.
A imagem do sommelier esta mudando. Se, durante muitos anos ele foi alguém que conhecia vinhos e sabia servi-los a perfeição, hoje lhe são exigidos habilidades e conhecimentos mais profundos e diversificados.
O serviço do vinho ainda é o aspecto mais fascinante dessa atividade, pois permite ao sommelier mostrar suas qualidades profissionais e também humanas.
Hoje é cada vez mais importante que o sommelier saiba criar e atualizar a carta de vinhos, fazer boas aquisições, administrar bem uma adega e controlar as finanças e o marketing da empresa para a qual trabalha.
Embora a experiência seja imprescindível, o sommelier nunca deve esquecer de que a informação atualizada é fundamental. A  profissão de sommelier exige estudo ininterrupto, pois ao se mudar a safra muda-se tudo. É indispensável que o profissional  tenha pleno conhecimento de Geografia, Historia e esteja sempre informado sobre o clima nas diversas regiões vitivinicolas.
Recentemente a profissão foi regulamentada no Brasil, através da Lei 12.467, de 26 de agosto de 2011, reconhecendo a importância desse profissional no setor de alimentos e bebidas. As mudanças virão mais a longo prazo. A regulamentação deve contribuir para a valorização da profissão, o que provavelmente trará maiores salários e benefícios, mas com a contrapartida de maior exigência em relação à formação profissional e a cursos complementares (conhecimento de idiomas, por exemplo), como já ocorre na Europa e nos Estados Unidos.
Para seguir nessa profissão que está em ampla ascensão é necessário gostar de atender o público, ser um apaixonado pelo vinho, ter humildade e determinação para seguir aprendendo, sempre. Com relação aos cursos, nos últimos anos houve grande crescimento na oferta, infelizmente nem sempre acompanhado pela melhora na qualidade do ensino, que continua sendo privilégio de poucas entidades e instituições reconhecidas como referências na área.

A ABS São Paulo é, hoje, uma das mais respeitadas, destacando-se por oferecer uma formação profissionalizante completa, desenvolvida tendo em vista a realidade do mercado brasileiro e as qualificações que se espera de um verdadeiro Sommelier. A ABS-SP oferece uma grade completa de cursos de formação e de especialização, ministrados por profissionais altamente qualificados, entre os quais alguns dos sommeliers mais respeitados em atividade no mercado, com muitos anos de experiência na área.

Fontes:
·         Site da ABS-SP

·         Livro:  Sommelier, a profissão do futuro.

OS VINHOS MAIS CAROS DO MUNDO

A ser publicado na revista BEM MAIS OSASCO - DEZEMBRO 2013

Desde sua criação o vinho sempre foi um produto nobre, destinado a poucos e desejado por muitos.  O vinho sempre carregou consigo um ar de realeza, luxo e ostentação.
Por conta disso é que temos hoje vinhos que são verdadeiras joias, que custam pequenas fortunas por uma só garrafa.  Parafraseando Robert Parker eu acredito que nenhum vinho deveria custar mais de US$ 100 , o que passar disso é pura especulação, porque então temos vinhos que passam da casa dos US$ 1.000? A resposta é uma só: Lei da oferta e da procura”.
Em meados da década de 80, o bilionário Malcolm Forbes pagou, num leilão, US$ 155.000 por uma garrafa de vinho. A garrafa continha um vinho de 1787 que, segundo diziam, pertencia à adega do presidente Thomas Jefferson (um grande amante de vinhos de Bordeaux). A garrafa foi colocada em demonstração, na posição vertical e sob um forte foco de luz. A rolha secou, caiu para dentro e o vinho perdeu-se.
Resumidamente, vinhos caros são elaborados apenas em safras  excepcionais, feitos a partir de processos rigorosamente definidos e sempre em pequena quantidade, inevitavelmente são capazes de resistir ao tempo, impreterivelmente reconhecidos e aclamados por críticos no mundo todo e  feitos por produtores de grande renome e tradição.
Veja abaixo alguns casos dos vinhos mais caros do mundo com seu preço aproximado em reais. “ cotação 2003 “.

ROMANÉE-CONTI (TINTO)
Região: França- Borgonha
Uvas: Pinot Noir
Preço aproximado: R$ 30.000,00
Sem dúvida, a Domaine de la Romaneé-Conti é a propriedade mais famosa da Borgonha. Em uma parcela de 1,8 hectare, se produz apenas 6 mil garrafas do famoso La Romaneé-Conti a cada safra. O vinho é marcado por elegância e sedosidade e está entre os mais procurados e desejados do mundo.

