Aqui você já entra aprendendo, o feminino de sommelier é sommelière, então não estranhe o nome do blog e nem pense que está errado!
Resolvi criar esse blog como uma maneira de dividir informações preciosas com apaixonados pela arte de Bacco. Aqui vocês encontraram alguns textos meus e outros que eu garimpo por ai e julgo itneressantes para dividir com vocês!
Entre. leia, se apaixone e fique a vontade, a casa é sua!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SAFRA 2012 - 0 Estrago do Granizo


Após colher a maior safra da historia do Rio Grande do Sul, com mais de 700 milhões de quilos de uvas em 2011, no ano em que ia superar esse recorde, a natureza resolveu aprontar para cima dos viticultores do Rio Grande do Sul, especificamente aqueles que tem (tinham?) seus vinhedos localizados na área rural de Flores da Cunha.
É que lá pelo meio do mês de Dezembro, caiu uma chuva de granizo que literalmente arrasou com as parreiras daquela região, a isso somamos a estiagem que está assolando o estado, como nos informa diariamente o noticiário e o quadro está completo, logo este ano que estava caminhando para ser o marco histórico na produção nacional.
As perdas são estimadas em algo como 20%, segundo estimativa do IBRAVIN, mesmo assim deverá ser a terceira maior safra da historia, perdendo apenas para 2011 e 2008.
Uma boa noticia é que, graças ao fenômeno LA NIÑA, justamente o causador da estiagem prolongada, a quebra na quantidade será compensada por uma qualidade elevada; se o clima se mantiver assim como está, a fruta atingirá uma excelente maturação fenólica com altos índices de açucares e nutrientes, proporcionando uma maior estrutura e teor alcoólico ao vinho deste ano.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

HUMOR - A tabela de consumo de vinho!


Essa eu não podia deixar de postar por aqui, obra de meu amigo Luiz Cola - do Blog: Vinhos e mais Vinhos



Inspirado nesta divertida e "franca" tabela dos níveis de consumo de bebidas destiladas, com 40º GL ou mais (vodkas, whiskies, tequilas, cachaças e similares), tentei imaginar como se comportam os consumidores que bebem o mesmo volume de vinho, com um 1/3 do teor de álcool das bebidas destiladas. Fica algo mais ou menos assim...
 

Se abrir uma 2ª garrafa...

 
Se insistir e resolver abrir a 3ª garrafa, pode começar a ler a tabela da 1ª figura (dos destilados) ...

Esqueci de alguma coisa?
 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

VINHO E CINEMA

Sou fanática por cinema, porém cinema em casa, pois não tenho paciência para enfrentar salas de cinema, filas de bilheteria, odeio aquele escurinho macabro e ar condicionado gelado, gente mal educada com celular ligado, e tem também o fato que adoro parar e discutir o filme  com o maridão, e das 05  vezes que tenho que dar "pause" para ir no banheiro, acudir o filhote, comer alguma coisa, pegar outro vinho na adega, estourar mais pipoca, preparar outra fornada de brusquettas.... enfim, cinema para mim é só em casa.
Baseado nisso resolvi escrever esse post, para os que assim como eu, gostam de compatibilizar vinhos e bons filmes!
Segue ai então uma lista de filmes que tem o vinho como tema e  pegando emprestado a ideia de minha amiga Eliana Araújo, que ama vinho e cinema, só que só na tela gigante, me arriscarei a palpitar o vinho para melhor apreciação da obra cinematográfica!

UM BOM ANO
Perfeito para compatibilizar com um Pinot Noir de Novo Mundo ou um espumante rosê.

Título original: (A Good Year)
Lançamento: 2006 (EUA)
Direção: Ridley Scott
Atores: Russell Crowe, Freddie Highmore, Albert Finney, Rafe Spall.
Duração: 118 min
Gênero: Comédia romântica
Aos 11 anos, Max Skinner (Freddie Highmore) é cuidadosamente educado na arte de saborear vinhos por seu tio Henry (Albert Finney), dono de um vinhedo na França. Adulto, Max (Russell Crowe) torna-se um bem-sucedido homem de negócios em Londres, sem qualquer tempo para degustações mais duradouras. Certo dia Max recebe a notícia de que Henry morreu, deixando-o como único herdeiro. Prevendo bons negócios, resolve fazer uma rápida viagem para visitar a nova propriedade. Mas, uma vez ali, percebe que não será tão fácil vender o lugar que lhe traz tantas lembranças de infância.