PÉTRUS (TINTO)
Região:  França- Bordeaux
Uvas:  Merlot (predominante) , Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc
Preço aproximado: R$ 18.000,00 
Produzido em Pomerol, o Pétrus é um dos tintos lendários de Bordeaux, ainda que não seja um Premier Grand Cru (não existe classificação oficial para os vinhos do Pomerol). O vinho apresenta potência, volume e taninos firmes, mas elegantes. Ele se tornou especialmente conhecido depois que a Rainha Elizabeth II se encantou com o vinho e ele foi servido em seu casamento e em sua coroação.

CHÂTEAU MOUTON ROTHSCHILD (TINTO)
Região: França-Bordeaux
Uvas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Merlot
Preço aproximado: R$ 15.000,00 
Desde o fim da II Guerra Mundial, os rótulos desse Premier Grand Cru são marcados por obras originais de artistas contemporâneos, convidados especialmente pela vinícola. Nomes como Salvador Dalí (1958), Joan Miró (1969), Marc Chagall (1970), Pablo Picasso (1973) e Andy Warhol (1975) já adornaram suas garrafas.


 CHÂTEAU LATOUR
Região: França-Bordeaux
Uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc
Preço aproximado: R$ 6.000,00 
Também um Premier Grand Cru, Latour tem o perfil clássico característico dos tintos da região de Pauillac, considerado por muitos o mais potente dos cinco Grand Crus. Uma garrafa magnum da safra de 1961, por exemplo, já foi vendida por US$ 62 mil. Uma curiosidade: por volta do século XVII, Lafite, Mouton e Latour pertenceram a um mesmo dono, o Marquês de Segur, dito "Príncipe dos Vinhos".

CHÂTEAU MARGAUX (TINTO)
Região: França-Bordeaux
Uvas:  Cabernet Sauvignon,  Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc
Preço aproximado: R$ 5.000,00
Junto com o Château Lafite, Margaux é o mais estiloso e aristocrático dos Premières Grand Crus. Poderoso e elegante, sua estrutura lhe garante grande longevidade. Gioacchino Rossini, um dos mais famosos compositores italianos de ópera chegou a compor uma canção em homenagem a este vinho.

CHÂTEAU CHEVAL BLANC (TINTO)
Região: França-Bordeaux
Uvas: Cabernet Franc e Merlot
Preço aproximado: R$ 5.000,00
Sem dúvida, um dos mais profundos vinhos de Bordeaux, classificado como PremierGrand Cru Classé A da região de Saint-Émilion. Cepas: Cabernet Franc e Merlot. Ganhou mais notoriedade no filme "Sideways" e também em "Ratatouille". Uma garrafa de 6 litros já foi vendida por mais de US$ 300 mil em leilão recente.

CHÂTEAU LAFITE ROTHSCHILD (TINTO)
Região: França- Bordeaux
Uvas:  Merlot, Petit verdot e Cabernet Franc
Preço aproximado: R$ 3.500.00
Classificado como o primeiro dos Premières Grand Crus em 1855, a pequena e elegante vinícola é sinônimo de riqueza, prestígio, história, respeito e é conhecida por produzir vinhos de notável longevidade. Uma garrafa de 1787 deste vinho já foi leiloada por US$ 160 mil.

CHÂTEAU HAUT-BRION (TINTO)
 Região: França-Bordeaux
Uvas: Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon
Preço aproximado: R$ 3.000.00
Haut-Brion é uma das mais antigas vinícolas de Bordeaux, com as primeiras referências datando de 1423. Único vinho fora da região de Médoc (fica em Graves), em Bordeaux, classificado como Premier Grand Cru em 1855. Considerado por diversos críticos como o melhor vinho dentre os cinco Premier Cru.

CHÂTEAU D'YQUEM (BRANCO DOCE)
 Região: França-Bordeaux
Uvas: Sauvignon Blanc
Preço aproximado: R$ 3.000.00
Indiscutivelmente, o melhor vinho doce da França. Rico, potente e exótico. Celebrado por escritores como Vladmir Nabokov, Fiodor Dostoievski, Marcel Proust, Júlio Verne, Alexandre Dumas Filho, etc. Produzido na sub-região de Sauternes, em Bordeaux, as uvas utilizadas na produção desse Premier Cru Supérieur são colhidas seletivamente, por vezes, uma a uma, sendo usadas apenas aquelas afetadas pela Botrytis cinerea.


A pergunta que não quer calar: Valem o que custam?  Particularmente posso falar do Chateaux Mouton Rotchileld safra 1975 (avaliado na época em cerca de US$ 7.500) que meu avôdrasto abriu só para nós dois..... a experiência de tomar um vinho somente um ano mais novo que eu e com um homem que eu admirava demais foi fantástica.... o vinho deixou saudades, lembranças, mas falando francamente e gustativamente não foi  o melhor vinho de minha vida, foi sim o mais inesquecível! E acho que isso que dá o valor ao vinho o fato dele marcar a sua alma e não ser esquecido jamais!

FONTE: Revista Adega

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

VINHEDO DO MUNDO

Tive a honra de visita-los e fiquei encantada com o Projeto da Dal Pizzol, denominado VINHEDO DO MUNDO! A meta é ter cerca de 400 variedades viníferas do mundo inteiro, um grande passo para estudos de aclimatação.
Um projeto parecido foi feito no Chile na era pré-philoxerica e foi a grande salvação da vinicultura mundial, pois depois da devastação da Philoxera na Europa muitas uvas só foram re-impladas em seus locais de origem por conta do projeto Chileno. 
Abaixo segue a matéria que copiei diretamente do site da Dall Pizzol




Dal Pizzol se prepara para a 3ª colheita simbólica no Vinhedo do Mundo
Único nas Américas, vinhedo reúne 164 variedades de 22 países. Projeto que deverá ultrapassar as 400 variedades, agora brinda a colheita com o Vinum Mundi 2012.
Quem visita o Parque Temático Dal Pizzol, na Rota das Cantinas Históricas, em Faria Lemos (Bento Gonçalves/RS), tem o privilégio de conhecer o Vinhedo do Mundo, um projeto lançado ainda em 2005 pela Dal Pizzol Vinhos Finos. Desde 2011, a vinícola realiza a colheita simbólica, celebrando a cultura do vinho e a solidariedade entre as nações representadas pelas 164 variedades de uvas de 22 países que hoje compõem o vinhedo. Em plena contagem regressiva para a 3ª colheita simbólica, programada para o dia 03 de fevereiro, a vinícola também cuida dos últimos detalhes do Vinum Mundi 2012, que chega para brindar a safra.
Único nas Américas, o Vinhedo do Mundo é uma coleção de variedades vitis do planeta. Em sete anos de trabalho, já são 164 variedades de videiras de 22 países, ocupando 0,7 hectare, mas a intenção é ultrapassar 400 variedades. Com a primeira colheita simbólica, realizada em 2011, resultou o Vinum Mundi, elaborado a partir da uva de 20 variedades, e que foi degustado no dia da colheita passada. Agora, será a vez de brindar a safra 2013 com o Vinum Mundi 2012, elaborado a partir de um gran assemblage com as 36 variedades colhidas em 2012.
A rotina da vinícola em torno do projeto tem sido acompanhar a evolução das uvas para definir quais poderão ser colhidas este ano. A proposta promete se tornar um dos ícones do mundo do vinho no Brasil. O objetivo é desenvolver as variedades neste pequeno espaço, acessível a aficionados, estudiosos e interessados, cuja colheita tornou-se a partir de 2012, num evento cultural do Instituto R. Dal Pizzol, entidade sem fins lucrativos que se destina a propagar e enaltecer as tradições e a civilização dos povos.
Não se trata, como consequência, de um vinho comercial, pelo contrário, a intenção é cultural, expressando e simbolizando a solidariedade dos povos e sua cultura. O acompanhamento e avaliação das potencialidades enológicas das uvas é feita através de um programa de vinificação desenvolvido junto com a Embrapa Uva e Vinho. A colheita simbólica integra a programação do Bento em Vindima.

Utilidades do Vinhedo do Mundo

• Referência cultural para a região vitivinícola;
• Fonte de observação e avaliações agronômicas e enológicas;  
• Satisfação de curiosidades; 
• Objetivo de interesse para aficionados do vinho; • Aprendizado e esclarecimento para apreciadores; • Fonte de estudo para escolas, professores e alunos das áreas pertinentes; • Atrativo turístico; • Ferramenta de Marketing e relacionamento; • Prestígio para a empresa e o Município; • Gerar um vinho para fins beneficentes; • Desenvolver programas de fraternidade entre os povos dos países representados pelas origens das videiras.

Dados técnicos do Vinhedo
 

Localização:
 
Altitude: 510 metros, latitude 29º 06.545’ S e longitude 51º 35.583’ WO.
 
Área: 7.000 m².
Parque Temático Dal Pizzol, Rod. RS 431 Km 5,3

Faria Lemos – Bento Gonçalves.

 Variedades: 164 Vitis Vinífera, originárias de 22 países.

Porta-enxertos predominantes: P1103 e SO4.

 Sistema de Condução: espaldeira
 Início do projeto: 2005

 Origem das plantas (Material vegetativo): Embrapa Banco de Germoplasma, Vitiplant, Almadén, Importações (Rauscedo, Cormóns) e outros.