CAMINHANDO NA NUVENS
Um belo Tempranillo Espanhol ou um Zinfandel faz excelente par com esse filme!

Título original: (A Walk in the Clouds)
Lançamento: 1995 (EUA)
Direção: Alfonso Arau
Atores: Aitana Sánchez-Gijón, Anthony Quinn, Giancarlo Giannini, Angélica Aragón.
Duração: 102 min
Gênero: Romance
Depois de 4 anos nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial e ainda relembrando os horrores de guerra, Paul Sutton (Keanu Reeves) ao retornar para casa quer se estabelecer e começar uma fazenda, mas Betty (Debra Messing), sua esposa, com quem impulsivamente se casou três dias após se conhecerem (no dia seguinte ele rumava para o front), quer que ele venda chocolates e até já arrumou um emprego para Paul. Enquanto faz uma viagem de negócios, ele ajuda uma hispano-americana, Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón), uma bela mulher que na faculdade se apaixonou por um professor que a engravidou, mas não quis se casar com ela. Ela volta para casa totalmente envergonhada e, temerosa da reação do seu pai, Alberto (Giancarlo Giannini), mas Paul tem uma idéia: ele se fará passar como o marido dela e partirá após um dia ou dois. Assim quando Victoria ficar só com a criança, a desgraça estará nele, não ela. Ela concorda e os dois chegam como marido e mulher no vinhedo Las Nubes, que é de propriedade da família dela. A maioria da família Aragón recebe Paul afetuosamente, especialmente o avô, Don Pedro (Anthony Quinn), o patriarca, mas o pai dela sente que há algo com o jovem casal e trata Paul grosseiramente. Paul e Victoria contornam várias situações e, durante a celebração da colheita, descobrem que estão fortemente apaixonados. Entretanto, algumas barreiras impedem que eles concretizem este amor.


SIDEWAYS
Como sou "do contra" eu assistiria esse filme tomando um Santa Ema Merlot Gran Reserva, mas como o filme é uma exaltação a  uva Pinot Noir, vai bem tomar vinhos dessa casta! Um espumante também vai muito bem!

Título original: (Sideways)
Lançamento: 2004 (EUA)
Direção: Alexander Payne
Atores: Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh.
Duração: 123 min
Gênero: Drama
Miles Raymond (Paul Giamatti) é um homem depressivo, que tenta se tornar um escritor. Miles é fascinado por vinhos e decide dar como presente de despedida de solteiro a Jack (Thomas Haden Church), seu melhor amigo, uma viagem pelas vinículas do Vale de Santa Inez, na California. Eles partem juntos na viagem, mas logo se envolvem com duas mulheres. Jack conhece Stephanie (Sandra Oh), a funcionária de uma vinícola local, que faz com que ele queira anular seu casamento, que está marcado para daqui a poucos dias. Já Miles se interessa por Maya (Virginia Madsen), uma garçonete que tem o mesmo apreço por vinho que ele.


O JULGAMENTO DE PARIS
Excelente oportunidade de tomar aquele Bordeaux Grand Cru que você comprou para uma ocasião especial!