1ª Colheita simbólica - Data: 12 de fevereiro de 2011
Variedades do Vinum Mundi Safra 2011: Orion (Alemanha), Basseri (França), Grillo (Itália), Palomino (Espanha), Arriloba (França), Viognier (França), Corvina (Itália), Rebo (Itália), Rondinela (Itália), Tinta Roriz (Portugal), Durif (França), Nero D’Avola (Itália), Caladoc (França), Bonarda (Itália), Lambrusco (Itália), Schiopettino (Itália), Merlot (França), Cabernet Sauvignon (França), Cabernet Franc (França), Ancellotta (Itália).
 

2ª Colheita simbólica – 11 de fevereiro de 2012
36 variedades de uvas de 17 países: Viognier (França), Tempranillo (Espanha), Corvina (Itália), Malbec (França), Baco (França), Nero D’Avola (Itália), Shyraz (Irã - Pérsia), Egiodola (França), Lambrusco (Itália), Rubi Cabernet (EUA), Malvasia Nera di Brindisi (Itália), Bonarda (Itália), Brunello di Montaltino (Itália), Sangiovese (Itália), Rebo (Itália), Moscato Embrapa (Brasil), Sylvaner (Áustria), Monuka (Afganistão), Pinotage (África do Sul), Tinta Roriz (Portugal), Tinta Madeira (Portugal), Touriga Nacional (Portugal), Periquita (Portugal), Palomino (Espanha), Pedro Ximenes (Espanha), Macabeo (Espanha), Dornefelder (Alemanha), Marselan (França), Lagrain (Tirol), Tintorera (Chile), Kiralyleanyka (Hungria), Molinara (Itália), Dattier de Beyrout (Líbano), Victoria (Romênia), Kyoho Hayakawa (Japão) e Ferral Alentejo (Portugal).

3ª Colheita simbólica – 03 de fevereiro de 2013
A definir.


Estação Meteorológica
 
Foi instalada em fins de 2012, junto ao Vinhedo do Mundo uma Estação Agraclimática, digital, automática, que registra e transmite online dados de 12 variáveis climáticas, entre leitura direta e calculadas. A estação se destina a formar um retrospecto do comportamento climático local e estabelecer correlações com a performance das principais variedades cultivadas no Vinhedo ao lado. Quem quiser, dispor e acompanhar os dados da estação poderá acessar pela internet: 
http://www.wunderground.com/weatherstation/WXDailyHistory.asp?ID=IRSBENTO2

domingo, 28 de julho de 2013

AVALIAÇÃO NACIONAL DE VINHOS



Tive a honra de ser degustadora na XVIII Avaliação Nacional de Vinhos, foi uma experiência maravilhosa, enriquecedora e que eu gostaria de poder repetir todos os anos, infelizmente os custos acabam se tornando altos para eu poder participar todos os anos, mesmo assim a vontade de ir anualmente é imensa!
Nesse post, repasso para vocês amigos do vinho, um texto do querido Christian Bernardi, talentoso enólogo que fala um pouco sobre esse maravilhoso evento!

TEXTO RETIRADO DO SITE DA ABE


"A vitivinicultura brasileira tem passado por uma grande renovação de conceitos e revolução de estilos de vinhos nos últimos anos. Este processo de reestruturação dos vinhos do Brasil ocorre de forma igual ao que vem acontecendo em todo o mundo. Ao admitir que os vinhos sofreram mudanças, compreendemos que os consumidores modificaram seus conceitos e sua visão sobre a qualidade e virtudes que um vinho deve ter.
 
Mas como tudo na vida moderna, esta rápida evolução só foi possível graças a uma comunicação eficiente. Além da elaboração de bons vinhos, aprendemos a conceituar e disponibilizar ao consumidor essas avaliações.
 
A Avaliação Nacional de Vinhos (ANV), idealizada e promovida pela Associação Brasileira de Enologia – ABE, é um capítulo particularmente importante na história recente da vitivinicultura brasileira. Criada em 1993, mantém até hoje seu objetivo original: avaliar e destacar os vinhos mais representativos e expressivos da última safra. Desta forma, a ABE sente-se um tanto responsável por fomentar e divulgar a crescente qualidade do vinho brasileiro.
 
Algumas particularidades distinguem a Avaliação Nacional de Vinhos dos inúmeros concursos que ocorrem pelo mundo. Sem desmerecer qualquer um deles, o trabalho desenvolvido por todos associados da ABE, faz da ANV um motivo de comentários positivos em todo o mundo vitivinícola.
 
Finalizada a colheita da uva, estando o vinho pronto ou em período de envelhecimento, as vinícolas inscrevem seus melhores vinhos para serem avaliados. A coleta dos vinhos é efetuada diretamente na vinícola, retirando do tanque, da barrica ou do estoque engarrafado, uma amostra, indiscutivelmente, representativa e idônea em relação aquele lote. Num trabalho em parceira com a Embrapa Uva e Vinho, estas amostras são identificadas e durante três semanas são degustadas por enólogos a fim de extrair de um total de mais de 300 amostras os 16 vinhos que irão representar a vitivinicultura brasileira em um evento para mais de 700 pessoas.
 