Qual o melhor vinho do mundo? O mais interessante desse filme é a história real da quebra de tradições milenares. O Vale do Loire pode ser lendário em seu cultivo de vinho, mas em uma competição às cegas, foi o vinho feito no Canadá que sagrou-se vencedor. O que prova que nada é tão determinante nesse mundo. Estrelado por Alan Rickman, o filme é um divertido retrato de como persistência e talento podem superar a tradição. Dirigido por Randall Miller, O Julgamento de Paris conta uma trama baseada em uma história real de uma forma bem divertida e interessante.
Alan Rickman é Steven Spurrier, um sommelier dono de uma adega em Paris que tem uma ideia para se aproximar da federação de produtores de vinho. O Estados Unidos estão começando a produzir a bebida na Califórnia e começam os boatos de que o produto é realmente bom. Spurrier se dispõe a ir a Califórnia provar os vinhos, escolhendo os melhores produtores para uma competição às cegas em Paris. Para os franceses é a forma de comprovar que a fama de seus vinhos não é por acaso. Para os californianos é uma oportunidade de serem avaliados sem preconceito.
A trama se desenvolve de forma interessante mesclando o ponto de vista de Spurrier com a dos produtores californianos. Na verdade, a grande disputa é apenas a cereja do bolo. O filme trata da busca por reconhecimento. É o empresário que quer ser reconhecido pelos iguais. O filho que quer o reconhecimento do pai. O homem que acredita em seu sonho. O rapaz que quer ir além do que sua família sonha. A moça que quer entender tudo sobre vinho.
O grande chamariz dessa história que a torna especial é mesmo o fato de ser verídico. O elenco também ajuda. Além de Alan Rickman, temos Bill Pullman em boa atuação e Chris Pine defendendo bem o herói do filme Bo Barrett. O roteiro de Ross Schwartz com o próprio diretor é bem feliz, nos envolvendo com os personagens americanos e nos fazendo torcer por eles. A narrativa é gostosa de acompanhar e a direção é correta, tornando o filme bastante agradável.

MONDOVINO
Para mim um dos melhores e mais clássicos filmes/documentários sobre vinho. Meu preferido, e eu o acompanho com um Amarone de Valpolicella! Mas pode ser acompanhado de qualquer vinho, desde que seja bom e seja vinho!

Título original: (Mondovino)
Lançamento: 2004 (França)
Direção: Jonathan Nossiter
Atores: Michael Broadbent, Hubert de Montille, Aime Guibert, Jonathan Nossiter.
Duração: 135 min
Gênero: Documentário
Bordeaux, Napa, Florença, Toscana, Cafayate (Argentina) e Pernambuco. Através destas regiões o diretor Jonathan Nossiter apresenta os caminhos do vinho e a globalização dos sabores. Histórias de grandes vinicultores como a família Mondavi, o maior produtor de vinho da California, e também de pequenos como a família De Montilli, que luta para manter suas terras e as características de seu vinho.


SOB O SOL DA TOSCANA
Não é propriamente um filme sobre vinho, mas as paisagens da Toscana são maravilhosas e o filme é muito fofo. Bom para compatibilizar com o tradiconal e refrescante brancoVernaccia di San Gimignano e brusquettas, um delicioso Chianti Classico ou simplesmente um honesto Montepulciano.

Título original: (Under the Tuscan Sun)
Lançamento: 2003 (EUA)
Direção: Audrey Wells
Atores: Diane Lane, Raoul Bova, Sandra Oh, Vincent Riotta.
Duração: 113 min
Gênero: Drama
Frances Mayes (Diane Lane) é uma escritora que leva uma vida feliz em San Francisco, até que se divorcia de seu marido. Triste e deprimida, ela decide mudar radicalmente de vida e compra uma chácara na Toscana, para descansar e poder terminar em paz seu novo texto. Porém enquanto ela cuida da reforma de sua nova casa acaba conhecendo um novo homem, que reacende sua paixão.


Pois é meus amores, é isso o que temos para hoje! Eleja seu filme, abra seu vinho e divirta-se!



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O JUSTO DESABAFO DE UM POETA DO VINHO