Esse trabalho preliminar de seleção de amostras é a base de tudo. Porém, é no dia da apresentação ao público que o vinho é colocado em destaque. Sempre realizada no final do mês de setembro na cidade de Bento Gonçalves, a Avaliação Nacional de Vinhos propõe uma degustação para 700 pessoas com toda estrutura de uma análise sensorial profissional. Além de fazer sua própria descrição do produto, o participante ouve os comentários de cada amostra feitos por um ilustre dos vinhos.
 
Ao longo dessas 15 edições, que este ano chega a 16ª, algumas inovações foram feitas. Aumento do número de amostras, inclusão de novas categorias, renovação de comentaristas e do público e o crescimento do número de empresas e da representatividade no Brasil. Tudo para manter a mesma filosofia de trabalho de 16 anos atrás, que prima pela qualidade do vinho brasileiro e seriedade com o consumidor, condição que se mantém até hoje.
 
Também pensando na divulgação dos nossos vinhos, a ABE apostou na realização simultânea, através de tele-conferência, de seu maior evento: a Avaliação Nacional de Vinhos. Pelo terceiro ano consecutivo a entidade estará realizando o evento em duas cidades ao mesmo tempo. Num sincronismo perfeito a degustação de um mesmo vinho ocorre exatamente no mesmo momento e os comentários alternadamente ilustram o vinho para ambos públicos. Dessa forma, a ANV foi a São Paulo (Safra 2006), ao Rio de Janeiro (Safra 2007) e neste ano irá para Curitiba, levando a imagem do vinho e dos vitivinicultores para todo o Brasil.
 
Por essas características a Avaliação Nacional de Vinhos consolidou-se como um dos principais eventos do setor vitivícola brasileiro, incentivando as vinícolas a produzirem vinhos cada vez melhores, atraindo os consumidores para a degustação e despertando no público geral a curiosidade à nobre arte de apreciar vinhos."
 
Avaliação em números:
Evento
Local
Amostras
Vinícolas
Participantes
I ANV – Safra 1993Bento Gonçalves
42
18
 160
II ANV – Safra 1994Garibaldi
74
23
 250
III ANV – Safra 1995Caxias de Sul
92
22
 300
IV ANV – Safra 1996Bento Gonçalves
98
24
 400
V ANV – Safra 1997Bento Gonçalves
132
27
 438
VI ANV – Safra 1998Bento Gonçalves
104
26
 488
VII ANV – Safra 1999Bento Gonçalves
152
35
 493
VIII ANV – Safra 2000Bento Gonçalves
175
39
 550
IX ANV – Safra 2001Bento Gonçalves
209
44
 570
X ANV – Safra 2002Bento Gonçalves
282
58
 593
XI ANV – Safra 2003Bento Gonçalves
292
63
 642
XII ANV – Safra 2004Bento Gonçalves
335
75
 648
XIII ANV – Safra 2005Bento Gonçalves
368
84
 685
XIV ANV – Safra 2006Bento Gonçalves/São Paulo
252
63
 900
XV ANV – Safra 2007Bento Gonçalves/Rio de Janeiro
260
61
 900
XVI ANV – Safra 2008Bento Gonçalves/Curitiba
318
62
800
 
Sr. Christian BernardiEnólogo
Vice-Presidente da ABE

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma certa uva chamada BOBAL......

Com a chegada de uma grande linha de vinhos espanhóis na Vieira Vinhos, tive minha curiosidade aguçada por uma uva desconhecida, uma casta chamada Bobal presente na maioria dos vinhos que recebemos da D,O.P. Riberal del Júcar.
Então, curiosa como sou fui pesquisar a novidade e trazer mais informação para vocês sobre essa nobre desconhecida (até então). Me deparei com um texto interessante na Wikipédia espanhola e me coloquei a traduzir e trago para vocês:

Bobal é ima variedade de uva tinra. é uma cepa rústica, resistente as variações climáticas e a pragas e muito produtiva. Seu grão é médio, redondo e cheio de sumo. Também conhecida como requena, espagnol, benicarlo, provechón, valenciana, carignan d'espagne, balau, balauro, tinto de requena, coreana, tonto de zurra, requenera, requeno, valenciana tinta, bobos, rajeno, bobale di Sapagna etc.
Com essa casta se elaboram excelentes rosados na zona de Utiel-Requena e cada vez melhores tintos, inclusive vinhos de guarda.
É uma variedade autóctone de Valencia, como denota seu nome original valenciano, Boval (de buey, provavelmente por sem grande tamanho). Desde sua na costa, de onde se tem notícias desde o século XIV, foi subindo até se estabelecer em comarcas interiores como a D.O. Utiel-requena, onde por sua onipresença passou a ser apontada como autóctone. Se planta também em Ribera del Júcar, onde seu plantio se tornou quase que majoritário.
É uma variedade mediterrânea resistente a secas e a praga oídio, mas é muito frágil a míldio. Muito produtiva devido ao tamanho de seus cachos que são muito grandes, compactos e pesados, tendo peso médio de cerca de 850 gr. O tamanho de seu grão é médio-grande, cerca de 3 a 5 vezes maior que um Cabernet.  as videiras tem porte rasteiro e folhas de bom tamanho que são duras e grossas, assim como os bagos da uva, que tem grande quantidade de tanino e antocianos. 
A casta se utiliza para fazer vinhos rosados, tintos jovens com boa acidez e aromas frutados, Mas seu grande potencial esta nos vinhos de guarda, devido ao seu corpo e estrutura, ainda que necessite de preparo do vinhedo cuidando da produtividade, garantindo a maturação da uva, dando assim condições de elaborar vinhos com boa acidez e taninos finos e aveludados.
O vinho elaborado com esta casta te coloração cereja, aroma de frutas vermelhas e boa acidez.
A casta  é a segunda uva mais plantada na Espanha.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

VINHO, UMA EXCELENTE COMPANHIA

Hoje tirei o dia para escrever para uma publicação na qual sou colaboradora bimestral, a BEM MAIS OSASCO. Fiquei em casa quietinha, abri um bom vinho,( branco porque o calor está dos infernos) e me coloquei a escrever para o que será uma edição espacial pois será a revista de fechamento do ano. escrevi sobre enogastronomia dos pratos de final de ano. penso que será uma matéria bem interessante pois surgem muitos dúvidas a respeito desse assunto nessa época.
Mas todo esse aparato para escrever uma matéria me fez lembrar o quanto o vinho sempre me foi um excelente companheiro....um companheiro silencioso e que ao mesmo tempo abre as portas do pensamento e da criatividade.....
O vinho sempre esteve presente em todos os momentos bons de minha vida. Escrever sobre vinhos tomando vinhos é algo inenarrável!  Que o universo sempre me conceda a boa sorte te ter um bom vinho na mesa, boas ideias na cabeça e um computador que funcione....

O vinho que me acompanhou hoje foi o ARTERO MACABEO:

Artero Macabeo 2010

vaViura (Macabeo)
ProdutorBodegas Muñoz - Artero
PaísEspanha
RegiõesLa Mancha
Safra2010
RegiãoLa Mancha
Composição de Castas100% Macabeo
AmadurecimentoEngarrafamento precoce.
Estimativa de Guarda2 anos
Temperatura de Serviço8-10°C
Características ClimáticasO clima é continental extremo, com temperaturas que oscilam entre os 40/45°C no verão e -10/12°C no inverno. A pluviosidade é baixíssima, com média anual de 375mm. O terreno é plano e os vinhedos situam-se a 700m de altitude.
Características do SoloSolos com composição argilo-calcária.
ElaboraçãoIdade do vinhedo de 15 anos, condução em espaldeira. Colheita em meados de setembro. As uvas são ligeiramente prensadas, obtendo-se o mosto flor. Ele é então decantado estaticamente durante 48 horas. A fermentação do mosto ocorre em tanques de aço inoxidável a 15°C.
Características OrganolépticasAmarelo-palha claro com reflexos verdeais. Aromas intensos e puros de frutas (damasco e pêra) e flores. Boca ampla e fresca, levemente herbácea, com agradável e equilibrada maciez.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

OSMOSE REVERSA

Por Marcelo Copello

Em um bate papo com Jancis Robinson quando de sua visita ao Brasil alguns anos atrás, perguntei a ela sobre o quanto de intervenção da tecnologia é aceitável no vinho. A mulher mais importante do mundo do vinho respondeu que o limite do aceitável é muito pessoal, mas que certamente a cada dia mais e mais os vinhos são manipulados e tendem a se parecer, especialmente nos rótulos de baixo custo.
Uma destas tecnologias mais modernas é a “osmose reversa”. O que é esta tecnologia e como ela funciona? O que devemos saber ou temer e como saber?
Bons vinhos se fazem com boas uvas. Mas o que significa “boa uva”? Uvas equilibradas em seus componentes, como açúcar, acidez, cor, aroma, taninos. Para tal é necessária uma maturação adequada, o que depende do clima, já que cada componente mencionado tem seu processo de amadurecimento ao longo da safra: Em climas quentes existe uma tendência que o ponto ideal de concentração de açúcar e acidez ocorre antes da maturação ideal de taninos, por exemplo. Daí para se ter um vinho com taninos maduros, quase sempre teremos vinhos com baixa acidez e muito álcool; Em climas frios é quase o oposto, para que a acidez e os açúcares atinjam o ideal é necessário esperar mais, sob o risco de expor as uvas às chuvas de outono, que diluiriam o vinho.
Hoje existe uma tecnologia chamada “osmose reversa” que torna possível remover álcool do vinho pronto ou concentrar o mosto* antes da vinificação. Lembrando de nossas aulas na escola primaria: “osmose” é o fluxo do solvente de uma solução pouco concentrada, em direção a outra mais concentrada, através de uma membrana semipermeável. No caso do mosto o solvente é a água e no caso do vinho pronto além da água há o álcool. Submeter o mosto ou vinho a uma osmose normal seria diluí-lo, mas se esta osmose for ao contrário…
A “osmose-reversa” é possível com o uso de uma máquina chamada Vinovation, criada no final dos anos 1980 na Califórnia, por Clark Smith, um engenheiro apelidado de “Dr. Frankenwine” e belzebu em pessoa para os adeptos dos vinhos naturais. Outra brincadeira que ilustra o sentimento de alguns em relação a esta tecnologia é alcunhar a osmose reversa de osmose “perversa”.

Vinovation, a máquina que realiza a osmose reversa.
A máquina do Dr. Frankenwine aumenta a pressão na solução mais concentrada reverte o fluxo e tira água do mosto ou vinho, em um processo semelhante a espremer o mosto, para retirar a água por um filtro. Esta mesma geringonça serve para tirar álcool do vinho pronto, em um processo mais radical. Neste caso separa-se álcool que vem junto com a água. Em uma etapa seguinte a solução de água e álcool passa uma destilação que separa a água do álcool recoloca-a no vinho.
Clark Smith já contou em várias entrevistas que sua criação está em centenas de vinícolas em vários países, mas jamais revela o nome de seus clientes. Ele também garante que na Califórnia cerca de 45% dos vinhos “premium” sofrem algum tipo de redução de álcool. Antes que você pergunte: nunca provei (ao menos conscientemente) vinhos processados desta maneira, já que ninguém divulga o uso da “perversa”, mas há relatos de degustações comparativas e os resultados são surpreendentes. Ao que parece esta tecnologia é uma arma poderosa e como toda arma pode ser usada para o “bem” ou para o “mal”.
Os que são a favor desta tecnologia argumentam que ela se assemelha a outros artifícios muito aceitos, como a “chaptalização” (adição de açúcar ao mosto para aumentar o teor alcoólico dos vinhos em safras diluídas) ou a “sangria”, processo que filtra uma parte do mosto sem as cascas das uvas** separando-o de outra parte que concentra mais cascas – geralmente obtendo de um lado um vinho rosé e de outro um tinto com maior concentração de cor e corpo.
Alguns pontos são claros: a osmose reversa realmente funciona ao conseguir concentrar vinhos ou diminuir-lhes o teor de álcool e não causa nenhum mal a saúde de quem consumir tais vinhos. O que se debate hoje em todo o mundo não é a eficiência do processo, que já é uma realidade, mas o fato de ser ou não honesto fazê-lo, já que raramente se sabe qual vinho foi submetido a esta intervenção. Osmose-reversa é uma “Mão na roda” ou um trapaça? Como disse a sábia Jancis: quem decide é você.
*suco de uvas, com cascas etc antes ou durante a fermentação.
** a cor e corpo dos vinhos tinto vêm principalmente das cascas das uvas

terça-feira, 11 de setembro de 2012

VINHO EMAGRECE!!!

Uma boa noticia para os amantes do vinho. Vinho emagrece!
Uma pesquisa realizada pela Universidade Navarra na Espanha, comprovou que tomar uma taça de vinho todos os dias pode ajudar a controlar o peso ou até mesmo emagrecer.

Bebidas alcoólicas não eram recomendada para quem estava de dieta, mas com esse estudo tudo mudou. Essa pesquisa comprovou que vinho emagrece desde que seja tomado diariamente sem exageros é claro. Comparando com estudos antigos eles concluirão que pessoas que bebem bebida alcoólicas exageradamente engordava, mas aqueles que babeiam moderadamente emagreceram.

Os pesquisadores da Universidade também disseram que o baixo consumo de álcool, principalmente o vinho, ajuda a emagrecer ao invés de engordar.

Estudo comprova que tomar vinho emagrece
Os pesquisadores também concluíram que o tipo de bebida alcoólica pode influenciar os efeitos que o álcool pode causar no organismo. Isso quer dizer que outros tipos de bebidas não podem dar os mesmos resultados que o vinho.

Algumas pesquisas também relataram que pessoas que bebem socialmente tem menos riscos de desenvolver diabetes. As calorias contidas no álcool são absorvidas pelo o organismo e são eliminadas rapidamente.