A produção artesanal, que faz o charme e o encanto da enologia européia (além de
representar o veio principal dos grandes vinhos mundiais de terroir), sofre ameaça de extinção no Brasil. Ou melhor, está em vias de desaparecer antes mesmo de ter nascido. O verdadeiro conhecedor dos vinhos europeus de exceção deve questionar a razão de não existir aqui o universo de pequenos vinhateiros que pipocam pelas aldeias européias, fornecendo vinhos naturais autênticos e contrastantes entre si, cujas nuances e personalidades mudam a cada 5
quilômetros - para a felicidade dos enófilos. As caves silenciosas são rústicas, e não há traços de inóx - considerado um elemento estranho. O verdadeiro tesouro, apresentado com orgulho, repousa no interior das barricas. Esse conhecedor deve questionar, igualmente, a falta de opções e a proliferação de vinhos tecnológicos idênticos entre si, e o porquê da grande quantidade
produtores pensando mais como gerentes de banco que vinhateiros, e mostrando mais orgulho de suas plantas industriais em inóx que do próprio produto que delas sai. Oz Clarke, em recente visita, considerou os vinhos brasileiros muito "formatados". Mas isso não é uma exclusividade do Brasil: qualquer região que não valorize vinhos naturais ou incentive uma vinicultura artesanal cairá na vala comum dos vinhos tecnológicos - iguais em qualquer parte do mundo. É evidente o desperdício de recursos quando essas instituições do setor trazem jornalistas estrangeiros para visitar o circuito das indústrias de vinho. Nada mais aborrecedor para um crítico sério que passar 14 horas num avião para visitar indústrias. As indústrias têm sua importância, mas cabe ao artesanato a fama e o conceito de uma região vinícola. É a voz da terra que um jornalista sério deve ouvir quando explora uma região de vinhos, e não o ruído das esteiras industriais. Após visitar as fábricas, esse jornalista deveria perguntar: "Ok, agora me mostrem os vinhos de agricultor".. Onde estão nossos vinhos de agricultor, feitos sem manipulações químicas nos porões de pedra das pequenas propriedades?As causas dessa lacuna estão enraizadas nos valores de uma sociedade movida mais pelo dinheiro que pela cultura, onde governo e instituições convivem confortavelmente com a realidade de uma meia-dúzia de vinícolas reinando solitárias - contanto que possam arcar com a carga extorsiva de impostos. Prova dessa conivência é o selo fiscal e outras medidas que submetem o vinho artesanal feito em poucas garrafas às mesmas exigências impostas às usinas produtoras de milhões de litros. Para quem não sabe, esse pacto econômico extermina os negócios de pequenos produtores, e é uma das explicações para não vermos florescer aqui vinhos artesanais de grande qualidade, como ocorre na Europa. Se
para produzir 5 mil garrafas um produtor sofre os mesmos entraves e exigências impostos a quem produz 20 milhões e garrafas, e normal que desista de produzir. Tal pacto torna praticamente inviável financeira, formal e contábilmente o registro de uma vinícola artesanal pequena, para cinco ou dez mil garrafas-ano, por exemplo. Em outros termos, o "vinho de terroir" brasileiro está fadado à marginalidade, ou à simples inexistência. Isso fica evidente se observarmos como selo fiscal está sendo ministrado, ou como o enorme gasto com notas eletrônicas foi imposto a força para qualquer tamanho de vinícola, podendo-se ou não bancar
seus custos. É imaginável pensar um agricultor, em pleno meio rural, acessando a internet e emitindo notas eletrônicas para comercializar suas 5 mil garrafas? Vivemos num país à contramão de tudo. A produção de vinhos artesanais em pequena quantidade, que deveria ser encorajada de todas as forças como expressão cultural de um povo, é aqui reprimida.Em suma, quando a expressão vinhateira de um país é guiada apenas por objetivos financeiros, o empobrecimento cultural é evidente. Assim, às barbas do público, uma tradição familiar vinhateira de mais de um século vem rapidamente se transformando numa imensa fábrica de refrigerantes.Isolados pouco podemos contra esse círculo vicioso que amarra poder econômico, governo, instituições e imprensa. Mas unidos, poderemos tentar reverter o quadro. É tolice esperar o apoio da imprensa especializada, mas felizmente dispomos deste instrumento da liberdade chamado Internet. Portanto, amigo enófilo, faça sua parte divulgando esta mensagem à sua confraria ou companheiros de degustação. Precisamos identificar os responsáveis por esse estado de coisas, e fazer pressão para reverter o quadro.

Texto de Marco Danielle

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Nova Appellation na Borgonha

Começa a valer este ano a Appellation Coteaux Bourguignons.
A nova appellation foi criada para vinhos da safra 2011 e lançamento no mercado a partir de 2012. É uma appellation que vale para toda a Borgonha, desde a região de Auxerre, chamada auxerrois até Beaujolais. Antes, os vinhos de toda a Borgonha poderiam utilizar a appellation Bourgogne Grand Ordinaire, que não vai mais existir já em 2012. Cá pra nós o nome é mais bonito, a impressão de que o significado seria "grande ordinário" não é nada boa, mesmo sabendo que o esse ordinaire significa comum.Como Janeiro já é um mês de festas na Borgonha, esse será mais um motivo.Dias 28 e 29 de Janeiro, tem festa de Saint Vincent Tournante em Beaune, Nuits Saint-George e Dijon.
Os produtores e autoridades, devem aproveitar a ocasião para reforçar a ideia de transformar a Borgonha em patrimônio da humanidade pela Unesco.

CRÉDITOS: Blog Papo de Vinho, by Beto
duarte

terça-feira, 8 de novembro de 2011

SAFRA 2009 EM BORDEAUX SEGUNDO PARKER

Falando no WineFuture em Hong Kong, onde
realizou uma degustação intitulada "Os 20 mágicos", ele descreveu o "brilho" de
Bordeaux e a "opulência" e "finesse" dos melhores vinhos desta colheita.Parker provou os vinhos com um público de cerca de 1.000 pessoas
(imprensa, compradores e colecionadores de vinhos de todo o mundo), exigindo 1.400 garrafas para servir 20.000 taças que ficaram aos cuidados de 45 sommeliers. No término da degustação, ele declarou que a safra de 2009 foi ainda melhor do que ele tinha inicialmente pensado após as mostras provadas "en primeur", quando os vinhos ainda estavam nas barricas."Quando eu os provei, se você for olhar para o que eu escrevi, eu disse que era os teores de álcool eram altos, que o vinho era muito concentrado e com taninos doces, características que foram observadas nesta degustação de hoje."Mas o que me impressionou mais do que nas degustações no barril, foi a extrema elegância dos vinhos e o requinte dos taninos, taninos que estavam mais doces e que agora estão muito mais bem integrados do que eu me lembro quando provei no barril", disse.Durante a degustação, ele comparou a safra 2009 de Bordeaux com as célebres 1921, 1929, 1947, 1949, 1959, 1982, 1990, e "em certa medida", com a de 2003.Ele explicou que nesses anos, todos os vinhos que foram produzidos eram "opulentos, exuberantes e impressionantes, mesmo na juventude". Continuando, ele observou que todos eles tinham uma combinação de acessibilidade na juventude com a capacidade de envelhecer muito bem, ou seja, "a janela de consumo era muito longa."Falando dos "20 mágicos, listados abaixo, ele disse: cada um destes vinhos estará vivo em 30 anos e provavelmente, serão ainda mais prazerosos e complexos em 75-100 anos".Ele também deu uma explicação detalhada do que procura em um grande vinho, sublinhando: "A pureza de sabores deve estar lá, e não aromas como uma petroquímica ou caracteres vegetais e fechados."
"Nós não vimos nestes vinhos sequer um traço de aromas vegetais, de feijão verde ou aspargos, falhas que observo em alguns vinhos, e é por isso que esta safra é tão maravilhosa", continuou ele.
Ele, finalmente declarou: "Nós degustamos 20 vinhos que se comportaram de forma brilhante ... e mostraram todo o brilho de Bordeaux. Esta é uma das maiores safras da minha vida."
Parker ainda brincou durante a degustação, "Provavelmente, vou engolir um pouco de cada um destes vinhos, porque eles são bons demais para cuspir completamente."
Os "20 mágicos" foram todos selecionados por Parker entre os châteaux que ele acredita que estão produzindo vinhos com qualidade de "1er Cru", embora ele acrescentou: "Poderiam ter sido 40 ou 50, dada a revolução qualitativa que teve lugar em Bordeaux, no última década."
Os vinhos indicados abaixo, estão na ordem em que foram servidos, e Parker, explicou: "Eu organizei os vinhos para tentar ir dos vinhos de estilo mais leve e delicado para os de estilos mais ricos e poderosos, deixando para o final, o mais exuberante, extravagante e opulento ...
e espero que eu tenha conseguido fazer isso."