O Fórum Científico Internacional de Pesquisa em Álcool concordou com quase todas descobertas feitas pelo o estudo. Agora que percebeu que o vinho emagrece você pode incluir ele na sua dieta, o vinho não apenas emagrece mais também pode proporcionar vários benefícios a saúde como proteger o coração até mesmo prevenir o câncer.

sábado, 14 de julho de 2012

MANIFESTO CONTRA A SALVAGUARDA DE VINHOS

Reproduzo aqui o manifesto de Ciro Lilla, proprietário da importadora Mistral, sobre as salvaguardas. Excelente!

 No dia 28 de Junho aconteceu em Brasilia a audiência pública sobre o processo de salvaguardas contra o vinho importado, aberto a pedido dos grandes produtores gaúchos. Após escutar as apresentações dos advogados das partes envolvidas no processo, chega-se facilmente à conclusão de que essa medida não pode prosperar.
O processo apresentado pelos produtores gaúchos é repleto de erros, afirmações e dados equivocados — e, principalmente, não atende em absoluto os requisitos mínimos exigidos pelos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a adoção de salvaguardas. Dessa forma, a adoção das salvaguardas representaria uma violência jurídica que prejudicaria os consumidores, comprometeria o País e seria fatalmente derrubada na OMC. Como já dissemos antes, a adoção das salvaguardas seria uma desgraça para o vinho no Brasil, inclusive para o vinho brasileiro, já que o consumidor não perdoaria os responsáveis por essa medida desastrada.
Mas o que virá depois, se as salvaguardas não forem adotadas — como acreditamos que não serão, por absoluta falta de bases sólidas para sua adoção?
Gostaria de fazer um apelo aos produtores gaúchos e suas lideranças no sentido de evitar a tentativa de criar de novas barreiras para o vinho importado. Na realidade, o vinho importado é o maior aliado do vinho nacional na luta contra o baixo consumo de vinhos no nosso país — este sim o grande problema a ser enfrentado. A ABBA e a ABRABE — associações que representam os importadores — e a ABRAS — que representa os supermercados, o grande canal de distribuição dos vinhos nacionais — apresentaram uma proposta que prevê a criação de um grupo composto por representantes dos segmentos envolvidos na produção, importação e distribuição do vinho no Brasil, com o objetivo de unir esforços para aumentar o consumo dos atuais 1.9 litros por habitante por ano para pelo menos 2.5 l/h/a no período de três anos. Esse aumento resolveria os problemas de que se queixam os produtores gaúchos neste momento.
Propõe-se também a eliminação do entulho burocrático representado por medidas como a selagem para vinhos finos, as análises desnecessárias dos vinhos que chegam ao Brasil e outras burocracias que encarecem o vinho brasileiro. Em lugar destes procedimentos inúteis, seria criado um fundo para incentivo ao consumo de vinhos, gerido por esses representantes. Propõe-se enfim um jogo de "ganha-ganha", em substituição ao atual jogo de "perde-perde", em que tudo o que se objetiva é perder menos do que o vizinho.
Os produtores nacionais se manifestaram publicamente nos últimos meses contra o aumento de impostos para os vinhos importados, já tão fortemente taxados. Não temos porque não acreditar na sinceridade dessas declarações. Seria péssimo se, ao serem negadas as salvaguardas, houvesse em seguida um aumento do imposto de importação. Da mesma forma, seria muito ruim para o mundo do vinho se tivéssemos novas barreiras burocráticas — entraves que, como já explicamos tantas vezes, só afetam a importação dos vinhos de pequena produção e alto valor. Esses vinhos especiais, além de não competirem com o vinho nacional, são os que mais promovem o consumo do "produto vinho". É a oferta e a variedade que permitem ao consumidor escolher seu vinho, degustar e se apaixonar por esse produto nobre e saudável. O consumidor brasileiro não aceita mais dessas medidas que só encarecem ainda mais o vinho em nosso país.
É muito evidente que, em seu estágio atual, o que o mercado brasileiro de vinhos precisa é de um grande aumento do consumo, que é muito pequeno, e não de mais restrições.
Fica aqui portanto uma apelo pela adoção de uma agenda positiva, que lute pelo aumento do consumo e por uma redução nos preços dos vinhos, tanto nacionais como importados. Vamos dar uma chance ao vinho e, de uma vez por todas, assumir que os bons vinhos importados e os vinhos nacionais são aliados, e não inimigos. E vamos parar de assistir, impávidos, ao aumento explosivo do consumo de outras bebidas, como a cerveja e o uísque, enquanto o consumo de vinhos fica estagnado, vítima da luta contínua contra o vinho importado.
Vamos nos unir pelo vinho!


 Ciro de Campos Lilla