Os 20 mágicos segundo
Parker:


1. HautBailly
2. Rauzan-Segla
3.Brane-Cantenac
4. St.Exupéry Malescot
5.Palmer
6. Smith Haut Lafitte
7.Pape-Clement
8. La Fleur-Petrus
9. La Conseillante
10.Trotanoy
11. Le Gay
12.Léoville-Las-Cases
13.Léoville-Poyferré
14.Pichon-Lalande
15.Lynch-Bages
16.Pichon-Baron
17.Pontet-Canet
18. Cos d'Estournel
19. Clos Fourtet
20.Angelus

Luiz Cola (Blog Vinhos e Mais Vinhos
Fonte: traduzido e adaptado de Patrick
Schmitt (The Drinks Business)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Est! Est!! Est!!! de Montefiascone

POR: Oscar Daudt
A DOC Est! Est!! Est!!! de Montefiascone, além do nome improvável, possui uma das mais curiosas histórias do vinho italiano. Sem contar que é uma das poucas denomimações antigas que tem sua data de criação conhecida: exatamente o ano 1000! (ou 1111, dependendo do lugar onde você consulta...)
Foi num desses anos que o bispo alemão Johan Defuk, certamente um enófilo de carteirinha, devendo empreender uma viagem a Roma, instruiu um empregado a partir com um dia de antecedência e identificar, pelo caminho, quais as tabernas que ofereciam os melhores vinhos para aplacar a sede do eclesiástico. Combinaram que, nas melhores estalagens, a porta seria marcada com a palavra Est! (mais ou menos, É aqui!).
Ao chegar a Montefiascone, no entanto, o leal serviçal ficou tão encantado com a qualidade do vinho local que num arroubo de entusiasmo - e certamente depois de beber todas e mais algumas! - identificou o local com Est! Est!! Est!!! O que acabou se tornando o nome da DOC atual...
O bispo, por sua vez, após cumprir sua missão em Roma, voltou a Montefiascone, onde permaneceu pelo resto de seus dias. Dá prá ver que seu assistente etílico era para ele, mais ou menos, o que Robert Parker é para nós, atualmente: o incontestável formador de opinião! Tendo sido enterrado na Igreja de San Flaviano (foto), a tradição milenar naquela cidade é derramar na tumba do bispo, a cada aniversário de sua morte, um barril do adorado vinho!
No entanto, a qualidade do vinho não faz jus a tantos pontos de exclamação. Dá para imaginar que o gosto do bispo, há 1000 anos, era bem distinto daquele que comanda o mercado internacional nos dias atuais. O único diferencial do vinho hoje em dia é, na verdade, seu nome e sua história. Uma criteriosa pesquisa pelos catálogos de vinhos e pela Internet mostrou que é bastante limitada a oferta dessa denominação: poucos rótulos foram encontrados. O mais prestigiado deles é o Falesco Poggio dei Gelsi Est! Est!! Est!!! di Montefiascone, do cultuado enólogo italiano Riccardo Cotarella, que resolveu dar uma banho de loja nessa DOC a fim de recuperar seu prestígio, há tanto tempo perdido. Cotarella produz também a versão mais básica desse vinho, o Falesco Est! Est!! Est!!! di Montefiascone. Infelizmente nenhum dos dois está disponível em nossa terra brasilis.

DOC Est! Est!! Est!!! di Montefiascone é uma denominação da região do Lácio que foi criada em 07/05/1966. Esse vinho pode ser produzido nas comunas de Bolsena, Capodimonte, Gradoli, Grotte di Castro, Marta, Montefiascone e San Lorenzo Nuovo, todas localizadas na província de Viterbo.

Os vinhos desta DOC devem utilizar as seguintes castas:

Trebbiano toscano (ou Procanico): 65%
Malvasia bianca toscana: até 20%
Rossetto (ou Trebbiano giallo): até 15%

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DOIS MITOS DO VINHO


Vinho bom é vinho caro!

Sendo as uvas a matéria-prima do vinho, naturalmente, qualquer diferença nelas cria um vinho diferente. O fato é que se todos os vinhos do mundo fossem feitos da mesma variedade de uva, ainda assim cada um teria um sabor diferente do outro. A variação do sabor da uva de diferentes vinhedos - que os franceses costumam chamar de influência do terroir - e as variações nas técnicas de vinificação de uma vinícola para outra explicam boa parte dessas diferenças, e também justificam as duas meias-verdades que trato aqui:

1- Vinho bom é vinho caro.
A questão do valor de uma garrafa de vinho é extremamente complexa. Os custos envolvem variáveis como o valor do terreno onde a uva é cultivada, custos de mão de obra, tecnologia, impostos, etc. E outro dado fundamental: o valor da marca. Mal comparando, é a mesma história da Coca-Cola, cuja marca é hoje muito maior que o produto a ela associado. Assim, uma parte considerável na diferença de preços entre vinhos reside na importância da grife do produtor. Isso tudo posto, temos que vinhos de determinados produtores atingem preços estratosféricos, cotados na faixa dos milhares de dólares.
Quando dizem que vinho bom é vinho caro trata-se de meia-verdade, quer dizer que em geral um vinho de R$ 200,00 deveria ser melhor que outro de R$ 50,00 ( o que nem sempre acontece. em minha experiência em degustações é mais comum eu me extasiar com o vinho médio da casa do que com teu Top de linha.
Descobrir quais vinhos apresentam uma relação satisfatória entre preço e qualidade é um dos desafios do bom degustador. Costumo falar ao meus clientes que vinho caro tem a obrigação de ser bom, e infelizmente isso nem sempre acontece. descobrir vinho "honestos" é a grande sacada de degustar vinhos, como diz meu amigo Ronald Slavi, ser garimpeiro de vinho é muito legal!
O grande segredo é não ter medo de experimentar, de descobrir novas uvas, novos páises, dar chance a novos produtores se desvencilhando dos rótulos famosos. Esse é meu exercício diário e dele não me canso nunca!


2- Quanto mais velho, melhor o vinho.
Uma das imagens mais associadas aos vinhos, tanto que se tornou ditado popular. E também esconde uma boa dose de exagero. Na verdade, apenas pequena parte dos vinhos produzidos em escala comercial envelhece bem. Os vinhos mais acessíveis geralmente são produzidos prontos para consumo imediato; Não há uma regra mas geralmente os vinhos aptos para guarda são tintos dos grandes produtores, tais como franceses de Bordeaux e Borgonha, espanhóis da Rioja e italianos tipo Barolo. Vinhos brancos que envelhecem bem são raros e caros, sempre.
No caso dos tintos, a condição essencial para que envelheçam bem é que possuam um elevado teor de taninos e antocianos - duas substâncias que estão contidas na casca da uva. Os taninos (que também estão presentes na madeira das barricas em que os vinhos descansam antes de ser engarrafados), além de conferir adstringência ao sabor, tem um efeito anti-oxidante que combate os radicais livres possibilitando vida mais longa ao vinho. Os antocianos lhe conferem cor, tonalidade intensa quando novo. Portanto, se um tinto de safra recente não apresenta forte adstringência e tem coloração clara, já se sabe que não possui características para o envelhecimento. Segundo o crítico Robert Parker apenas 5% dos vinhos da atualidade tem capacidade para envelhecimento. Os demais devem ser bebidos de imediato ou no máximo em cinco anos, contados a partir da safra no rótulo. Também nunca se deve esquecer que deve-se em posição horinzontal e sob condições ideais de temperarura e umidade, ou seja, sempre em ambiente climatizado(temperatura sempre entre 14ºC e 16ºC) e unidade em torno de 60% a 80%.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

DEGUSTAÇÃO NA KMM

Ontem fomos a uma degustação muito interessante. Convidados pelo nosso amigo Maurício Miguel, tivemos a oportunidade de provar vinhos interessantíssimos da Importadora KMM.
Foram cerca de 25 rótulos colocados na degustação.
Entre os brancos impressionou o Sul-africano Namaqua Sauvignon Blanc com riqueza de aromas e boca exuberante e fresca e também o australiano Richland Sauvignon Blanc, com toques herbáceos mescladas a notas minerais muito interessantes.
Depois passamos ao rosês, um rótulo apenas, o autraliano Oxford Cabernet Sauvignon. Impressionou pelo frescor, afinal era um vinho da safra de 2006.
Entre os tintos, vários deles me encantaram:
ALPACA Shiraz/Cabernet: Excelente custo beneficio vindo do Chile
NUDO Cabernet sauvignon: Foi um dos vinhos que mais me impressionou! Segue ficha técnica e notas do produtor:
HISTÓRICO: A vinícola La Ronciere foi criada em 1949 e há 3 gerações a família Orueta, vinda da Espanha no início do século passado, dedica-se a alcançar a perfeição de seus produtos. Seu nome origina-se da palavra francesa ‘Ronce’, interpretada como ‘arbusto espinhoso’, típico dos campos desta região. São 200 hectares plantados no Valle de Rapel, a 80 km ao sul de Santiago, compreendendo as zonas de Cachapoal - com seus declives perfeitos para a exposição ao sol, e Colchagua - reconhecida pela pureza de seu ar. O excepcional clima mediterrâneo da região, a amplitude térmica, a composição de seu solo e sua disposição para uma excelente irrigação permitem à La Ronciere obter o melhor de cada uma das variedades cultivadas, todas colhidas por mãos habilidosas. Este vinho ganhou medalha de ouro no Catad’Or Hyatt 2007 e prata no Mundus Vini 2008, na Alemanha.
NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: Profundo vermelho-rubi com reflexos de cor púrpura. Ao nariz percebe-se elegantes notas de tabaco, chocolate e baunilha. Vinho pleno, com grande intensidade aromática, redondo, equilibrado e com camadas complexas de aromas e sabores frutados. Taninos firmes e macios. Estagiou por 18 meses em carvalhos francês, americano e húngaro, os quais adicionaram notas de café, caramelo e chocolate. Complementado por um final frutado e prolongado.

Na sequência degustamos 02 australianos excelentes: Dow Onder Shiraz, um daqueles vinhos perfeitos em cor, aroma sabor e preço baixo; Thee Steps Cabernet sauvignon, um aroma fantástico e boca super equilibrada e macia aliado a excelente preço! Agora, um dos vinhos que verdadeiramente mais impressionou, não só á mim, como a todos os que lá estavam (álias quem me apresentou esse vinho foi meu amigo Álvaro Cesar Galvão) foi o excelente e inesquecível CALABRIA, um vinho diferente de tudo o que já tomei, inebriante, macio, perfumado, sexy.... A casta é raríssima, a francesa Saint Macaire. Seguem as informações detalhadas do vinho em questão, que em breve com certeza estará disponível na VIEIRA VINHOS

REGIÃO: Riverina (Nova Gales do Sul)
TIPO: Vinho Tinto, 100% Saint Macaire
ÁLCOOL: 14,0%

HISTÓRICO: Apesar de ser portador de uma rara alergia causada pelos ácidos no vinho que o impede de engolir esta bebida, a visão e determinação de Bill Calabria colocam-no no topo da lista dos produtores que elevaram enormemente a qualidade dos vinhos elaborados em Riverina nos últimos anos. Estabelecida em 1945 por seus pais, imigrantes italianos, em Griffith, no coração de Riverina, Westend produz cerca de cinco milhões de litros por ano. Riverina é a segunda maior região produtora da Austrália e de lá saem 70% dos vinhos do Estado de Nova Gales do Sul, sendo famosa por seus vinhos de sobremesa estilo Sauternes.
Saint Macaire é uma variedade tão rara que dificilmente encontra-se menção em livros especializados. Leva o nome de um charmoso vilarejo francês de Bordeaux, mas hoje se encontra extinta na região. Westend, em apenas dois hectares, é uma das únicas vinícolas no mundo a produzir, de forma comercial, esta cepa. A safra de 2004 recebeu 90 pontos de James Halliday e Blue Gold Medal - 2005 Sydney International Top 100. A safra de 2006 ganhou medalha de prata no Perth Royal Wine Show e bronze no Royal Hobart International Wine Show 2007.
NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: Intensa e profunda cor vermelho com halo violáceo. Mostra aroma fragrante de violetas, pétalas de rosas e especiarias, que são atributos únicos da variedade Saint Macaire. Vinho encorpado que exibe fruta madura e especiarias, além de boa integração com o carvalho. O paladar é macio, com acabamento cálido e grande persistência, além de taninos refinados. Estagiou por doze meses em carvalho francês. Acompanha tapas, queijo Cheddar vintage, carnes de caça com ervas frescas, especialmente tomilho, sálvia e alecrim.
ENVELHECIMENTO: Pronto para ser degustado, mas tem potencial para ser adegado por dez anos.
Um vinho sem dúvida inesquecível.
E em relação ao evento, eu que nem era fã dos australianos agora sou uma das primeiras e levantar a bandeira para o vinho da terra dos cangurus!